Mais de 50 participantes estiveram reunidos, no passado dia 27 de outubro, em Elvas, na sessão técnica “Pecuária extensiva e bem-estar animal: da avaliação de extensividade à biossegurança e desempenho reprodutivo”, promovida pelo InnovPlantProtect e pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), no âmbito do projeto BioLivingLABS.
A iniciativa reuniu produtores, investigadores, médicos veterinários, representantes de cooperativas e associações, entre outros agentes ligados ao setor, proporcionando um espaço de partilha de conhecimento e reflexão sobre alguns dos principais desafios da pecuária extensiva.
Ao longo da tarde, as apresentações abordaram diferentes dimensões da atividade pecuária, desde a avaliação da extensividade das explorações e a importância da biossegurança até à eficiência reprodutiva e ao bem-estar animal.
Para além dos contributos dos oradores, a sessão ficou marcada pela participação ativa da audiência. As perguntas colocadas e as intervenções partilhadas trouxeram perspetivas relevantes e exemplos da experiência de quem conhece de perto a realidade do setor. O diálogo gerado, em particular durante a mesa-redonda, permitiu cruzar conhecimento científico e técnico com preocupações e desafios concretos das explorações.
Esta partilha entre diferentes intervenientes reforçou a importância de aproximar a investigação e o conhecimento técnico das necessidades do setor produtivo, criando oportunidades para identificar desafios comuns e discutir respostas que contribuam para uma pecuária extensiva mais sustentável, eficiente e preparada para o futuro.
O InnovPlantProtect agradece ao INIAV pela parceria na organização desta iniciativa, a todos os participantes pela presença e contributos, e aos oradores e moderador pela disponibilidade e qualidade das intervenções, fundamentais para o sucesso da sessão.
A sessão decorreu no âmbito do BioLivingLABS, projeto que promove a criação e dinamização de Living Labs e a experimentação de soluções em contexto real, aproximando os diferentes agentes do território e do setor agroalimentar.
O InnovPlantProtect (InPP) é parceiro científico da Frusoal num projeto de investigação dedicado ao estudo do insetoScirtothrips aurantii, conhecido como tripes-dos-citrinos, uma praga emergente que ameaça a citricultura algarvia. Integrado no Programa Operacional dos Citrinos da organização de produtores, o projeto procura aprofundar o conhecimento sobre a biologia e a dinâmica populacional desta espécie, contribuindo para melhorar a monitorização e apoiar estratégias de proteção das culturas.
A equipa do InnovPlantProtect esteve presente na inauguração do Laboratório Frusoal InovCitrus, uma iniciativa idealizada e instalada pela Frusoal para reforçar a investigação e o desenvolvimento orientados para as necessidades dos seus produtores de citrinos.
O InPP participa na componente de investigação do Programa Operacional dos Citrinos da Frusoal, colaborando no primeiro projeto científico desenvolvido neste contexto: «Determinação da Fenologia e Ciclo de Vida dos Tripes em Pomares de Citrinos do Algarve», com duração prevista de três anos, entre 2026 e 2028.
Conhecer melhor a praga para apoiar a proteção dos citrinos
Originário da África do Sul, Scirtothrips aurantii é uma praga de quarentena na União Europeia e representa um desafio crescente para a citricultura algarvia. A escassez de conhecimento científico sobre esta espécie nas condições de produção europeias torna necessário aprofundar o estudo do seu desenvolvimento e comportamento nos pomares.
O projeto vai acompanhar a dinâmica populacional da praga em pomares de laranja, tangerina, limão e lima, considerando fatores como a fenologia das culturas, as condições edafoclimáticas, as infestantes presentes e os usos do solo nas áreas adjacentes.
A informação recolhida deverá contribuir para uma melhor compreensão da evolução da praga nas diferentes culturas e condições de produção, criando uma base de conhecimento que possa apoiar a definição de estratégias de proteção mais eficazes e sustentáveis.
Ciência aplicada em parceria com o setor agrícola
A colaboração com a Frusoal demonstra a importância de aproximar a investigação científica dos desafios concretos da produção agrícola. Neste projeto, o conhecimento especializado do InnovPlantProtect contribui para investigar um problema fitossanitário relevante para os produtores, num trabalho desenvolvido em articulação com a equipa técnica da Frusoal e com o apoio do Centro de Experimentação Agrária de Tavira, da CCDR Algarve.
Na inauguração do laboratório estiveram presentes Ilaria Marengo, diretora da subárea de Monitorização Inteligente de Pragas e Doenças do InPP, e os investigadores Nuno Faria e Hadi Sheikhnejad, da mesma subárea.
A participação neste projeto reflete a capacidade do InnovPlantProtect para colaborar com empresas e outras organizações no desenvolvimento de investigação aplicada e na procura de respostas para desafios relacionados com a proteção das culturas.
O InPP disponibiliza competências científicas e técnico-científicas na área da monitorização de pragas e doenças, podendo colaborar com entidades do setor agrícola na identificação de necessidades e no desenvolvimento de abordagens ajustadas aos seus desafios fitossanitários.
Ao aproximar ciência e produção, o InnovPlantProtect contribui para uma agricultura mais segura, inovadora e produtiva.
Aprovado no âmbito do Programa Promove – Projetos-Piloto 2026, o BioProACE vai explorar bactérias autóctones da região EUROACE para desenvolver uma solução biológica contra o cancro da amendoeira.
O InnovPlantProtect (InPP) vai liderar o BioProACE – Bioprospeção de bactérias autóctones da região EUROACE para soluções inovadoras na agricultura, um dos 20 projetos-piloto inovadores aprovado na 8.ª edição do Programa Promove – O Futuro do Interior, que apoiou 55 iniciativas para valorizar o Interior do país.
Com uma duração de três anos, o projeto pretende explorar a biodiversidade microbiana do Alentejo, da região Centro e da Extremadura espanhola para identificar bactérias com potencial para controlar Diaporthe amygdali, o fungo responsável pelo cancro da amendoeira.
Esta doença pode comprometer a saúde das árvores e a produção de amêndoa, representando um desafio fitossanitário para os produtores. Perante a necessidade de desenvolver alternativas mais sustentáveis à proteção convencional das culturas, o BioProACE propõe investigar o potencial de bactérias naturalmente presentes nos solos e associadas às plantas da região.
Uma coleção de bactérias para descobrir novas soluções
Um dos principais resultados previstos é a criação de uma bacterioteca de bactérias autóctones da região EUROACE, que reunirá pelo menos 1.000 isolados bacterianos distintos. Esta coleção constituirá uma base de investigação para identificar microrganismos com propriedades úteis à proteção das culturas.
A partir desta coleção, a equipa irá selecionar e avaliar bactérias com capacidade para inibir D. amygdali. Os candidatos mais promissores serão estudados em plantas, utilizados no desenvolvimento de formulações e, nas fases seguintes, testados em condições reais de campo.
O projeto inclui também o desenvolvimento de métodos de diagnóstico que permitam detetar e quantificar a infeção pelo fungo, contribuindo para uma avaliação mais rigorosa da doença e da eficácia das soluções em estudo.
Embora o foco inicial seja o cancro da amendoeira, a bacterioteca poderá continuar a ser explorada após o fim do projeto, abrindo caminho à investigação de novas aplicações agrícolas.
Ciência e colaboração transfronteiriça
Liderado pelo InnovPlantProtect, o BioProACE reúne entidades científicas e parceiros do setor agrícola de Portugal e Espanha: o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), o Centro de Investigaciones Científicas y Tecnológicas de Extremadura (CICYTEX), a De Prado Portugal, a De Prado Cervantes e a Associação para a Promoção de Frutos Secos (Portugal Nuts).
Esta colaboração permitirá articular o conhecimento científico com a realidade dos produtores, desde a recolha de amostras até aos ensaios de campo em amendoais dos dois lados da fronteira.
Ao explorar recursos biológicos locais e desenvolver conhecimento científico aplicado, o BioProACE pretende contribuir para uma agricultura mais sustentável e para a valorização dos recursos e das capacidades de inovação da região EUROACE.
Financiamento
O BioProACE é um dos projetos-piloto aprovados na 8.ª edição do Programa Promove – O Futuro do Interior, promovido pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com o Banco BPI e em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
O projeto representa um investimento total de 208.765,93 euros, contando com um apoio aprovado de 149.992,12 euros.
O InnovPlantProtect (InPP) estará presente na terceira edição do Encontro Anual de Laboratórios Colaborativos (CoLAB), organizada pela Agência Nacional de Inovação (ANI), cujo objetivo é promover e monitorizar as atividades e a evolução progressiva dos 41 CoLABs atualmente reconhecidos, assim como o seu desenvolvimento no contexto de estratégias de investigação e inovação regionais, nacionais e europeias, e que vai decorrer na Universidade do Algarve, no Campus da Penha, entre os dias 6 e 7 de dezembro.
O 3.º Encontro Anual de Laboratórios Colaborativos pretende debater a evolução das atividades dos CoLAB e a sua integração na dinâmica dos ecossistemas regionais, durante a transição para um novo ciclo de financiamento de base, no âmbito da Missão Interface e do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PRR). Este evento contará com a apresentação dos principais resultados obtidos durante 2022 e os highlights da rede nacional de CoLAB.
O evento contará com a presença de Joana Mendonça, Presidente da ANI, Madalena Alves, Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), João Mendes Borga, Membro da Direção da ANI, e Paulo Águas, reitor da Universidade do Algarve. Nesta edição participaram ainda empresas, decisores políticos e peritos nacionais e internacionais.
Neste evento serão debatidos diversos temas de grande impacto como os desafios da população cada vez mais envelhecida, a transformação digital, a crise energética, a economia circular com novos modelos de negócio para um futuro sustentável, as perspetivas portuguesas dos CoLAB e a plataforma da Missão de Interface, entre outros.
Todas as sessões vão decorrer exclusivamente em inglês e serão transmitidas em direto, através do canal de Youtube da ANI aqui.
A ANI é a entidade que acompanha a implementação da agenda de investigação e inovação de todos os CoLAB. O processo de reconhecimento dos Laboratórios Colaborativos é assegurado pela FCT.
A gafa, ou antracnose, é uma doença do olival, causada por várias espécies de fungos do género Colletotrichum, tais como Colletotrichum accutatum, C. nymphaeae ou C. godetiae [1,2]. Os sintomas aparecem tipicamente nas azeitonas em maturação e incluem: manchas acastanhadas/negras com depressão, desitratação e queda precoce. Em casos extremos pode-se verificar desfoliação e morte de ramos [3]. A presença de azeitonas doentes tem também uma influencia negativa na qualidade do azeite, aumentando a acidez e baixando a estabilidade oxidativa do azeite [4].
Azeitona com gafa/antracnose. Fonte: Olive Times
A gafa é considerada a principal doença no olival em Portugal e é uma das doenças que vai ser monitorizada no projeto AlViGen. Para podermos monitorizar as estirpes de Colletotrichum presentes no olival e retirar informação útil dessa monitorização, precisamos ter uma associação entre o genoma e o fenótipo dessas estirpes. Dessa forma, quando aplicarmos a vigilância genómica ao Colletotrichum e identificarmos um determinado genótipo, poderemos identificar também as suas caracteristicas fenotípicas. Por exemplo, a sua virulência ou padrão de resistência a fungicidas.
Para podermos ter esta associação entre a genética e o fenótipo do Colletotrichum, estamos a trabalhar em conjundo com o grupo de Rosário Félix, professora da Universidade de Évora, no isolamento e caracterização de estirpes de Colletotrichum isolados por todo o país. Como tal, vimos pedir ajuda da comunidade para que nos envie amostras de azeitona para que possamos caracterizar o Colletotrichum presente no vosso olival!
O processo é muito simples:
1. Coloque 10 azeitonas num saco (de uma única variedade) na altura da mudança de cor (com ou sem sintomas)
2. Preencha o questionário para caracterizar a amostra, utilizando o seu telemóvel (ver abaixo).
3. Escreva o código de amostra no saco (código gerado durante o preenchimento do formulário)
4. Coloque o saco numa caixa ou envelope almofadado e envie para: Maria do Rosário Félix Laboratório de Virologia Vegetal, sala 108, Edificio Santos Júnior Núcleo da Mitra, Universidade de Évora 7000-083 Évora
Formulário de recolha de dados para telemóvel
De modo a que possamos recolher dados acerca do local da amostragem e do tipo de exploração, pedimos a quem nos enviar amostras que preencha também um questionário através do telemóvel.
Uma vez instalada a aplicação, pode aceder ao formulário com o QR code abaixo, através de dois métodos: carregue em “Configurar com código QR” e use a câmara para adicionar o QR code abaixo. Alternativamente, faça download do QR code e depois de carregar em “Configurar com código QR”, carregue nos três pontos (canto superior direito) e em “Importar QR Code”. A partir daqui terá carregado o QR code e bastará carregar em “Formulário em Branco” para começar a adicionar os dados da sua amostra.
Referências
1. Materatski, P., Varanda, C., Carvalho, T., Dias, A. B., Campos, M. D., Rei, F., & Félix, M. D. R. (2018). Diversity of Colletotrichum species associated with olive anthracnose and new perspectives on controlling the disease in Portugal. Agronomy, 8(12), 301.
2. Talhinhas, P., Mota‐Capitão, C., Martins, S., Ramos, A. P., Neves‐Martins, J., Guerra‐Guimarães, L., … & Oliveira, H. (2011). Epidemiology, histopathology and aetiology of olive anthracnose caused by Colletotrichum acutatum and C. gloeosporioides in Portugal. Plant Pathology, 60(3), 483-495.
3. Talhinhas, P., Sreenivasaprasad, S., Neves-Martins, J., & Oliveira, H. (2005). Molecular and phenotypic analyses reveal association of diverse Colletotrichum acutatum groups and a low level of C. gloeosporioides with olive anthracnose. Applied and Environmental Microbiology, 71(6), 2987-2998.
4. Carvalho, M. T., Simões-Lopes, P., & Monteiro da Silva, M. J. (2008). Influence of different olive infection rates of Colletotrichum acutatum on some important olive oil chemical parameters. In V International Symposium on Olive Growing 791 (pp. 555-558).
Nos dias 16 e 17 de novembro, o InnovPlantProtect (InPP) participou no Seminário de Lançamento do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal – POCTEP 2021-2027, que decorreu entre os dias 16 e 17 de novembro, no Centro de Exposições e Congressos na cidade Ayamonte, em Espanha.
Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, iLaria Marengo, Diretora de Departamento, Manisha Sirsat, investigadora do InPP, e Bruno Orrico, gestor de projeto, marcaram presença no seminário do POCTEP2127, o maior programa transfronteiriço da União Europeia (UE) aprovado pela Comissão Europeia, que pretendeu dar a conhecer todas as novidades deste novo ciclo de financiamento (com um orçamento de mais de 320 milhões de euros) e destacar a importância dos projetos transfronteiriços para alcançar territórios mais globais, tecnológicos, inclusivos e sustentáveis.
Com um programa diversificado, que contou com a participação da Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, e do Diretor da Unidade de Política Regional, Rui Inácio, e com espaços para networking, a iniciativa foi uma excelente ocasião para a troca de experiências e esclarecimento de dúvidas.
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