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A magia do inesperado: Como o acaso impulsiona a inovação na Agricultura

Para além da estratégia: O ingrediente secreto da inovação

No caminho para o sucesso, as organizações definem estratégias, planeiam cada passo e investem em recursos cruciais como a venda de serviços e produtos, a candidatura a projetos, a elaboração de planos de negócios sólidos e a proteção da propriedade intelectual. No entanto, há um elemento muitas vezes negligenciado, mas fundamental para o florescimento da inovação: a serendipidade. Mas o que é exatamente esta força misteriosa e por que razão é tão vital para o avanço da agricultura e de tantas outras áreas?

Quando o acaso abre portas: O poder da descoberta não planeada

A serendipidade reside na arte de encontrar algo valioso quando se procura outra coisa. São as descobertas não intencionais que surgem de situações inesperadas. Ao longo da história, algumas das inovações mais transformadoras não foram fruto de um plano rigoroso, mas sim de um encontro fortuito com o desconhecido. Embora a investigação deliberada e a experimentação metódica sejam pilares do progresso científico e tecnológico, a abertura ao inesperado revela-se um catalisador poderoso. Quando os investigadores cultivam esta abertura, muitas vezes deparam-se com/tropeçam em revelações que têm o potencial de revolucionar indústrias inteiras, transformar tecnologias e expandir a nossa compreensão do mundo que nos rodeia.

Um olhar atento ao “erro”: A génese de um biofungicida inovador

Hoje, desvendamos a surpreendente e inspiradora história de Maria Miguel, uma investigadora talentosa do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, cuja perspicácia transformou um acontecimento fortuito numa descoberta de valor inestimável: um biofungicida de largo espectro capaz de combater o Botrytis cinerea, o fungo implacável responsável pela devastadora doença da podridão cinzenta nos tomateiros. Esta patologia representa um dos maiores desafios fitossanitários na cultura do tomate, especialmente quando cultivada em estufa, causando prejuízos significativos aos produtores se não for controlada atempadamente.

Do descarte à descoberta: A perspicácia de uma investigadora

A jornada desta descoberta começou num cenário familiar para qualquer investigador: a observação de placas de Petri, usados para cultivar culturas de células ou microrganismos. Nas placas de Maria Miguel, colónias do fungo Botrytis cinerea cresciam, ali introduzidas intencionalmente para estudo. Contudo, algo mais chamou a sua atenção: uma das placas estava contaminada por um bolor, e curiosamente, uma zona límpida rodeava este intruso. Em vez de descartar a placa e ignorar como uma mera contaminação, Maria Miguel decidiu investigar a razão por detrás daquela área clara. A sua curiosidade revelou que o bolor possuía uma capacidade surpreendente de impedir o crescimento do Botrytis cinerea nas suas proximidades.

“Às vezes olhamos para algo e pensamos que é um erro. A verdade é que num falhanço pode haver algo bom”, partilha a investigadora. A emoção e o entusiasmo de um investigador ao perceber que aquilo que à primeira vista parecia um obstáculo, um resultado negativo, pode, na verdade, ser uma oportunidade, é contagiante. Para Maria Miguel, este “erro” transformou-se numa descoberta serendipitosa com um potencial enorme.

Maria Miguel, investigadora do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, que transformou um acontecimento inesperado numa descoberta que mudou o rumo do seu trabalho: um biofungicida de largo espectro para combater a podridão cinzenta nos tomateiros.

Para além do acaso: Os ingredientes ativos da descoberta científica

Tal como a história deste biofungicida demonstra, o mundo da ciência está repleto de exemplos de descobertas que surgiram do inesperado. Um dos casos mais célebres é a descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928. Ao observar placas de Petri, Fleming notou que um bolor estava a produzir uma substância que eliminava as bactérias Staphylococcus aureus ao seu redor. Identificou o bolor como Penicillium notatum e batizou o seu revolucionário antibiótico de penicilina. A penicilina acabou por se tornar um medicamento extremamente importante para combater infeções.

No entanto, o acaso não é o único protagonista destas revelações importantes. “Às vezes temos de seguir a nossa intuição e sermos capazes de provar que estamos certos ou errados”, elucida Maria Miguel. Para além da intuição, uma dose generosa de curiosidade, a mente aberta para aceitar resultados inesperados, um conhecimento científico sólido e a capacidade de ver e avançar para investigações adicionais sobre resultados surpreendentes desempenham um papel crucial na alquimia da descoberta.

O ecossistema da descoberta: Fomentando um ambiente propício à inovação

Existem outros ingredientes que contribuem para a receita do sucesso científico:

  • Criatividade: A capacidade de gerar novas perspetivas, conceitos, questões ou soluções, e a vontade de explorar ideias já existentes sob uma nova luz.
  • Flexibilidade: A coragem para aventurar-se em territórios desconhecidos sem o receio do fracasso, aumentando assim as probabilidades de encontros serendipitosos.

Mas nenhuma descoberta floresce isoladamente. No InPP, o forte espírito de equipa e a cultura de colaboração transcendem os limites departamentais. O caso da descoberta de Maria Miguel é um testemunho desta sinergia, como ela própria reconhece: “Os meus colegas abriram portas para que eu pudesse fazer a minha investigação”.

Para fomentar a inovação, as organizações precisam de cultivar um ambiente que estimule discussões abertas e conecte pessoas de diversas áreas de conhecimento e experiências de vida, sem julgamentos; que encoraje a curiosidade e a recetividade a novas experiências; e que promova uma busca incessante por melhorar o conhecimento científico, o terreno fértil onde a serendipidade pode germinar.

Semear o futuro: O impacto de uma descoberta e o caminho da investigação

Embora Maria Miguel esteja prestes a embarcar numa nova jornada, impulsionada por uma prestigiada bolsa de doutoramento Marie Skłodowska-Curie – um programa que apoia a carreira de investigadores e promove a excelência e a inovação na investigação – o seu legado no InPP já está a florescer. A sua descoberta inovadora está a abrir novas e promissoras portas para futuras investigações na área da proteção de culturas, demonstrando como, por vezes, é no inesperado que reside o potencial para transformar o nosso mundo.

InPP em destaque na revista Frutas, legumes e flores

Na edição do mês de março da revista Frutas, legumes e flores vai poder encontrar o artigo de opinião intitulado “O papel do InnovPlantProtect na Agricultura Biológica: Caminhos para soluções sustentáveis e eficientes”, no qual o diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP), António Saraiva, revela como o nosso CoLAB está a contribuir para o êxito da agricultura biológica.

“Ao impulsionar a investigação, a colaboração e a partilha de conhecimento, o InPP ajuda na resolução dos desafios centrais desta prática [agricultura biológica], permitindo a sua expansão e valorização da oferta de produtos agrícolas aos consumidores. As soluções desenvolvidas pelo InPP tornam a agricultura biológica uma opção mais viável para os produtores”, sublinha o diretor executivo.

Leia o artigo completo e descubra como estamos a moldar o futuro da agricultura.

Agradecemos o reconhecimento da Revista Frutas, legumes e flores e reiteramos o nosso compromisso com a agricultura do futuro.

Vinhas Inteligentes: IA ajuda a monitorizar a saúde das vinhas e a combater a cigarrinha-verde

Imagine um futuro onde drones e inteligência artificial trabalham juntos para proteger as suas vinhas. É isso que o projeto AI4Leafhopper está a tornar realidade!

A Manisha Sirsat, investigadora da equipa do AI4Leafhopper, desenvolveu dois modelos de inteligência artificial que analisam as imagens aéreas captadas pelo nosso drone de última geração… e estes modelos permitem:

  • geolocalização de cada videira
  • saber se há falhas de videiras
  • identificar rapidamente vinhas “doentes”
  • otimizar a aplicação de tratamentos

O resultado? Os produtores podem ter uma visão detalhada da saúde das suas vinhas, detetar problemas precocemente e tomar decisões mais informadas.

Descubra tudo aqui.

O AI4Leafhopper é um projeto liderado pelo InPP e financiado pelo programa Horizonte Europa ICAERUS, iniciado em abril de 2024 e que terminou a 30 de abril, com uma reunião final que envolveu os seis projetos europeus aprovados na 1ª edição das candidaturas PULL do programa ICAERUS. A equipa do projeto apresentou os modelos baseados em IA para detetar e monitorizar o impacto da cigarrinha-verde nas vinhas.

EVENTOS

InPP participa no Curso de Verão da CiB dedicado à Biotecnologia de Plantas

O InnovPlantProtect (InPP) participou na segunda edição do Curso de Verão de Biotecnologia de Plantas, promovido pelo Centro de Informação de Biotecnologia (CiB), que aconteceu entre os dias 10 e 13 de julho, na cidade de Coimbra, com o mote a inovação para a sustentabilidade.

O InPP fez-se representar com a presença do diretor executivo do Innovplantprotect, Pedro Fevereiro, e a diretora do departamento de Proteção de Culturas Específicas, Sandra Correia, que estiveram como oradores na sessão teórica intitulada “Cultura de células para a produção de metabolitos”, que decorreu na manhã do dia 11 de julho, e no dia 12 de julho, penúltimo dia do evento, arrancou com a intervenção do diretor executivo focada no tema “O setor da biotecnologia verde em Portugal”.

O objetivo deste Curso de Verão, que conta também com o apoio do Centro de Ecologia Funcional (CEF) do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra (UC), é divulgar as diferentes áreas da biotecnologia de plantas e o impacto que as ferramentas biotecnológicas podem ter na mitigação dos efeitos das alterações climáticas, bem como na produção de alimentos, com vista a assegurar a segurança alimentar.

Saiba mais na página do evento.

©CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR visitou o InnovPlantProtect

A Comissão Nacional de Acompanhamento (CNA) do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) deslocou-se ao território do Alto Alentejo, no passado dia 4 de julho, para fazer um ponto de situação sobre a implementação dos projetos financiados pelo PRR na região e auscultar os diversos beneficiários finais sobre as suas preocupações, dificuldades e sugestões.

A reunião no InnovPlantProtect (InPP), seguida de uma visita guiada às instalações, visou o acompanhamento do projeto Missão Interface, financiado pelo PRR, destinado a garantir o financiamento público de base para o laboratório colaborativo (CoLAB), bem como dos projetos “+Valorcer – Valorizamos a organização da produção de cereais” e “SNM_XylellaVt – Sistema Nacional de Monitorização de Insetos Vetores da Xylella fastidiosa“, liderados pelo InPP, e dos projetos Pacto de Bioeconomia Azul e InsectERA, nos quais o CoLAB é parceiro.

A par disto também foi possível apresentar ao Presidente da CNA, Pedro Dominguinhos, a investigação científica e a inovação desenvolvida pelos cinco departamentos ao longo dos quatro anos de existência do CoLAB, alinhar estratégias para futuras candidaturas ao PRR, bem como evidenciar as mais-valias que o InPP está a trazer ao nível da fixação de postos de trabalho na região.

A comitiva teve ainda a possibilidade de conversar com alguns dos nossos investigadores sobre a sua carreira, o seu percurso académico e científico por várias universidades nacionais e estrangeiras, e ficar a conhecer o que os levou a mudarem-se para a cidade de Elvas.

Para além deste projeto, foram abordadas outras candidaturas já apresentadas ao PRR, com relevância para o território e que ainda aguardam aprovação, e adiantada a intenção de submissão de outras que se encontram em fase de elaboração.

O diretor executivo do InPP, Pedro Fevereiro, bem como os diretores de departamento, Cristina Azevedo, Sandra Correia, Ricardo Ramiro, iLaria Marengo e David Learmonth, receberam a comitiva.

InPP participou no Encontro Ciência’23

No dia 5, o InnovPlantProtect (InPP) esteve presente no Ciência 2023 – Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que contou com a participação de Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, na sessão “Inovação, sustentabilidade e segurança alimentar: qual o posicionamento e o roadmap dos CoLABs do sector Agro?”, que decorreu pela primeira vez na cidade de Aveiro.

A sessão reuniu os laboratórios colaborativos (CoLABs) da área da Agricultura – o InPP, o FeedInov CoLab, o Food4Sustainability, o SmartFarmCoLAB e o CoLAB VINES&WINES -, para juntos debaterem quais os percursos tecnológicos e estratégicos que os CoLABs têm definido para dar respostas às necessidades e exigências do setor agrícola.

A Sessão foi estruturada tendo um “Keynote speaker” internacional, seguida de uma mesa-redonda moderada por um(a) jornalista, com a presença dos 5 CoLabs e abertura da discussão ao público assistente. Dos resultados esperados relevou-se a identificação das inovações em progresso e o entendimento e eventual ajuste das linhas estratégicas desenvolvidas e a desenvolver, bem como uma maior eficiência na interação entre os Colabs da área da Agricultura.

A iniciativa, que reuniu peritos e investigadores de diferentes áreas científicas, contou com a participação do Primeiro Ministro, António Costa, e com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, do ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, e da ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes. O Encontro foi encerrado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A edição de 2023 do Encontro Ciência decorreu entre os dias 5 e 7 de julho, em Aveiro, no Campus Universitário de Santiago da Universidade de Aveiro, e foi dedicada ao tema “Ciência e o Oceano Para Além do Horizonte”, sendo focado no oceano e águas.

O Encontro Ciência é o maior evento anual na área da ciência e da tecnologia em Portugal, promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em colaboração com a Agência Nacional de Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva e, este ano, também com a Universidade de Aveiro. A iniciativa conta ainda com o apoio institucional da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto.

As instituições de I&D nacionais, nomeadamente unidades de I&D FCT, CoLABs, Laboratórios Associados e Laboratórios de Estado, todos os anos participam ativamente no programa científico do Encontro Ciência, através da participação nas múltiplas sessões temáticas paralelas, demonstrações de atividades de I&D e de pósteres dos estudantes de doutoramento.

Mais informações sobre a iniciativa aqui.