Notícias e Eventos

plant blanco

NOTÍCIAS

Árvores maiores, mais bolotas, mas também maior vulnerabilidade?

Um estudo do InnovPlantProtect revela uma relação complexa entre a dimensão das árvores, o seu estado sanitário e a produção de bolotas — com implicações para a monitorização e gestão dos ecossistemas de carvalhos mediterrânicos. 

À partida, uma árvore maior parece ser uma boa notícia. 

Uma árvore mais desenvolvida pode ter um papel importante na regeneração natural dos ecossistemas, através da produção de bolotas. Mas será que ser maior significa também uma maior capacidade para resistir ao declínio?

Os resultados de um novo estudo sugerem que a resposta não é assim tão simples. 

Investigadores do InnovPlantProtect e de outras instituições portuguesas e espanholas analisaram a saúde e a reprodução de carvalhos mediterrânicos, procurando compreender de que forma o tamanho das árvores e o seu estado sanitário se relacionam com a capacidade de produzir bolotas.

Nem todas as árvores estão igualmente expostas 

Os carvalhos mediterrânicos, como o sobreiro, a azinheira e o carvalho-negral, desempenham um papel importante nos ecossistemas de montado e dehesa da Península Ibérica. Estes sistemas enfrentam, contudo, diferentes pressões ambientais, que podem comprometer a saúde e a capacidade de regeneração das árvores. 

Para compreender melhor quais os fatores associados ao declínio e à maior vulnerabilidade das árvores, a equipa analisou dados de monitorização recolhidos em oito locais de Portugal e Espanha, abrangendo cerca de 350 hectares e mais de 2.000 árvores. 

Os resultados mostram que os sinais associados à presença de agentes bióticos estão entre os fatores mais fortemente relacionados com a desfoliação. A presença de ramos mortos, de insetos conhecidos como capricórnios, da família Cerambycidae, e de podridão do tronco esteve associada a níveis mais elevados de perda de folhagem. 

Mas a dimensão das árvores também revelou uma relação importante com o seu estado sanitário. Árvores com maior diâmetro do tronco apresentaram maior probabilidade de níveis elevados de desfoliação.

Ou seja, a dimensão de uma árvore pode dizer-nos mais sobre a sua condição do que simplesmente o seu tamanho. 

Mas há um outro lado da história. 

Se as árvores de maior dimensão podem apresentar maior vulnerabilidade, será que essa dimensão traz também alguma vantagem? 

A resposta está na reprodução. 

A análise da produção de bolotas revelou uma relação positiva entre a altura das árvores e a sua capacidade de produção: árvores mais altas tendem a produzir mais bolotas. 

Mas, mais uma vez, a história muda quando olhamos para o estado sanitário. 

No caso do sobreiro, as árvores localizadas em zonas com pior estado sanitário produziram significativamente menos bolotas. Na azinheira, apesar da elevada variabilidade observada, não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas na produção entre árvores localizadas em condições sanitárias favoráveis e desfavoráveis. 

Os resultados mostram, assim, que crescer, manter a saúde e reproduzir não são processos independentes. A relação entre estas dimensões varia entre espécies e pode depender das condições a que as árvores estão sujeitas. 

“Frequentemente, presume-se que árvores maiores e mais velhas sejam um indicador de um montado saudável e resiliente. No entanto, o nosso estudo revela que o porte da árvore é, na verdade, uma faca de dois gumes. Embora as árvores de grande porte tenham capacidade para produzir um maior número de bolotas, o seu tamanho também pode estar associado a uma maior vulnerabilidade a determinados fatores bióticos, como é o caso das pragas, como os capricórnios (Cerambyx spp.), uma vez que o volume do tronco é maior, conferindo mais alimento e mais espaço para essa praga se desenvolver.”, explica Maysa Toledo, estudante de doutoramento do InnovPlantProtect.

“A presença de pragas danifica severamente as copas e levam espécies como o sobreiro a interromper a reprodução, para reservar energia para a própria sobrevivência.”, acrescenta.

O que muda na forma como devemos olhar para uma árvore? 

Uma árvore de maior dimensão pode representar um recurso importante para a regeneração, devido ao seu maior potencial de produção de bolotas. Ao mesmo tempo, algumas das características associadas a árvores maiores e mais maduras podem estar relacionadas com uma maior vulnerabilidade a determinados agentes bióticos e ao declínio. 

Proteger árvores com elevado potencial reprodutivo pode, por isso, significar também dar particular atenção ao seu estado sanitário.

A monitorização assume aqui um papel fundamental. A identificação atempada de sinais associados ao declínio pode contribuir para acompanhar de forma mais direcionada as árvores com maior valor estrutural e reprodutivo e apoiar decisões de gestão mais informadas. 

No entanto, os investigadores alertam também para uma questão importante: produzir mais bolotas não significa necessariamente garantir a regeneração do ecossistema. 

A sobrevivência e o estabelecimento de novas árvores dependem de outros fatores, incluindo a disponibilidade de água, a predação, o pastoreio, as características do solo e as condições microclimáticas. 

Para os responsáveis por estes ecossistemas, como explica Maysa Toledo, “a lição fundamental é que não podemos depender apenas da elevada produção de sementes. Para garantir a próxima geração de carvalhos, é importante proteger ativamente as árvores mais antigas contra fatores de stress biótico e, simultaneamente, preservar as condições necessárias à sobrevivência e ao crescimento das bolotas”.

Monitorizar hoje para compreender amanhã 

Mais do que identificar uma única causa para o declínio, este trabalho mostra a importância de compreender o ecossistema como um sistema interligado, onde a dimensão das árvores, a sua saúde e a capacidade reprodutiva podem estar simultaneamente relacionadas.

Neste contexto, os autores defendem a importância de perceber como estas relações evoluem ao longo do tempo, através de uma monitorização plurianual, capaz de acompanhar a evolução do estado sanitário e da reprodução das árvores e de aprofundar o conhecimento sobre a interação entre fatores ambientais e bióticos.

Esta perspetiva pode contribuir para estratégias de gestão e conservação florestal mais direcionadas, ajudando a identificar e proteger árvores particularmente relevantes para a manutenção e regeneração dos ecossistemas de carvalhos mediterrânicos.

Artigo científico

Título: Drivers of tree health and reproduction in mediterranean oaks: Trade-offs between tree size, biotic stress, and acorn production

Revista: Forest Ecology and Management, Volume 620, 2026, 124166

Autores: Maysa Hernandes Ricardo Toledo, Ilaria Marengo, Neftalí Sillero, Nuno Faria e Mario Campos Cunha

DOI: 10.1016/j.foreco.2026.124166

O estudo foi desenvolvido com base em dados de iniciativas de monitorização de ecossistemas de carvalhos mediterrânicos em Portugal e Espanha, incluindo o projeto MoniTREEng – Monitorização da saúde, produtividade e regeneração natural dos Quercus sp. e o projeto “IA aplicada a um sistema de alerta e deteção precoce de Phytophthora cinnamomi em montado/dehesa”, financiado pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com o Banco BPI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

InPP participa no Dia de Campo InovMilho’26 com intervenção sobre o vírus do nanismo no milho

A participação do investigador Nuno Faria, da subárea de Monitorização Inteligente de Pragas e Doenças, centrou-se nos desafios associados ao vírus do nanismo e no trabalho desenvolvido pelo InPP para compreender a sua ocorrência, acompanhar os seus vetores e contribuir para estratégias de proteção mais eficazes.

O InnovPlantProtect (InPP) esteve presente no Dia de Campo InovMilho’26, organizado pela ANPROMIS, que decorreu no passado dia 2 de setembro, na Estação Experimental António Teixeira (INIAV), em Coruche.

O investigador do InPP Nuno Faria, da subárea de Monitorização Inteligente de Pragas e Doenças, participou como orador na sessão “Produção de milho em Portugal: que condicionantes e oportunidades se nos colocam?”, com uma intervenção dedicada ao tema “Vírus do nanismo: como minimizar os seus impactos?”.

Compreender a ocorrência do vírus no território

A ocorrência e dispersão de agentes causadores de doenças na cultura do milho constituem um dos desafios que o InPP procura compreender através da monitorização e análise das populações presentes no território nacional.

Neste âmbito, a equipa está a estudar a prevalência do vírus do nanismo nas populações de milho, acompanhando a sua ocorrência numa área que se estende desde a região de Coimbra até ao Alentejo.

Este trabalho permite recolher informação sobre a distribuição do vírus e contribuir para um conhecimento mais aprofundado da sua presença na cultura do milho em diferentes regiões.

Monitorizar os vetores para antecipar a dispersão

Para além da presença do vírus, a investigação do InPP incide também sobre as dinâmicas populacionais dos seus vetores.

O acompanhamento destas populações ao longo dos anos permitirá identificar tendências e padrões na sua ocorrência. A informação obtida poderá, posteriormente, contribuir para o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de apoiar a compreensão da dispersão do vírus no território.

A possibilidade de antecipar onde e quando poderão surgir condições favoráveis à disseminação do vírus poderá contribuir para uma abordagem mais preventiva à proteção da cultura.

Identificar variedades menos suscetíveis

Paralelamente, a equipa do InPP está interessada em identificar variedades de milho menos suscetíveis ao vírus, procurando compreender quais poderão apresentar menor impacto perante a sua presença.

A identificação de materiais vegetais com menor suscetibilidade poderá constituir uma componente importante de futuras estratégias de proteção, complementando outras medidas de monitorização e gestão.

O trabalho desenvolvido pelo InPP nesta área procura, assim, conjugar monitorização, conhecimento epidemiológico e identificação de soluções que possam contribuir para uma gestão mais eficaz dos problemas fitossanitários na cultura do milho.

Um espaço de encontro entre ciência e setor produtivo

O Dia de Campo InovMilho’26 reuniu cerca de 260 participantes de todo o país, proporcionando um espaço de encontro e partilha entre a comunidade científica e académica, o setor produtivo e as empresas ligadas à fileira do milho.

Ao longo da iniciativa foram apresentadas técnicas, tecnologias e trabalhos de investigação relacionados com os desafios e oportunidades da cultura do milho em Portugal, promovendo a transferência de conhecimento e a criação de sinergias entre diferentes intervenientes do setor.

A participação do InPP nesta iniciativa permitiu dar a conhecer o trabalho que está a ser desenvolvido na área da monitorização inteligente de pragas e doenças, reforçando a importância da investigação aplicada para responder aos desafios fitossanitários que se colocam à agricultura nacional.

O InPP agradece à sua associada ANPROMIS o convite para participar no Dia de Campo InovMilho’26 e a oportunidade de partilhar o trabalho desenvolvido nesta área.

Veja o vídeo institucional do Dia de Campo InovMilho’26, disponibilizado pela ANPROMIS aqui.

Investigadores do InPP partilham conhecimento sobre o futuro da proteção de plantas em Summer School internacional

Dois investigadores do InnovPlantProtect participaram como oradores na International Summer School 2026, em Berlim, onde apresentaram diferentes perspetivas sobre o desenvolvimento de biossoluções e formulações para uma proteção das culturas mais segura e sustentável.

Os investigadorees do InnovPlantProtect (InPP), Tiago Amaro e Alexandra Machado, participaram, enquanto oradores, na International Summer School 2026 – “Soft Multiphase Materials for Next Generation Bio-pesticides: From Lab to Field”, que decorreu em Berlim, no âmbito da rede doutoral europeia BIOMAC-BP.

Realizada no Seminaris CampusHotel Berlin, a iniciativa reuniu investigadores e especialistas de diferentes áreas em torno do desenvolvimento de novas soluções para a proteção das culturas, promovendo a partilha de conhecimento e a colaboração entre diferentes disciplinas científicas.

Duas perspetivas sobre o futuro da proteção das culturas

Durante a manhã de 18 de setembro, Tiago Amaro, investigador da subárea de Proteção de Plantas do InPP, apresentou a sessão “Beyond Synthetic Pesticides: Next-Generation Biosolutions for Crop Protection”.

A apresentação abordou o potencial das biossoluções de nova geração enquanto alternativas aos pesticidas sintéticos, refletindo sobre novas abordagens para responder aos desafios atuais da proteção das culturas.

Também Alexandra Machado, investigadora da subárea de Agroformulações, participou como oradora, com a apresentação “Great Bioactives are Worthless Without Great Formulations”.

A intervenção destacou a importância das formulações no desenvolvimento de soluções baseadas em compostos bioativos. Para que um bioativo promissor possa traduzir-se numa solução eficaz e com potencial de aplicação no campo, a formulação desempenha um papel determinante, contribuindo para o seu desempenho, estabilidade e aplicabilidade.

As duas intervenções evidenciaram, assim, a complementaridade entre diferentes áreas de investigação e diferentes etapas no desenvolvimento de soluções para a proteção das culturas: desde a identificação e desenvolvimento de novas biossoluções até à sua formulação para uma aplicação eficaz.

Ciência que se partilha além-fronteiras

A participação de Tiago Amaro e Alexandra Machado enquanto oradores nesta Summer School internacional permitiu ao InPP reforçar a sua presença em redes científicas europeias e contribuir para a discussão em torno do futuro da proteção de plantas.

Mais do que uma oportunidade de partilha de conhecimento, estes momentos permitem criar novas ligações, promover a colaboração científica e aproximar diferentes áreas de investigação, contribuindo para o desenvolvimento de soluções mais seguras, eficazes e sustentáveis para a agricultura.

É também através da circulação do conhecimento — entre investigadores, instituições e áreas científicas — que a investigação pode continuar a transformar-se em inovação com aplicação no campo.

Inovar juntos. Proteger melhor.

WhatsApp Image 2026 09 18 at 12.34.58

EVENTOS

InnovPlantProtect marca presença na Noite Europeia dos Investigadores 2022

Será que os insetos também têm ciclo de vida? Já conhece o ciclo de vida da traça da colmeia? Ou sabia que as plantas também adoecem ou que existem microrganismos nocivos mas também benéficos para a saúde das plantas? Venha descobrir as respostas a todas estas questões já na próxima sexta-feira, dia 30 de setembro, na Noite Europeia dos Investigadores (NEI) 2022. Entre as 17h30 e as 00h, os investigadores e investigadoras do InPP vão marcar presença na Praça do Giraldo, em Évora.

O InPP estará no stand EU-Corner 4 e este será o ponto de encontro entre os investigadores e todos aqueles que querem descobrir a ciência que é desenvolvida no nosso laboratório colaborativo. Nesta noite vai poder participar em duas atividades científicas: na primeira vai poder descobrir o incrível ciclo de vida da traça da colmeia e na segunda vai poder ver uma planta doente e todo o processo de cura.

Entre jogos, debates, demonstrações, conversas, workshops, visitas, exposições e tertúlias, são muitas as atividades de diversas instituições científicas para explorar nesta festa da ciência.

A participação é gratuita.

Junte a família e venha ter connosco a esta festa da Ciência! Contamos com a sua visita!

Consulte a programação completa de atividades presenciais de Évora aqui.

A NEI ocorre todos os anos e tem o objetivo de partilhar o trabalho dos investigadores com o público em geral. O tema para o ano de 2022 é “Ciência para Todos – Sustentabilidade e Inclusão”.

Poderá o machine learning ajudar a acelerar os programas de melhoramento de plantas e a aumentar a produtividade agrícola?

Um artigo publicado recentemente pela equipa do InnovPlantProtect (InPP) revela o potencial dos métodos computacionais de machine learning para prever características fenotípicas, como é o caso do rendimento/produtividade do trigo, a partir de informações genéticas desta planta.

O machine learning (ML) é uma área da ciência de dados que tem ganho cada vez mais relevância na última década. O ML é um ramo da inteligência artificial que permite o desenvolvimento de modelos de previsão que podem ser aplicados nas mais variadas áreas. Apesar de não nos apercebermos, utilizamos ferramentas baseadas em ML no nosso dia-a-dia, como por exemplo, os resultados personalizados apresentados no feed do seu Facebook. Mas as aplicações futuras vão desde permitir a condução autonoma até à deteção de doenças através da análise de radiografias (em humanos) ou imagens de drone (em pomares).

A predição genómica (PG) é outra das áreas em que o ML tem estado a ser aplicado. Esta consiste em usar dados genómicos (que nos dão informação acerca do genótipo) para desenvolver modelos computacionais que prevêem características fenotípicas complexas dos organismos, tal como rendimento/produtividade do trigo (Ver representação esquemática).

Nesta investigação agora publicada na revista científica Agriculture, os investigadores Manisha Sirsat e Ricardo Ramiro, ambos do departamento de Gestão de Dados e Análise de Risco, em colaboração com a Paula Oblessuc do departamento de Proteção de Culturas Específicas, exploraram a utilização de vários modelos de PG baseados em diferentes métodos computacionais para além do ML, como é o caso dos métodos estatísticos ou de deep learning (DL), com o objetivo de comparar a robustez e a performance de cada um deles em prever a característica fenotípica rendimento/produtividade do trigo. A ideia foi perceber quais os métodos que permitem prever características fenotípicas com maior fiabilidade.

“Os métodos estatísticos têm sido os mais utilizados em predição genómica pelas equipas de investigação em todo o mundo. Contudo, os métodos de ML estão a revelar-se uma boa alternativa, sendo mais precisos e rápidos”, evidencia Manisha Sirsat, primeira autora do estudo.

“A PG baseada em ML pode ajudar a reduzir o tempo e o custo da avaliação extensiva do processo de fenotipagem (durante os programas de melhoramento) e a acelerar o ganho genético”, explica a investigadora. “Este estudo contribui assim para ajudar os investigadores a perceber os fatores chave no desenvolvimento de modelos que possam acelerar os programas de melhoramento do trigo, ou de outras culturas, e a aumentar a produtividade agrícola”, acrescenta.

Representação esquemática do processo de predição genómica

A equipa tem estado a trabalhar em predição genómica desde 2020, e espera que a genómica e a predição genética sejam fundamentais para permitir manter ou aumentar a produtividade das culturas, apesar das múltiplas ameaças que enfrentamos, e para responder ao aumento de 50% na procura por alimentos até 2050, quando a população mundial atingir 9,7 mil milhões.

O estudo foi cofinanciado por fundos europeus, através do Programa Alentejo2020, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Investigadores Manisha Sirsat, Ricardo Ramiro e Paula Oblessuc (da esquerda para a direita)

Artigo original

Revista Agriculture

Genomic Prediction of Wheat Grain Yield Using Machine Learning

Manisha Sirsat e Ricardo Ramiro

DOI: https://doi.org/10.3390/agriculture12091406

InPP marcou presença no Dia Aberto da Cultura do Arroz no Baixo Mondego

No passado dia 31 de Agosto, a diretora de departamento Cristina Azevedo esteve no Dia Aberto do Arroz – “A cultura do arroz no Baixo Mondego”, organizado pelo Pólo de Inovação de Coimbra da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPCentro), e que teve lugar no Campo do Bico da Barca, em Montemor-o-Velho. A iniciativa pretendeu dar a conhecer o que de mais inovador se tem feito ao nível da cultura deste cereal. 

Durante o Dia Aberto, que contou com a colaboração de várias entidades e empresas ligadas ao setor da cultura do arroz, os participantes visitaram ensaios e campos de arroz, ficaram a conhecer um ensaio de novas variedades deste cereal, que está a avaliar o comportamento agronómico das cultivares e a determinar o seu rendimento industrial, e um novo fertilizante – CHAMAE – desenvolvido pela Lusosem, Syngenta, Bayer CropScience e DRAP Centro, que está a ser testado para esta cultura.

Os visitantes tiveram ainda a oportunidade de experienciar o incrível trabalho que tem sido realizado pelo INIAV, IP na conservação e melhoramento desta cultura, bem como um sistema em modo de produção biológico, no qual a Lusosem e a Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego (Abofhbm) estão a testar novas tecnologias inovadoras e sustentáveis de sementeira e controlo de infestantes.

No âmbito da cultura do arroz, o departamento de Novos Biopesticidas, liderado por Cristina Azevedo, tem estado a trabalhar no desenvolvimento de biopesticidas para o controlo da piriculariose, uma das doenças que mais afeta este cereal, e, no passado mês de Agosto já recolheu duas amostras de arroz infetado na bacia do Mondego (em Montemor-o-Velho) e do Tejo/Sorraia (em Coruche e Porto Alto, em Samora Correia). A equipa planeia amostrar ainda este ano na zona do Sado.