O InnovPlantProtect (InPP) marcou presença na conferência “Construir valor em conjunto”, organizada pelo nosso associado FNOP – Associação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas.
O diretor executivo do InPP, António Saraiva, moderou o painel “Sustentabilidade que gera valor: O papel do ESG no futuro do setor”, que contou com as intervenções de Catarina Pinto Correia (VdA), Cristina Câmara (APED), Filipa Saldanha (Crédito Agrícola), Joana Oom de Sousa (Sovena) e Rui Veríssimo Baptista (Companhia das Lezírias).
A sessão de abertura esteve a cargo de Domingos dos Santos, presidente da FNOP e membro do Conselho de Administração do CoLAB.
O encontro reuniu organizações de produtores, agricultores, empresas, especialistas e decisores políticos para discutir os desafios atuais e perspetivar o futuro do setor hortofrutícola nacional.
Com a participação de especialistas nacionais e internacionais, a conferência foi um espaço privilegiado de partilha de experiências e reflexão estratégica, com enfoque na organização da produção e no papel das políticas públicas na promoção de um crescimento sustentável.
Parabéns à FNOP pela iniciativa e pela capacidade de reunir um painel de oradores de excelência, tornando esta conferência um marco relevante e atual para o setor.
Na viticultura, cada pequena decisão tem impacto: no solo, na saúde das plantas e na qualidade das uvas que estão na base do vinho que chega à nossa mesa. Já o futuro da viticultura pode depender de uma única biosolução. Ou de cem. No VINNY, um projeto europeu ambicioso, do qual o InPP faz parte, investigadores de dez países procuram bioativos capazes de travar as doenças da vinha — e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de agroquímicos de síntese. O que está em jogo não é apenas ciência: é a sustentabilidade desta fileira.
O objetivo do projeto VINNY é simples, mas transformador: desenvolver e implementar soluções eficazes, sustentáveis e adaptáveis às necessidades dos viticultores de vários países europeus, criando biopesticidas e biofertilizantes amigos do ambiente, aliados a tecnologias avançadas de nanoencapsulamento, para reduzir a dependência de químicos convencionais e promover um ecossistema mais saudável e uma viticultura circular.
E no centro desta missão, está uma peça essencial da engrenagem: o trabalho diário dos investigadores que procuram respostas invisíveis ao olho humano — como é o caso de Tiago Amaro, investigador do InPP.
Créditos das imagens: Projeto VINNY
À Procura dos Guardiões da Videira
O caminho para estas novas biosoluções começa no campo, com a videira. O trabalho inicial do Tiago Amaro, arrancou em setembro de 2024 e foca-se em identificar e isolar microrganismos naturalmente presentes nas próprias videiras, em amostras recebidas dos parceiros em Portugal, Espanha, Áustria e Dinamarca.
De uvas, varas ou fragmentos lenhosos, chegam ao laboratório pequenos mundos microscópicos que podem conter as armas naturais necessárias para combater três importantes ameaças para a vinha, com impacto direto na rentabilidade da exploração agrícola: • A podridão cinzenta (Botrytis cinerea) e o mofo azul (Penicillium expansum): Fungos que causam doenças de pós-colheita, afetando, no caso das uvas para vinho, a qualidade do vinho e inviabilizando por completo a comercialização das uvas de mesa. • Os tumores da videira: Causados pela bactéria Allorhizobium vitis, esta doença afeta a planta em campo, provocando a queda das folhas e a diminuição da produção de uva.
Tiago Amaro, investigador do InnovPlantProtect, a identificar e isolar bactérias, no âmbito do projeto VINNY. Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
Após o isolamento dos microrganismos, o Tiago dedica-se à criação de bibliotecas de bactérias. O que é uma ‘Biblioteca de Bactérias’? No contexto da investigação, uma biblioteca de bactérias é uma coleção organizada e catalogada de bactérias isoladas de diferentes fontes. Permite aos cientistas testar cada estirpe de bactérias contra patógenos específicos, constituindo um vasto catálogo de potenciais ‘super-heróis’ biológicos para a proteção vegetal.
Este rastreio rigoroso, que já deu origem à análise de mais de 190 bactérias desta biblioteca, é a primeira linha de defesa. A equipa seleciona as melhores candidatas com potencial para serem usadas como agentes de controlo biológico contra as doenças em estudo.
O Poder da Colaboração Europeia
E se a solução para proteger as vinhas portuguesas estiver escondida numa uva dinamarquesa? Ou numa bactéria isolada em Espanha? Um dos aspetos mais empolgantes do projeto é a sua dimensão verdadeiramente colaborativa, onde investigadores de dez países estão a trabalhar em paralelo, partilhando respostas, desafios e microrganismos em busca de biosoluções eficazes para toda a Europa.
“Todas as soluções encontradas vão ser partilhadas, todas as soluções vão ser testadas por todos os parceiros e vai ser possível construir uma ‘biblioteca de soluções’ contra as várias doenças da vinha“, enfatiza o investigador Tiago Amaro.
A partilha de bactérias e de extratos de diferentes ecossistemas (Portugal, Espanha, Dinamarca e Áustria) é crucial. Uma bactéria eficaz na Dinamarca pode ser a chave para proteger as vinhas portuguesas, e vice-versa. Este intercâmbio de soluções biológicas, um dos pilares inovadores do projeto, permite explorar a biodiversidade microbiana para além das fronteiras nacionais. O InPP tem o papel fundamental de testar, em uvas, as soluções descobertas tanto pela nossa equipa como pelos restantes parceiros nacionais e europeus.
Esta diversidade de testes é uma aposta no futuro: microrganismos que não se revelem eficazes contra as doenças da vinha podem ser a solução para patologias de outras culturas.
Foto da esquerda: Tiago Amaro, investigador do InPP, a observar uma folha de videira, cultura alvo do projeto VINNY, Foto da direita: Plantas de videira em vaso na estufa do InPP, preparadas para testar as soluções encontradas pelos vários parceiros do VINNY. Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
O Verdadeiro Teste: Do Laboratório ao Campo
Após a seleção em laboratório, o próximo passo – a formulação das bactérias mais promissoras – será realizada em Portugal e Espanha, na Universidade do Minho e na Universidade Politécnica da Catalunha. Mas, é na fase de testes em campo, que reside o maior desafio da ciência da proteção das plantas, porque mesmo resultados brilhantes em laboratório podem falhar no terreno. A formulação é o processo que transforma uma bactéria em produto — estável, aplicável e compatível com as necessidades do agricultor.
O Tiago Amaro sublinha a resiliência necessária:
A Incerteza do Campo: Muitas vezes, soluções promissoras em laboratório ou em estufa não apresentam a mesma eficácia quando aplicadas no campo, devido às variáveis ambientais (clima, solo, etc.).
O Fator Tempo: Doenças como a Allorhizobium vitis podem demorar a desenvolver-se, ou a infeção pode ser pouco relevante em certos anos, o que dificulta a obtenção de conclusões robustas.
O Ciclo Agrícola: É necessário testar a formulação em campo durante três a cinco anos consecutivos, registando todas as variações observadas. Com apenas uma colheita por ano, este processo exige paciência e persistência.
No total, desde a descoberta de uma bactéria promissora até à criação de um produto formulado, comprovadamente eficaz e pronto para o mercado, podem passar cerca de 10 anos — um verdadeiro teste à resiliência de qualquer cientista.
Soluções personalizadas: a nova exigência da agricultura moderna
O desafio final é garantir que os ensaios sejam relevantes para a realidade do produtor. A tendência atual no setor agrícola é a procura por soluções personalizadas, adaptadas às condições específicas das explorações: “Para cada campo e para cada agricultor, tem de haver uma solução”, projeta o investigador.
Esta abordagem personalizada exige mais ciência, mais rigor e mais conhecimento local — exatamente o que o VINNY procura construir.
Uma Europa unida pela ciência e pela vinha
O InPP integra este consórcio, composto por 19 parceiros de dez países, e liderado pela Universidade do Minho e financiado pelo programa Horizonte Europa.
Juntos, procuram responder a uma pergunta que poderá moldar o futuro da viticultura europeia: Será possível encontrar biosoluções eficazes para todos os países parceiros?
A resposta ainda está a ser escrita — nos laboratórios, nas vinhas experimentais, nos campos de diferentes climas e geografias. E é feita de pequenas descobertas, muitas frustrações e um enorme compromisso com a ciência.
Porque proteger a vinha do futuro não é apenas uma ambição técnica. É um compromisso cultural, económico e ambiental. E o VINNY está a ajudar a desenhar esse futuro — um microrganismo de cada vez.
Workshop final destacou três anos de investigação dedicados à deteção precoce de patógenos em culturas como o trigo e o olival.
O projeto AlViGen chegou à sua reta final, concluindo três anos de investigação focados na vigilância genómica de doenças agrícolas. Os resultados agora apresentados prometem reforçar a capacidade de resposta do setor agrícola do Alentejo face a ameaças fitossanitárias emergentes.
No dia 23 de outubro, decorreu o workshop final do projeto, reunindo investigadores, produtores e técnicos para partilhar resultados e refletir sobre o futuro da vigilância genómica na agricultura portuguesa.
Um polo pioneiro de vigilância genómica
Durante o AlViGen, foi criado o primeiro polo de vigilância genómica do Alentejo, uma infraestrutura com capacidade para detetar precocemente doenças em culturas estratégicas como o trigo e o olival. Este avanço marca um passo decisivo rumo a uma agricultura mais precisa, sustentável e baseada em ciência.
Resultados e contributos científicos
Com recurso a ferramentas moleculares inovadoras, a equipa do projeto conseguiu:
Identificar fungos patogénicos antes de surgirem sintomas visíveis nas plantas;
Caracterizar estirpes de ferrugem amarela, relacionando-as geneticamente com outras conhecidas a nível global;
Detetar genes de resistência no trigo às estirpes atualmente presentes em Portugal;
Desenvolver métodos de diagnóstico capazes de distinguir as diferentes espécies do fungo causador da gafa no olival.
Durante o workshop, foi ainda sublinhado o potencial da análise da comunidade de fungos transportada pelo ar como ferramenta de alerta precoce para múltiplos patógenos, permitindo uma gestão mais eficaz e preventiva das doenças das culturas.
Da investigação à aplicação prática
O evento terminou com um debate sobre como transformar os resultados do AlViGen num serviço de deteção e aviso acessível ao setor agrícola. A iniciativa reflete o compromisso conjunto entre ciência, inovação e produção, com vista a proteger a agricultura nacional dos desafios do futuro.
Parcerias e agradecimentos
O InnovPlantProtect agradece a todos os parceiros e financiadores do projeto: Universidade de Évora, John Innes Centre, INIAV, De Prado, CERSUL, Fundação Eugénio de Almeida, Herdade Torre das Figueiras, Almojanda, Herdade do Malheiro, Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Fundação “la Caixa”, Banco BPI e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
“O InnovPlantProtect (InPP) utiliza os mais modernos conhecimentos biológicos e digitais para, em colaboração com os produtores, as empresas de fitofármacos e de sementes, instituições de investigação e o poder local, resolver os problemas colocados à agricultura mediterrânica pelas alterações climáticas, pela redução da disponibilidade de princípios ativos para a proteção das culturas e pelo aparecimento de novas pragas e doenças, para as quais não existem soluções de prevenção e combate”, sublinha Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, à Revista Voz do Campo.
O InPP é destaque na edição de fevereiro da revista Voz do Campo e na sua edição online, com um artigo de opinião intitulado “InnovPlantProtect: 5 anos de um Laboratório Colaborativo para a proteção das culturas mediterrânicas”, que conta com uma “radiografia” dos 5 anos de existência do laboratório colaborativo (CoLAB) realizada pelo diretor executivo do InPP.
E no que ao futuro diz respeito, Pedro Fevereiro, deixa algumas pistas: “Continuaremos a apostar no desenvolvimento de inovação para a proteção das culturas com recurso a compostos biológicos ou organismos vivos de diferentes fontes e tipos, numa ótica de economia circular e de sustentabilidade, valorizando os produtos através da sua proteção industrial e posterior venda”.
Leia o artigo na íntegra no ficheiro disponível abaixo.
Esta quarta-feira, dia 7 de fevereiro, tivemos o prazer de receber, nas instalações do InnovPlantProtect (InPP), a visita de uma comitiva de membros da Embaixada de Angola Portugal, que veio acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida.
Durante a visita, a embaixadora da República de Angola, Maria de Jesus Ferreira, bem como o 1° secretário Analberto Guilherme e 3ª secretária Maria da Conceição Pimenta, tiveram a oportunidade de conhecer o laboratório colaborativo (CoLAB), os laboratórios e descobrir um pouco mais sobre o trabalho e as diferentes áreas de atuação que estão a ser exploradas pelos cinco departamentos do CoLAB.
Esta foi uma ótima oportunidade para identificar e debater futuras oportunidades para novas parcerias, colaborações e projetos.
Um agradecimento à comitiva da embaixada de Angola pela visita.
O InnovPlantProtect (InPP) comemorou o seu quinto aniversário esta quarta-feira, dia 24 de janeiro, a partir das 14h, no edifício do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) – Polo de Elvas, em Elvas, com a presença de 120 convidados. O evento comemorativo, que juntou os associados do InPP, diferentes representantes do ecossistema da inovação, representantes de outros laboratórios colaborativos (CoLAB) da área agroalimentar, associações de produtores, agricultores e decisores políticos, teve como objetivo fazer balanços dos 5 anos de atividade do CoLAB e explorar perspetivas para o futuro.
A tarde iniciou com a sessão de abertura que contou com a participação de Margarida Oliveira, presidente do Conselho de Administração do InPP, que alertou para a necessidade de soluções de proteções de culturas mais sustentáveis do que as atuais, reduzindo os impactos negativos na segurança dos alimentos e nos agrossistemas, acrescentando ainda que os novos mercados de exportação têm processos de certificação mais apertados, nos quais existe um maior controlo, e, por isso, as novas soluções devem privilegiar as culturas que se podem desenvolver na região, isto é, as culturas mediterrânicas.
O InPP, uma iniciativa da Universidade Nova de Lisboa (UNL) liderada pelo centro de investigação Green-it do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (em Oeiras), em cooperação com outras unidades científicas da UNL, “é um dos 41 CoLAB aprovados que constitutem a rede de CoLAB existente em Portugal, e um dos 7 que está sedeado em regiões de baixa densidade populacional e o único cuja área de atuação é a proteção de culturas agrícolas”, evidenciou a Presidente do Conselho de Administração.
Os 14 associados que compõem atualmente o CoLAB estiveram também em destaque. Aos 12 associados que componham o InPP, como o Município de Elvas, universidades, centros de I&D, empresas agrícolas e associações de produtores, juntaram-se no ano de 2023 o Instituto Politécnico de Portalegre e a Lusosem. “No entanto, pretendemos aumentar este número e incluir todas as instituições de ensino e investigação do Alentejo e também aumentar o número de empresas agrícolas associadas”, revelou Margarida Oliveira.
Os primeiros cinco anos do CoLAB foram o “montar as condições, arrancar com o projeto, começar a mostrar resultados (…) e demonstrar credibilidade na área. Isto é extremamente importante para se poder avançar para a próxima fase porque não é possível ganhar projetos competitivos com uma equipa que não é reconhecida como tendo qualidade”, esclareceu.
Segundo a presidente do Conselho de Administração, para a fase seguinte “é necessário arranjar quem vá promover os produtos que estão a sair do trabalho da equipa do InPP e quem vá obter contratos que permitam assegurar a viabilidade do InPP, quando os fundos públicos reduzirem” devido à chegada da maturidade da instituição.
Atualmente, o InPP desenvolve soluções inovadoras bioinspiradas e digitais para proteger as culturas, desenvolve serviços de acordo com as necessidades dos utilizadores, promove uma agricultura mais sustentável, adaptável às mudanças climáticas e solidária com o meio ambiente e assume as diretivas de transição ambiental, climática e digital da União Europeia.
Margarida Oliveira terminou a sua intervenção chamando a atenção de que “manter um CoLAB como o InPP é algo crítico para o país e em que temos, não só, necessidade mas o dever de apostar”.
A secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, começou o seu discurso recordando a rede de laboratórios colaborativos, inicialmente desenhada por Manuel Reitor, Ex-ministro de ciência, tecnologia e ensino superior de Portugal, que priorizou as regiões do interior como locais para instalar os CoLABs.
“Os laboratórios colaborativos são ainda muito jovens, mas hoje podemos orgulhar-nos de ter uma rede de CoLAB espalhada por todo o país (…) e também em diferentes temáticas (…) que resultam daquilo que é mais importante para o território onde se localizam. No caso do InPP (…) é, sem dúvida, hoje um motor essencial para o desenvolvimento da região do Alentejo (…) que faz a interface entre a Academia e o tecido sócio-económico/ produtivo, as empresas”, destacou a secretária de Estado.
Isabel Ferreira parabenizou o trabalho realizado por toda a equipa que compõe o InPP, “desde logo em temáticas tão relevantes para aquela que é a estratégia do país para 2030 (…), alinhada com o contexto europeu e que tem uma enorme importância para as diretivas de transição ambiental, climática e digital” da União Europeia.
O contributo “evidente” do InPP para mitigar o impacto das alterações climáticas nas culturas foi também sublinhado pela secretária de Estado, “que sabemos que hoje [as culturas] enfrentam tão importantes desafios que exigem uma investigação cada vez mais focada e uma resposta cada vez mais rápida, e só trabalhando em rede, em parceria, é que isso se consegue.”
Quando questionada acerca da facilidade de captar recursos humanos altamente qualificados para os territórios do interior, nomeadamente para Elvas, a resposta da secretária de Estado não deixa margem para dúvidas: “Nunca terão dificuldades porque o projeto é aliciante, o emprego que estão a oferecer é um emprego altamente qualificado motivador e, portanto, as pessoas vêm e ficam. E isto é uma arma poderosíssima para a coesão territorial e para o desenvolvimento do interior”.
Isabel Ferreira terminou a sua intervenção dizendo que tem sido um “verdadeiro privilégio” assistir ao crescimento dos CoLAB, que têm passado por um processo com diferentes etapas, desde a assinatura, recuperação de instalações e a obtenção de equipamentos e tecnologias de última geração, e que tem culminado com a evolução destas estruturas com “competência e qualidade”.
Pelas 15h15, teve lugar a sessão “Que inovação se produz no InPP?”, na qual os cinco diretores de departamento Cristina Azevedo, Sandra Correia, David Learmonth (três fotos acima, da esquerda para a direita), Ricardo Ramiro e iLaria Marengo (duas fotos abaixo, da esquerda para a direita), deram a conhecer as suas equipas e o trabalho que estas têm sido capazes de desenvolver, bem como as novas tecnologias, produtos e serviços que têm sido produzidos nas várias áreas de atuação do CoLAB.
“Queremos criar valor através da gestão de organismos vivos no campo do agricultor. É esta a finalidade do InPP”. Foram estas as palavras escolhidas pelo diretor executivo do InPP, Pedro Fevereiro, para dar o pontapé de saída na sessão de encerramento, que decorreu a partir das 16h.
O diretor executivo considera a marca InnovPlantProtect já uma referência reconhecida em todo o país, em particular no setor da agricultura e enfatizou as quatro patentes já produzidas pelo CoLAB para proteger as culturas contra várias doenças que as afetam a nível regional e nacional e os mais de 2 milhões de euros angariados em 8 projetos de inovação e desenvolvimento atualmente ativos, sendo um deles o primeiro projeto do CoLAB financiado pelo programa internacional Horizonte Europa.
Uma das últimas novidades do CoLAB – a app store do InPP, que está na fase final de desenvolvimento e ficará disponível para os agricultores em breve, esteve também em destaque. A app tem como objetivo permitir aos utilizadores aceder a seis aplicações que a equipa tem estado a desenvolver.
E quanto ao futuro? Pedro Fevereiro acredita que se o “bom ritmo” de produção de inovação e de criação de patentes se mantiver e se a capacidade de atrair contratos com empresas e com produtores que queiram ver resolvidos os seus problemas e que recorram ao InPP aumentar, o CoLAB conseguirá completar o 1/3 de financiamento proveniente de receitas próprias, que é exigido aos CoLAB.
Para o InPP, o diretor executivo almeja aumentar a interação com a rede regional, através de projetos e parcerias, participar na formação dos jovens dos vários níveis de escolaridade, estender a rede internacional, garantir a sustentabilidade orçamental e garantir os postos de trabalho.
Pedro Fevereiro agradeceu à Ministra da Coesão Territorial todo o apoio e o financiamento que o seu Ministério disponibilizou ao CoLAB sempre que surgiram dificuldades, ao Município de Elvas, à Universidade NOVA, ao INIAV, à Agência Nacional de Inovação (ANI), aos associados do InPP e aos recursos humanos que constituem a equipa do InPP.
“O InPP são as pessoas. (…) Tudo o resto é conversa. Se não tivermos estas pessoas connosco, não temos patentes, não temos InPP, não temos nada. É a eles que se deve isto”, concluiu.
A segunda intervenção da sessão de encerramento foi a de Hermenegildo Rodrigues, vereador da Câmara Municipal (CM) de Elvas, que esteve presente em representação de José Rondão Almeida, presidente da CM de Elvas, e que começou por sublinhar o trabalho desenvolvido pelo InPP nestes últimos cinco anos e identificar as “mais valias que aporta ao concelho, à região e ao mundo da ciência, e, simultaneamente, a sua proatividade com a comunidade agrícola e escolar, quer através de contratos e parcerias, protocolos que sensibilizaram consciências, alteraram hábitos e acrescentaram conhecimento”.
O vereador da CM de Elvas continuou a sua intervenção com o tópico da internacionalização do CoLAB, referindo que “é mérito de todos os profissionais que aqui exercem, pela forma como se integraram, dignificaram e interagiram com a sociedade elvense, e pelo trabalho desenvolvido, e por potenciarem a colaboração entre os vários atores”.
O apoio do Município ao InPP saiu reforçado nas palavras de Hermenegildo Rodrigues: “A nós, poder local, cabe-nos manter a porta aberta, a vossa porta. Estaremos, como sempre, disponíveis para caminhar lado a lado, na procura de soluções que viabilizem estratégias e objetivos. (…) De nós para vós, o nosso muito obrigado”, concluiu.
A sessão de encerramento prosseguiu com Gonçalo Rodrigues, Secretário de Estado da Agricultura, em representação da Ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, que destacou o papel das regiões do interior do país para a atividade agrícola.
“Este CoLAB é trazer ao interior, muitas vezes “ostracizado e esquecido” (nas palavras de Hérman José, citado pelo secretário de estado), mas que na verdade é o seio de tudo isto. É aqui que está a agricultura. O meio urbano, infelizmente, continua a criar um gap sobre aquilo que é o mundo rural. Mas nós temos também de trazer esta experiência, trazer a academia, trazer os cientistas, para sentirem a terra, para sentirem o interior, e depois de alguma maneira produzirem aquilo que são as ferramentas necessárias para o desenvolvimento desta atividade económica de base, (…) sem a qual não teríamos alimentos de qualidade e seguros na nossa prateleira”, relembrou o secretário de Estado da Agricultura.
Na sua intervenção, Gonçalo Rodrigues sublinhou a importância do InPP para tornar o setor agrícola mais sustentável, inovador e competitivo: “Esta é a mostra do que é que tem de ser um laboratório colaborativo. (…) Eu arriscava a dizer que poucos ou talvez muito poucos tiveram ou têm o sucesso que aqui encontramos no InPP. Também tem de servir de bandeira ao que bem se faz no nosso país e tentar transferir esta capacidade para outros, materializando-a no nosso setor. É isto que a nossa agricultura precisa”, rematou.
A sessão terminou com a intervenção da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que agradeceu o apoio que o Município e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo) têm dado ao InPP, e que segundo a ministra, espera que continue a ser dado a este projeto.
Para Ana Abrunhosa, “[o InPP] têm-nos ajudado muito a passar a ideia de que a investigação de qualidade pode e deve ser feita em qualquer lugar, desde que sejam asseguradas as condições essenciais”.
“É um projeto de referência, que faz investigação científica ao mais alto nível, capta talentos (…) de diferentes origens geográficas, alguns tiveram a oportunidade de regressar ao nosso país depois de terem mundo, através deste projeto. O que é muito importante nestes projetos é que eles garantem remunerações justas, com excelentes qualidades de trabalho. E se somarmos a tudo isto, este projeto estar localizado nesta bela cidade do interior, (…) a qualidade de vida é excecional”, sublinhou.
A ministra da Coesão Territorial continuou a sua intervenção reiterando o apoio do governo aos CoLABs, pois segundo ela “não há melhor aplicação para as verbas dos fundos europeus do que projetos como este”. O apoio governamental à rede de CoLAB teve início durante o ano de 2020, com o programa Portugal 2020, e estender-se-á até 2030, com o programa vigente, Portugal 2030.
“Nós passamos a vida a querer inventar a roda. Este é um exemplo [de um projeto, o InPP] que podemos dar e que gostaríamos muito de multiplicar pelo resto do nosso país e, sobretudo, é importante que quem tenha responsabilidades, o faça”, concluiu.
A partir das 16h45 os convidados juntaram-se para um beberete e para cantar os parabéns ao InPP com bolo de aniversário.
O balanço do evento comemorativo foi positivo, tendo sido capaz de atrair a comunidade elvense, representantes de diversas empresas e produtores agrícolas, e a comunidade académica.
Após cinco anos, o InPP promove a transferência de conhecimento, reforça a sua posição como um CoLAB capaz de fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços com uma forte componente tecnológica e de inovação, e fortalece o seu compromisso de impulsionar soluções que façam a diferença para enfrentar os vários desafios da proteção das culturas agrícolas.
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