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Beyond strategy: The secret ingredient of innovation

On the path to success, organizations define strategies, plan each step, and invest in crucial resources such as the sale of services and products, project applications, the development of solid business plans, and the protection of intellectual property. However, there is an often-neglected element that is fundamental to the flourishing of innovation: serendipity. But what exactly is this mysterious force, and why is it so vital to advancing agriculture and so many other areas?

When chance opens doors: The power of unplanned discovery

Serendipity lies in the art of finding something valuable when looking for something else. It’s the unintentional discoveries that arise from unexpected situations. Throughout history, some of the most transformative innovations have not been the result of a rigorous plan, but rather of a fortuitous encounter with the unknown. Although deliberate research and methodical experimentation are pillars of scientific and technological progress, openness to the unexpected proves to be a powerful catalyst. When researchers cultivate this openness, they often come across revelations that have the potential to revolutionize entire industries, transform technologies, and expand our understanding of the world around us.

A close look at the “error”: The genesis of an innovative biofungicide

Today, we unveil the surprising and inspiring story of Maria Miguel, a talented researcher from the InPP’s New Biopesticides Department, whose insight transformed a fortuitous event into a discovery of inestimable value: a broad-spectrum biofungicide capable of combating Botrytis cinerea, the relentless fungus responsible for the devastating gray mold disease in tomato plants. This pathology represents one of the greatest phytosanitary challenges in tomato cultivation, especially when grown in greenhouses, causing significant losses to producers if not controlled in a timely manner.

From discard to discovery: An investigator’s insight

The journey of this discovery began in a scenario familiar to any researcher: the observation of Petri dishes, used to grow cell or microorganism cultures. In Maria Miguel’s Petri dishes, colonies of the fungus Botrytis cinerea were growing, intentionally introduced there for study. However, something else caught her attention: one of the plates was contaminated by mold, and curiously, a clear zone surrounded this intruder. Instead of discarding the plate and ignoring it as mere contamination, Maria Miguel decided to investigate the reason behind that clear area. Her curiosity revealed that the mold had a surprising ability to inhibit the growth of Botrytis cinerea in its vicinity.

“Sometimes we look at something and think it’s a mistake. The truth is that within a failure, there can be something good,” shares the researcher. The emotion and enthusiasm of a researcher when realizing that what at first seemed like an obstacle, a negative result, can actually be an opportunity, is contagious. For Maria Miguel, this “error” transformed into a serendipitous discovery with enormous potential.

Maria Miguel, a researcher at the InPP’s Department of New Biopesticides, transformed an unexpected event into a groundbreaking discovery: a broad-spectrum biofungicide to combat gray mold in tomato plants.

Beyond chance: The active ingredients of scientific discovery

As the story of this biofungicide demonstrates, the world of science is full of examples of discoveries that arose from the unexpected. One of the most famous cases is the discovery of penicillin by Alexander Fleming in 1928. While observing Petri dishes, Fleming noticed that a mold was producing a substance that eliminated Staphylococcus aureus bacteria around it. He identified the mold as Penicillium notatum and named his revolutionary antibiotic penicillin. Penicillin ended up becoming an extremely important drug for fighting infections.

However, chance is not the only protagonist of these important revelations. “Sometimes we have to follow our intuition and be able to prove that we are right or wrong,” explains Maria Miguel. In addition to intuition, a generous dose of curiosity, an open mind to accept unexpected results, a solid scientific knowledge, and the ability to see and advance to further investigations on surprising results play a crucial role in the alchemy of discovery.

The ecosystem of discovery: Fostering an environment conducive to innovation

There are other ingredients that contribute to the recipe for scientific success:

  • Creativity: The ability to generate new perspectives, concepts, questions, or solutions, and the willingness to explore existing ideas under a new light.
  • Flexibility: The courage to venture into unknown territories without fear of failure, thus increasing the odds of serendipitous encounters.

But no discovery flourishes in isolation. At InPP, the strong team spirit and culture of collaboration transcend departmental boundaries. Maria Miguel’s discovery is a testament to this synergy, as she herself acknowledges: “My colleagues opened doors so that I could do my research.”

To foster innovation, organizations need to cultivate an environment that stimulates open discussions and connects people from diverse areas of knowledge and life experiences, without judgment; that encourages curiosity and receptiveness to new experiences; and that promotes a relentless pursuit of improving scientific knowledge, the fertile ground where serendipity can germinate.

Sowing the future: The impact of a discovery and the path of research

Although Maria Miguel is about to embark on a new journey, driven by a prestigious Marie Skłodowska-Curie doctoral fellowship – a program that supports the career of researchers and promotes excellence and innovation in research – her legacy at InPP is already flourishing. Her innovative discovery is opening new and promising doors for future research in the area of crop protection, demonstrating how, at times, it is in the unexpected that the potential to transform our world lies.

Para além da estratégia: O ingrediente secreto da inovação

No caminho para o sucesso, as organizações definem estratégias, planeiam cada passo e investem em recursos cruciais como a venda de serviços e produtos, a candidatura a projetos, a elaboração de planos de negócios sólidos e a proteção da propriedade intelectual. No entanto, há um elemento muitas vezes negligenciado, mas fundamental para o florescimento da inovação: a serendipidade. Mas o que é exatamente esta força misteriosa e por que razão é tão vital para o avanço da agricultura e de tantas outras áreas?

Quando o acaso abre portas: O poder da descoberta não planeada

A serendipidade reside na arte de encontrar algo valioso quando se procura outra coisa. São as descobertas não intencionais que surgem de situações inesperadas. Ao longo da história, algumas das inovações mais transformadoras não foram fruto de um plano rigoroso, mas sim de um encontro fortuito com o desconhecido. Embora a investigação deliberada e a experimentação metódica sejam pilares do progresso científico e tecnológico, a abertura ao inesperado revela-se um catalisador poderoso. Quando os investigadores cultivam esta abertura, muitas vezes deparam-se com/tropeçam em revelações que têm o potencial de revolucionar indústrias inteiras, transformar tecnologias e expandir a nossa compreensão do mundo que nos rodeia.

Um olhar atento ao “erro”: A génese de um biofungicida inovador

Hoje, desvendamos a surpreendente e inspiradora história de Maria Miguel, uma investigadora talentosa do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, cuja perspicácia transformou um acontecimento fortuito numa descoberta de valor inestimável: um biofungicida de largo espectro capaz de combater o Botrytis cinerea, o fungo implacável responsável pela devastadora doença da podridão cinzenta nos tomateiros. Esta patologia representa um dos maiores desafios fitossanitários na cultura do tomate, especialmente quando cultivada em estufa, causando prejuízos significativos aos produtores se não for controlada atempadamente.

Do descarte à descoberta: A perspicácia de uma investigadora

A jornada desta descoberta começou num cenário familiar para qualquer investigador: a observação de placas de Petri, usados para cultivar culturas de células ou microrganismos. Nas placas de Maria Miguel, colónias do fungo Botrytis cinerea cresciam, ali introduzidas intencionalmente para estudo. Contudo, algo mais chamou a sua atenção: uma das placas estava contaminada por um bolor, e curiosamente, uma zona límpida rodeava este intruso. Em vez de descartar a placa e ignorar como uma mera contaminação, Maria Miguel decidiu investigar a razão por detrás daquela área clara. A sua curiosidade revelou que o bolor possuía uma capacidade surpreendente de impedir o crescimento do Botrytis cinerea nas suas proximidades.

“Às vezes olhamos para algo e pensamos que é um erro. A verdade é que num falhanço pode haver algo bom”, partilha a investigadora. A emoção e o entusiasmo de um investigador ao perceber que aquilo que à primeira vista parecia um obstáculo, um resultado negativo, pode, na verdade, ser uma oportunidade, é contagiante. Para Maria Miguel, este “erro” transformou-se numa descoberta serendipitosa com um potencial enorme.

Maria Miguel, investigadora do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, que transformou um acontecimento inesperado numa descoberta que mudou o rumo do seu trabalho: um biofungicida de largo espectro para combater a podridão cinzenta nos tomateiros.

Para além do acaso: Os ingredientes ativos da descoberta científica

Tal como a história deste biofungicida demonstra, o mundo da ciência está repleto de exemplos de descobertas que surgiram do inesperado. Um dos casos mais célebres é a descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928. Ao observar placas de Petri, Fleming notou que um bolor estava a produzir uma substância que eliminava as bactérias Staphylococcus aureus ao seu redor. Identificou o bolor como Penicillium notatum e batizou o seu revolucionário antibiótico de penicilina. A penicilina acabou por se tornar um medicamento extremamente importante para combater infeções.

No entanto, o acaso não é o único protagonista destas revelações importantes. “Às vezes temos de seguir a nossa intuição e sermos capazes de provar que estamos certos ou errados”, elucida Maria Miguel. Para além da intuição, uma dose generosa de curiosidade, a mente aberta para aceitar resultados inesperados, um conhecimento científico sólido e a capacidade de ver e avançar para investigações adicionais sobre resultados surpreendentes desempenham um papel crucial na alquimia da descoberta.

O ecossistema da descoberta: Fomentando um ambiente propício à inovação

Existem outros ingredientes que contribuem para a receita do sucesso científico:

  • Criatividade: A capacidade de gerar novas perspetivas, conceitos, questões ou soluções, e a vontade de explorar ideias já existentes sob uma nova luz.
  • Flexibilidade: A coragem para aventurar-se em territórios desconhecidos sem o receio do fracasso, aumentando assim as probabilidades de encontros serendipitosos.

Mas nenhuma descoberta floresce isoladamente. No InPP, o forte espírito de equipa e a cultura de colaboração transcendem os limites departamentais. O caso da descoberta de Maria Miguel é um testemunho desta sinergia, como ela própria reconhece: “Os meus colegas abriram portas para que eu pudesse fazer a minha investigação”.

Para fomentar a inovação, as organizações precisam de cultivar um ambiente que estimule discussões abertas e conecte pessoas de diversas áreas de conhecimento e experiências de vida, sem julgamentos; que encoraje a curiosidade e a recetividade a novas experiências; e que promova uma busca incessante por melhorar o conhecimento científico, o terreno fértil onde a serendipidade pode germinar.

Semear o futuro: O impacto de uma descoberta e o caminho da investigação

Embora Maria Miguel esteja prestes a embarcar numa nova jornada, impulsionada por uma prestigiada bolsa de doutoramento Marie Skłodowska-Curie – um programa que apoia a carreira de investigadores e promove a excelência e a inovação na investigação – o seu legado no InPP já está a florescer. A sua descoberta inovadora está a abrir novas e promissoras portas para futuras investigações na área da proteção de culturas, demonstrando como, por vezes, é no inesperado que reside o potencial para transformar o nosso mundo.

Na edição do mês de março da revista Frutas, legumes e flores vai poder encontrar o artigo de opinião intitulado “O papel do InnovPlantProtect na Agricultura Biológica: Caminhos para soluções sustentáveis e eficientes”, no qual o diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP), António Saraiva, revela como o nosso CoLAB está a contribuir para o êxito da agricultura biológica.

“Ao impulsionar a investigação, a colaboração e a partilha de conhecimento, o InPP ajuda na resolução dos desafios centrais desta prática [agricultura biológica], permitindo a sua expansão e valorização da oferta de produtos agrícolas aos consumidores. As soluções desenvolvidas pelo InPP tornam a agricultura biológica uma opção mais viável para os produtores”, sublinha o diretor executivo.

Leia o artigo completo e descubra como estamos a moldar o futuro da agricultura.

Agradecemos o reconhecimento da Revista Frutas, legumes e flores e reiteramos o nosso compromisso com a agricultura do futuro.

EVENTOS

O InnovPlantProtect (InPP) já tem uma câmara walk-in com controlo de temperatura, humidade e exposição à luz com fotoperíodo, para cultivar plantas no âmbito dos seus projetos.

O Departamento de Proteção de Culturas Específicas está a usar este novo equipamento desde 10 de maio, designadamente para cultivar trevo-da-pérsia e trigo, para os projetos PitSTOP, com a Fertiprado, e WhYRust, respetivamente.

A câmara climática walk-in permitirá a realização de experiências em condições controladas, em diferentes culturas, durante todo o ano. “Juntamente com a reforma da estufa, este ambiente de crescimento de plantas é muito importante para ampliar a nossa capacidade de resposta”, explica Paula Oblessuc, diretora daquele departamento.

“A câmara climática walk-in permite a realização de experiências em condições controladas durante todo o ano.

Ou seja, os investigadores do InPP poderão realizar experiências mais detalhadas e trabalhar num maior número de projetos em simultâneo, com uma câmara que “está a manter muito bem as condições estabelecidas”, sublinha Paula Oblessuc. O projeto PitSTOP visa identificar o(s) agente(s) patogénico(s) que está/ão a atacar os prados de trevo-da-pérsia da Fertiprado e propor uma solução de combate à(s) doença(s).

O WhYRust pretende combater a ferrugem amarela do trigo, em particular identificando genes de resistência no cereal, validando um sistema de alerta e desenvolvendo modelos de predição genómica para apoio ao melhoramento de precisão.

O Reitor da Universidade NOVA de Lisboa não sabe se o carinho especial que sente pelos agricultores advém da sua “costela alentejana” e da infância ligada à terra, mas sabe que os agricultores têm um papel crucial na construção de um mundo mais sustentável. Por isso, é com entusiasmo que João Sàágua fala do InnovPlantProtect, um laboratório colaborativo liderado pela NOVA, como um aliado da sustentabilidade na produção agrícola, criado para desenvolver soluções inovadoras para proteger as culturas de pragas e doenças.

Veja o vídeo no nosso canal no YouTube

Texto: Margarida Paredes/ InPP
Fotos e vídeo: Universidade NOVA de Lisboa


A Universidade NOVA de Lisboa (NOVA) é a instituição que mais se empenhou na criação do Laboratório Colaborativo (CoLab) InnovPlantProtect (InPP). Porque é que este projeto é tão importante para a NOVA?
Essencialmente por duas razões. Apesar de ter um ensino e uma investigação de excelência, a Universidade NOVA tem ainda muita margem de crescimento em termos de transferência de conhecimento ou, se quiser, de ligação à sociedade. Aliás, um dos pontos fortes da minha candidatura para Reitor da NOVA era o desejo de aumentar a ligação desta Universidade à sociedade, de uma maneira visível e concreta, e o InnovPlantProtect é um exemplo disso.

A outra razão prende-se com o próprio tema: a agricultura. A sustentabilidade da agricultura e o garante dessa sustentabilidade com base em conhecimento e em tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento do país, em particular, mas também para alcançar os tão importantes ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Digamos que o InPP representa bem a aposta da NOVA na agricultura sustentável. Devo acrescentar que também o entusiasmo com que o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, nos recebeu e apoiou o projeto desde o início redobrou a nossa vontade de realizar este projeto e de o fazer em Elvas.

Este CoLab é “a menina dos seus olhos”? Pergunto porque a NOVA, apesar de integrar onze Laboratórios Colaborativos, liderou apenas dois projetos, entre os quais este.
É verdade, lideramos dois CoLab – este e um outro na área da saúde – e participamos em mais nove, mas o InPP reúne, de facto, todas as condições para ser a “menina dos meus olhos”. Em primeiro lugar, por causa da área de atuação. Contribuir para tornar sustentável a dieta mediterrânica é, para nós, muito importante, porque sabemos que, com isso, estamos a apoiar também o desenvolvimento do país. Em segundo lugar, sendo filho de uma alentejana, considero crucial a contribuição deste projeto para a coesão territorial.

O InPP foi aprovado pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia com a nota máxima, após avaliação por uma equipa internacional, e o seu trabalho já está em curso. Neste momento, em que consiste o papel da NOVA neste projeto?
A nossa presença no InPP é permanente. É visível no Conselho de Administração, cuja presidência é assumida pela NOVA, e na Direção – o CEO, Professor Pedro Fevereiro, veio do ITQB NOVA, um Instituto da Universidade. Além disso, ao nível da investigação, temos projetos em conjunto e já submetidos para financiamento. Outro aspeto importante é a dupla filiação, o que permite, durante cinco anos, aos investigadores desta Universidade trabalharem também no CoLab.

“Penso que o impacto mais importante do InPP será a criação de valor económico e social.”


Sendo uma entidade que forma investigadores, e dado que este projeto foi liderado pela unidade de investigação GREEN-IT do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da NOVA, em cooperação com outras unidades de investigação da NOVA (CTS FCT NOVA, NOVA LINCS, FCT NOVA e MagiC NOVA IMS), existe algum vínculo entre a NOVA e o InPP em termos de contratação de recursos humanos altamente qualificados?
Existe uma colaboração estratégica e um intercâmbio entre investigadores dos dois lados e também uma colaboração intensa de vários professores da NOVA, dos diversos Centros de investigação que referiu, no InPP. Mas o InPP está a contratar o seu próprio corpo de investigadores, sólido e com elevado perfil internacional, que certamente trabalharão também em projetos que envolverão professores e investigadores da NOVA. Quero salientar que considero este aspeto: progressivamente, a comunidade de Elvas vai-se aumentando com pessoas que trabalham no InPP e que fazem a sua vida e têm a sua família em Elvas.

“Dada a natureza particular deste CoLab, a nossa expectativa é que o financiamento venha da sua capacidade de inovar e até de exportar inovação.”


Que desafios se colocam a um CoLab como o InPP, o único nesta área em Portugal?
Apontaria três desafios fundamentais, o primeiro dos quais é a sustentabilidade financeira. O CoLab tem um financiamento significativo da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, teve um forte apoio da autarquia de Elvas, que foi crucial no lançamento deste laboratório, e um apoio relevante dos vários associados. Mas terá de, em cinco anos, gerar riqueza suficiente para garantir a sua própria sustentabilidade financeira.

Dada a natureza particular deste CoLab, a nossa expectativa é que o financiamento venha da sua capacidade de inovar e até de exportar inovação. Se o InPP conseguir desenvolver produtos (como biopesticidas e plantas resistentes a pragas e doenças) e serviços (como previsão e monitorização de pragas e doenças, entre outros), com qualidade e importância suficientes, pode não só garantir a sua sustentabilidade através da venda desses produtos e serviços como também aumentar a capacidade exportadora de Portugal na área do conhecimento em agricultura sustentável.

Um outro desafio, que penso já estar ganho, é a atração de recursos humanos altamente qualificados. Não sendo Elvas uma grande metrópole, poderia ser difícil atrair para a cidade uma comunidade científica internacional e respetivas famílias, mas acabou por não ser.

“O InPP reúne, de facto, todas as condições para ser a ‘menina dos meus olhos’”.

Em termos de conhecimento fundamental, tem-se financiado muita ciência e avançado muito em tecnologias e ferramentas de base molecular, mas a aplicação ainda é residual. Acredita que o InPP vai reduzir esta lacuna?
Acredito que sim. Uma das formas de reduzir essa lacuna prende-se justamente com um dos grandes desafios dos Laboratórios Colaborativos, que é incrementar a atividade exportadora e a venda de produtos e serviços. Em boa hora o Governo lançou esta iniciativa, aspeto que é mais que justo referir.

Penso que o InPP começou bem nesse aspeto, ao ter como associados-fundadores duas empresas multinacionais – a Bayer e a Syngenta –, para as quais este projeto não é meramente comercial, envolve recursos e conhecimento. Por essa razão, a sua integração neste projeto teve de ser autorizada pelas respetivas empresas-mãe na Alemanha, o que revela o grande empenho destas multinacionais no InPP. Para além disso, contamos também com um impressionante conjunto de agricultores da região, que são nesta área as verdadeiras forças vivas do território, e que estão representados nos Órgãos Sociais do InPP através das suas associações.

O InPP trabalha na proteção de culturas mediterrânicas, mas as empresas multinacionais investem mais em milho, colza, algodão e soja, porque são as culturas que se vendem mais no mundo. Não teme a falta de investimento por parte das empresas?
Sinceramente, não. As culturas mediterrânicas são um nicho cada vez mais valorizado, desde logo o azeite, cuja procura está a aumentar significativamente, mas também a fruta, os legumes e os cereais. A dieta mediterrânica afirma-se como uma dieta saudável, criou para si própria uma importância cimeira graças à preocupação generalizada da população com a alimentação, aos problemas da obesidade e da má nutrição, o que resulta muito do conhecimento da ligação que existe entre alimentação, saúde e bem-estar. Não tenho dúvida nenhuma de que os produtos da dieta mediterrânica vão estar em franca expansão na Europa, nos Estados Unidos e em outros territórios. De novo: boa oportunidade de exportação.

“As culturas mediterrânicas são um nicho cada vez mais valorizado, desde logo o azeite, cuja procura está a aumentar significativamente, mas também a fruta, os legumes e os cereais.”


A legislação atual da União Europeia não favorece o uso das Novas Técnicas Genómicas nas culturas mediterrânicas. Se a UE não estiver preparada para aceitar soluções inovadoras, como as que o InPP está a tentar desenvolver, por exemplo plantas resistentes a pragas e doenças, qual será a alternativa?
Essa é uma das linhas de atividade do InPP, mas não é a única. A União Europeia ainda não tomou uma posição definitiva sobre essa matéria, mas, se a parte de melhoramento especificamente associado às plantas confrontar-se com as dificuldades que referiu, a alternativa é escoar os produtos em muitos outros mercados possíveis fora da UE. Acresce que as técnicas genómicas não são todas iguais, nem respondem todas às mesmas motivações; no caso do InPP, a sustentabilidade e o respeito pelo ambiente são, também aqui, o lema. Em todo o caso, como disse, temos outras linhas de atividade, “os ovos não estão todos nesse cesto”.

Qual vai ser, na sua opinião, o impacto mais importante do InPP?
Penso que será a criação de valor económico e social. O InnovPlantProtect terá um impacto muito importante em Elvas, porque estando a construir uma nova comunidade de investigadores nacionais e estrangeiros vai contribuir para a coesão e desenvolvimento territorial e para o tecido socioeconómico da cidade – ouvi dizer que já há dificuldade em encontrar casas para habitação vagas.

O segundo impacto será visível na atividade agrícola, na medida em que o InPP vai desenvolver produtos e serviços para proteção das culturas, e o terceiro será na exportação, uma vez que, disponibilizados esses produtos e serviços, serão colocados também em mercados externos.

“Dada a natureza particular deste CoLab, a nossa expectativa é que o financiamento venha da sua capacidade de inovar e até de exportar inovação.”

JOÃO SÀÁGUA

Reitor da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA) desde setembro de 2017, exerceu antes o cargo de Vice-Reitor da NOVA para as áreas Académica e Relações Internacionais (entre 2014 e 2017). É Doutor em Filosofia Contemporânea e Professor Catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da NOVA (FCSH/NOVA). Leciona na NOVA desde 1980, acumulando uma longa experiência como docente em todos os níveis de ensino: licenciatura, mestrado e doutoramento, em Portugal e no estrangeiro. Para além de uma atividade intensiva de ensino e investigação, exerceu diversos cargos de gestão, nomeadamente na FCSH/NOVA, onde foi Diretor (entre 2005 e 2013) e Presidente do Conselho Científico (entre 2009 e 2013).

Entrevista publicada em primeira mão pela Vida Rural, edição março 2021.

“Sinto-me bastante mais confortável a discutir estas questões hoje em Portugal do que há dez anos”, afirmou hoje, 26 de maio, o diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP). A questão em cima da mesa era: “São as novas técnicas genómicas (NTG) uma das ferramentas para atingir as metas da Estratégia do Prado ao Prato?”. Para Pedro Fevereiro, que falava numa das sessões do “workshop de soluções” intitulado “NTG – ferramenta sustentável para enfrentar as alterações climáticas”, organizado pelo Forum for the Future of Agriculture (FFA), existem três tipos de públicos no que toca à perceção sobre as NTG.

Uma parte da sociedade “associa estas tecnologias a um maior impacto na diversidade e nos ecossistemas, e reage quase emotivamente à aplicação das NTG”, defende Fevereiro. Depois, “existe algum público que tem dificuldade em entendê-las e associam-nas à perda da componente tradicional das suas produções.” Há ainda, no seu entender, um outro público, que, uma vez esclarecido sobre as novas técnicas de melhoramento de plantas “tende a comprender que não são mais do um processo natural, em que estamos a ajustar as culturas de que nos alimentamos às necessidades que temos como sociedade global”.

A sessão foi moderada por Cristina Nobre Soares e partilhada com o membro do Parlamento Europeu Álvaro Amaro, o agrónomo Manuel Chaveiro Soares, Rui Barreiras, da Associação Natureza Portugal/ WWF e o orador principal Andreas Weber, diretor do Instituto de Bioquímica Vegetal da[RF1]  Universidade Heinrich Heine, na Alemanha.

Pedro Fevereiro mostrou-se convicto de que “vamos conseguir desenvolver novas tecnologias, baseadas nos conhecimentos que estão a ser acumulados, e que vão possibilitar-nos responder de forma mais eficiente aos desafios que temos pela frente” – como o de alimentar a população e garantir que as produções suportam os impactos climáticos, já presentes nos territórios mediterrânicos.

Assista ao debate na íntegra.