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O diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP), António Saraiva, participou na conferência “Que desafios se colocam ao setor agroflorestal nacional para a próxima década?”, que decorreu na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) do Instituto Politécnico de Coimbra, na passada terça-feira, 22 de abril.

No evento, que reuniu mais de 150 participantes e foi organizado por 17 Centros de Competências nacionais, foram debatidos temas como inovação, sustentabilidade, conservação do solo, monitorização do montado e gestão eficiente da agropecuária.

António Saraiva integrou o painel de comentadores, que teve como orador Pedro Santos, Diretor-geral da CONSULAI, e moderação de Maria Custódia Correia, Coordenadora da Rede AKIS Portugal. A sessão de abertura contou com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, que anunciou a publicação da Portaria de 21 de abril para abertura da Bolsa de Iniciativas para a constituição de Grupos Operacionais (GO).

Esta iniciativa disponibiliza um total de 11 milhões de euros para os novos GO, com um máximo de 350 mil euros por projeto e financiamento elegível de 100%.

Os GO são considerados estruturas cruciais para a transferência de conhecimento e o fortalecimento do AKIS (Sistema de Conhecimento e Inovação na Agricultura).

Um agradecimento especial aos 17 Centros de Competências pela oportunidade de participar neste encontro produtivo!

Créditos de imagens: Rede Rural Nacional

Beyond strategy: The secret ingredient of innovation

On the path to success, organizations define strategies, plan each step, and invest in crucial resources such as the sale of services and products, project applications, the development of solid business plans, and the protection of intellectual property. However, there is an often-neglected element that is fundamental to the flourishing of innovation: serendipity. But what exactly is this mysterious force, and why is it so vital to advancing agriculture and so many other areas?

When chance opens doors: The power of unplanned discovery

Serendipity lies in the art of finding something valuable when looking for something else. It’s the unintentional discoveries that arise from unexpected situations. Throughout history, some of the most transformative innovations have not been the result of a rigorous plan, but rather of a fortuitous encounter with the unknown. Although deliberate research and methodical experimentation are pillars of scientific and technological progress, openness to the unexpected proves to be a powerful catalyst. When researchers cultivate this openness, they often come across revelations that have the potential to revolutionize entire industries, transform technologies, and expand our understanding of the world around us.

A close look at the “error”: The genesis of an innovative biofungicide

Today, we unveil the surprising and inspiring story of Maria Miguel, a talented researcher from the InPP’s New Biopesticides Department, whose insight transformed a fortuitous event into a discovery of inestimable value: a broad-spectrum biofungicide capable of combating Botrytis cinerea, the relentless fungus responsible for the devastating gray mold disease in tomato plants. This pathology represents one of the greatest phytosanitary challenges in tomato cultivation, especially when grown in greenhouses, causing significant losses to producers if not controlled in a timely manner.

From discard to discovery: An investigator’s insight

The journey of this discovery began in a scenario familiar to any researcher: the observation of Petri dishes, used to grow cell or microorganism cultures. In Maria Miguel’s Petri dishes, colonies of the fungus Botrytis cinerea were growing, intentionally introduced there for study. However, something else caught her attention: one of the plates was contaminated by mold, and curiously, a clear zone surrounded this intruder. Instead of discarding the plate and ignoring it as mere contamination, Maria Miguel decided to investigate the reason behind that clear area. Her curiosity revealed that the mold had a surprising ability to inhibit the growth of Botrytis cinerea in its vicinity.

“Sometimes we look at something and think it’s a mistake. The truth is that within a failure, there can be something good,” shares the researcher. The emotion and enthusiasm of a researcher when realizing that what at first seemed like an obstacle, a negative result, can actually be an opportunity, is contagious. For Maria Miguel, this “error” transformed into a serendipitous discovery with enormous potential.

Maria Miguel, a researcher at the InPP’s Department of New Biopesticides, transformed an unexpected event into a groundbreaking discovery: a broad-spectrum biofungicide to combat gray mold in tomato plants.

Beyond chance: The active ingredients of scientific discovery

As the story of this biofungicide demonstrates, the world of science is full of examples of discoveries that arose from the unexpected. One of the most famous cases is the discovery of penicillin by Alexander Fleming in 1928. While observing Petri dishes, Fleming noticed that a mold was producing a substance that eliminated Staphylococcus aureus bacteria around it. He identified the mold as Penicillium notatum and named his revolutionary antibiotic penicillin. Penicillin ended up becoming an extremely important drug for fighting infections.

However, chance is not the only protagonist of these important revelations. “Sometimes we have to follow our intuition and be able to prove that we are right or wrong,” explains Maria Miguel. In addition to intuition, a generous dose of curiosity, an open mind to accept unexpected results, a solid scientific knowledge, and the ability to see and advance to further investigations on surprising results play a crucial role in the alchemy of discovery.

The ecosystem of discovery: Fostering an environment conducive to innovation

There are other ingredients that contribute to the recipe for scientific success:

  • Creativity: The ability to generate new perspectives, concepts, questions, or solutions, and the willingness to explore existing ideas under a new light.
  • Flexibility: The courage to venture into unknown territories without fear of failure, thus increasing the odds of serendipitous encounters.

But no discovery flourishes in isolation. At InPP, the strong team spirit and culture of collaboration transcend departmental boundaries. Maria Miguel’s discovery is a testament to this synergy, as she herself acknowledges: “My colleagues opened doors so that I could do my research.”

To foster innovation, organizations need to cultivate an environment that stimulates open discussions and connects people from diverse areas of knowledge and life experiences, without judgment; that encourages curiosity and receptiveness to new experiences; and that promotes a relentless pursuit of improving scientific knowledge, the fertile ground where serendipity can germinate.

Sowing the future: The impact of a discovery and the path of research

Although Maria Miguel is about to embark on a new journey, driven by a prestigious Marie Skłodowska-Curie doctoral fellowship – a program that supports the career of researchers and promotes excellence and innovation in research – her legacy at InPP is already flourishing. Her innovative discovery is opening new and promising doors for future research in the area of crop protection, demonstrating how, at times, it is in the unexpected that the potential to transform our world lies.

Para além da estratégia: O ingrediente secreto da inovação

No caminho para o sucesso, as organizações definem estratégias, planeiam cada passo e investem em recursos cruciais como a venda de serviços e produtos, a candidatura a projetos, a elaboração de planos de negócios sólidos e a proteção da propriedade intelectual. No entanto, há um elemento muitas vezes negligenciado, mas fundamental para o florescimento da inovação: a serendipidade. Mas o que é exatamente esta força misteriosa e por que razão é tão vital para o avanço da agricultura e de tantas outras áreas?

Quando o acaso abre portas: O poder da descoberta não planeada

A serendipidade reside na arte de encontrar algo valioso quando se procura outra coisa. São as descobertas não intencionais que surgem de situações inesperadas. Ao longo da história, algumas das inovações mais transformadoras não foram fruto de um plano rigoroso, mas sim de um encontro fortuito com o desconhecido. Embora a investigação deliberada e a experimentação metódica sejam pilares do progresso científico e tecnológico, a abertura ao inesperado revela-se um catalisador poderoso. Quando os investigadores cultivam esta abertura, muitas vezes deparam-se com/tropeçam em revelações que têm o potencial de revolucionar indústrias inteiras, transformar tecnologias e expandir a nossa compreensão do mundo que nos rodeia.

Um olhar atento ao “erro”: A génese de um biofungicida inovador

Hoje, desvendamos a surpreendente e inspiradora história de Maria Miguel, uma investigadora talentosa do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, cuja perspicácia transformou um acontecimento fortuito numa descoberta de valor inestimável: um biofungicida de largo espectro capaz de combater o Botrytis cinerea, o fungo implacável responsável pela devastadora doença da podridão cinzenta nos tomateiros. Esta patologia representa um dos maiores desafios fitossanitários na cultura do tomate, especialmente quando cultivada em estufa, causando prejuízos significativos aos produtores se não for controlada atempadamente.

Do descarte à descoberta: A perspicácia de uma investigadora

A jornada desta descoberta começou num cenário familiar para qualquer investigador: a observação de placas de Petri, usados para cultivar culturas de células ou microrganismos. Nas placas de Maria Miguel, colónias do fungo Botrytis cinerea cresciam, ali introduzidas intencionalmente para estudo. Contudo, algo mais chamou a sua atenção: uma das placas estava contaminada por um bolor, e curiosamente, uma zona límpida rodeava este intruso. Em vez de descartar a placa e ignorar como uma mera contaminação, Maria Miguel decidiu investigar a razão por detrás daquela área clara. A sua curiosidade revelou que o bolor possuía uma capacidade surpreendente de impedir o crescimento do Botrytis cinerea nas suas proximidades.

“Às vezes olhamos para algo e pensamos que é um erro. A verdade é que num falhanço pode haver algo bom”, partilha a investigadora. A emoção e o entusiasmo de um investigador ao perceber que aquilo que à primeira vista parecia um obstáculo, um resultado negativo, pode, na verdade, ser uma oportunidade, é contagiante. Para Maria Miguel, este “erro” transformou-se numa descoberta serendipitosa com um potencial enorme.

Maria Miguel, investigadora do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, que transformou um acontecimento inesperado numa descoberta que mudou o rumo do seu trabalho: um biofungicida de largo espectro para combater a podridão cinzenta nos tomateiros.

Para além do acaso: Os ingredientes ativos da descoberta científica

Tal como a história deste biofungicida demonstra, o mundo da ciência está repleto de exemplos de descobertas que surgiram do inesperado. Um dos casos mais célebres é a descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928. Ao observar placas de Petri, Fleming notou que um bolor estava a produzir uma substância que eliminava as bactérias Staphylococcus aureus ao seu redor. Identificou o bolor como Penicillium notatum e batizou o seu revolucionário antibiótico de penicilina. A penicilina acabou por se tornar um medicamento extremamente importante para combater infeções.

No entanto, o acaso não é o único protagonista destas revelações importantes. “Às vezes temos de seguir a nossa intuição e sermos capazes de provar que estamos certos ou errados”, elucida Maria Miguel. Para além da intuição, uma dose generosa de curiosidade, a mente aberta para aceitar resultados inesperados, um conhecimento científico sólido e a capacidade de ver e avançar para investigações adicionais sobre resultados surpreendentes desempenham um papel crucial na alquimia da descoberta.

O ecossistema da descoberta: Fomentando um ambiente propício à inovação

Existem outros ingredientes que contribuem para a receita do sucesso científico:

  • Criatividade: A capacidade de gerar novas perspetivas, conceitos, questões ou soluções, e a vontade de explorar ideias já existentes sob uma nova luz.
  • Flexibilidade: A coragem para aventurar-se em territórios desconhecidos sem o receio do fracasso, aumentando assim as probabilidades de encontros serendipitosos.

Mas nenhuma descoberta floresce isoladamente. No InPP, o forte espírito de equipa e a cultura de colaboração transcendem os limites departamentais. O caso da descoberta de Maria Miguel é um testemunho desta sinergia, como ela própria reconhece: “Os meus colegas abriram portas para que eu pudesse fazer a minha investigação”.

Para fomentar a inovação, as organizações precisam de cultivar um ambiente que estimule discussões abertas e conecte pessoas de diversas áreas de conhecimento e experiências de vida, sem julgamentos; que encoraje a curiosidade e a recetividade a novas experiências; e que promova uma busca incessante por melhorar o conhecimento científico, o terreno fértil onde a serendipidade pode germinar.

Semear o futuro: O impacto de uma descoberta e o caminho da investigação

Embora Maria Miguel esteja prestes a embarcar numa nova jornada, impulsionada por uma prestigiada bolsa de doutoramento Marie Skłodowska-Curie – um programa que apoia a carreira de investigadores e promove a excelência e a inovação na investigação – o seu legado no InPP já está a florescer. A sua descoberta inovadora está a abrir novas e promissoras portas para futuras investigações na área da proteção de culturas, demonstrando como, por vezes, é no inesperado que reside o potencial para transformar o nosso mundo.

EVENTOS

O Instituto Politécnico de Portalegre passou a fazer parte do corpo de associados do InnovPlantProtect (InPP), juntando-se assim aos 12 sócios fundadores: Câmara Municipal de Elvas, Universidade NOVA de Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-alimentar do Alentejo (CEBAL), Universidade de Évora, Syngenta Crop Protection, Bayer Crop Science, Fertiprado, Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP), Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis), Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC) e Casa do Arroz.

“A integração no laboratório colaborativo InnovPlantProtect constitui um passo determinante para a afirmação do Politécnico de Portalegre enquanto polo de investigação e atração de investimento para a região do Alentejo, capaz de impulsionar a criação de emprego qualificado e a densificação do Interior do país, reforçando a relevância desta região para o crescimento e desenvolvimento do setor agrícola português”, afirma Luís Loures, presidente do Instituto Politécnico de Portalegre (IPPortalegre).

Numa nota publicada no site do IPPortalegre pode ler-se que esta associação inclusão já era expectável, “considerando a crescente cooperação entre as duas entidades, em particular através da Escola Superior Agrária de Elvas – IPPortalegre”. O IPPortalegre espera agora contribuir para, entre outras mais-valias: aumentar as valências do CoLAB na área das ciências biológicas aplicadas, potenciando a participação em projetos de investigação com linhas de trabalho complementares; potenciar a realização de estágios e outras atividades práticas nas áreas de investigação do InnovPlantProtect por parte dos estudantes do Politécnico; aumentar e diversificar o número de parceiros do laboratório, com intervenção na área agrícola, potenciando assim a capacidade de penetração no tecido económico regional na sua área de atuação.

Com 15 polos espalhados pelo país e um pé em seis laboratórios colaborativos, o presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária vê no InnovPlantProtect, com sede no Polo de Elvas, um braço complementar que reforça a ligação do INIAV à indústria. O grande impacto do CoLAB? Chegará, garante Nuno Canada, quando conseguir colocar no mercado moléculas ou soluções de base biológica para a proteção de plantas e pós-colheita, que resolvam os problemas nacionais mas que possam ser comercializadas à escala global.

Veja o vídeo no nosso canal no YouTube

Texto: Eva Ceia/ InnovPlantProtect
Fotografia: Joaquim Miranda

Qual a importância do laboratório colaborativo InnovPlantProtect (InPP) para o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV)?

O INIAV é uma estrutura de âmbito nacional, que tem 15 polos, ao longo do país, com várias áreas científicas temáticas, e que desenvolve atividade nas áreas da agricultura e alimentação, das florestas e da biodiversidade, e também na área do desenvolvimento do território, em particular dos meios rurais. É a maior estrutura nacional de investigação nestas áreas. O INIAV posiciona-se na interface entre o sistema científico nacional e as empresas, as organizações da produção e o território.

Tem por isso um grande foco na dimensão da transferência de conhecimento e tecnologia. Nessa óptica, vê com muito interesse o aparecimento destes arranjos colaborativos, quer os centros de competências, quer os laboratórios colaborativos, e tem, desde a sua origem, apoiado a constituição destas estruturas. O INIAV apoiou a constituição de 22 centros de competências e de seis laboratórios colaborativos, uma vez que são estruturas que vão reforçar o ecossistema nacional de investigação e inovação, nesta componente de transferência de conhecimento e tecnologia.

Sendo a proteção de plantas uma das áreas centrais de atividade do INIAV, o InnovPlantProtect vem complementar a nossa atividade e reforçar esta componente de ligação às empresas. Daí o grande interesse que tivemos em apoiar e fazer parte deste laboratório colaborativo quando apareceu o programa Interface.

Porque é que o InPP foi instalado no Polo de Elvas do INIAV?

O Polo de Elvas é um dos 15 polos do INIAV. É um dos polos mais relevantes em termos nacionais e tem uma grande relevância regional; nesta área da inovação e da investigação, é a estrutura mais relevante daquela região. Tem uma atividade de forte ligação ao setor, às várias cadeias de valor – aos cereais, às leguminosas, às pastagens. Tem também já uma tradição, para além de trabalhar em estreita articulação com o setor, de criar arranjos colaborativos. Está sediado no Polo de Elvas o Centro Nacional de Competências para as Alterações Climáticas do Sector Agroflorestal, o CEREALTECH nos cereais, e o InPP veio aparecer como mais um complemento à atividade que já está a ser desenvolvida em Elvas.

Sendo um território de baixa densidade populacional e tendo os laboratórios colaborativos [CoLAB] como um dos objetivos centrais a contratação de pessoas altamente qualificadas, é também uma oportunidade de levar estas pessoas para aquela região; e, adicionalmente, houve um grande apoio da Câmara de Elvas em toda esta instalação.

Qual é, além disso, a importância do InPP para a região alentejana?

A importância tem aqui duas dimensões. O facto de estarmos a contratar mais recursos muito qualificados, que trazem as suas famílias para a região, vai criar a fixação de pessoas, direta e indireta, e riqueza na região, que é um aspeto central. A outra dimensão é que, embora a atividade deste CoLAB, sendo um laboratório de interface com a indústria farmacêutica, tenha um impacto global, ter uma atividade de relevância nacional e internacional a ser desenvolvida em Elvas também vai, em termos de notoriedade e de promoção daquela região, ser um aspeto relevante.

Indústria fitofarmacêutica essa que terá de fazer uma transição…

Embora a ideia central deste laboratório colaborativo seja desenvolver moléculas de base biológica para proteção de plantas e para pós-colheita, e outro tipo de soluções alternativas de base biológica, dada a parceria com estas empresas que fazem parte do CoLAB, são identificados os problemas nacionais mais relevantes neste domínio e o objetivo último é desenvolver soluções que interessem à agricultura nacional, mas que tenham capacidade de ser comercializadas à escala global. O mercado nacional é pequeno; estas soluções, por si só, não são sustentáveis se forem só vendidas no mercado nacional. É preciso pensar global e nacional de forma combinada.

Só faz sentido ter o laboratório colaborativo se houver uma estreita articulação com as empresas.

Como vê em concreto a participação das empresas no CoLAB? Acha que a estratégia seguida permite que o InPP desenvolva a sua atividade em conjunto com elas?

O programa Interface criou os CoLAB precisamente para serem estruturas de interface com as empresas – muito orientados para a indústria, em particular. Neste caso concreto do InPP, há dois parceiros âncora industriais, a Bayer e a Syngenta. Só faz sentido ter o laboratório colaborativo se houver uma estreita articulação com as empresas. Neste caso, além das empresas, há ainda organizações da produção, que é algo que a maior parte dos laboratórios colaborativos não tem.

Este conjunto permite um trabalho de estreita articulação entre parceiros âncora, o sistema científico e tecnológico nacional – como a NOVA, a Universidade de Évora [UÉvora], o INIAV – e estas empresas, para identificar quais são os problemas mais importantes para o país e, quando se concebem as soluções, tentar casá-las com a comercialização à escala global. Este é um dos fatores críticos de sucesso mais relevantes para a sustentabilidade deste laboratório colaborativo.

A sustentabilidade do CoLAB vai passar muito pela capacidade de colocar isto no terreno. A equipa do laboratório tem de ser capaz de passar a interagir de forma muito próxima com os departamentos de ID&I [Investigação, Desenvolvimento & Inovação] da Bayer e da Syngenta, para, neste domínio dos biopesticidas e das moléculas de base biológica para pós-colheita  e outro tipo de soluções que permitam reduzir o uso de fitofármacos, desenvolver as tais soluções complementares ao que esses departamentos de ID&I já estão a fazer. A um nível de TRL [Technology Readiness Levels] mais baixos, pré-competitivos, que depois possam evoluir já dentro das empresas para fases mais próximas do mercado.

Que outros fatores são críticos para o sucesso?

As estruturas do programa Interface têm três componentes de financiamento: o que é dado pelos apoios do Estado, muito para pagar recursos humanos; o desenvolvimento de ID&I à medida com empresas; e outra dimensão que são os projetos de investigação competitivos.

Os projetos de investigação competitivos que o CoLAB possa desenvolver para não estar a concorrer com os parceiros âncora deverão ser consórcios que os parceiros sozinhos tenham dificuldade em promover. Este é outro fator crítico de sucesso. Os laboratórios colaborativos de maior sucesso estão a conseguir fazê-lo e este também terá de conseguir, para ser sustentável. O facto de termos empresas e parceiros do sistema científico juntos, como este laboratório tem, permite ter uma ligação muito forte com as empresas e ter muita massa crítica.

Esta combinação é uma vantagem comparativa muito grande para concorrer, por exemplo, a projetos europeus, no âmbito do Horizonte 2020 e agora do Horizonte Europa. E também no âmbito de grandes projetos nacionais: programas mobilizadores, as agendas para a reindustrialização… Estes grandes consórcios são uma capacidade única que os laboratórios colaborativos podem ter e que ajuda a conferir sustentabilidade neste terceiro eixo da investigação competitiva.

Programas como o Plano de Recuperação e Resiliência…

O Plano de Recuperação e Resiliência, as agendas para a reindustrialização, que são pontuais… Mas do ponto de vista menos pontual, os projetos europeus no âmbito do Horizonte Europa vão ser uma oportunidade em que Portugal normalmente entra e em que os parceiros entram como parceiros ‘menores’; e os CoLAB, pela sua constituição, podem ter massa crítica para serem líderes de um consórcio europeu, ou para serem grandes parceiros num consórcio europeu.

É um fator diferenciador, onde os parceiros sozinhos têm dificuldades. A NOVA, a UÉvora, o INIAV, embora estejam em vários projetos europeus, têm mais dificuldade em liderar um projeto europeu, ou estar numa posição de força num projeto europeu, do que um CoLAB, pela grande massa crítica que pode ter e, sobretudo, pelo seu cariz mais empresarial.

Porque é que a equipa do CoLAB ainda não está a interagir de forma estreita com as empresas? O que falta?

Os laboratórios colaborativos permitem esse trabalho conjunto pré-competitivo de empresas, mas o foco é colocar produtos ou serviços no mercado, não é fazer investigação fundamental. E quem sabe aquilo que precisa de ser colocado no mercado são as empresas que vão fazê-lo. Esse trabalho entre os departamentos de ID&I das empresas e os CoLAB é muito importante porque, do lado da empresa, o interlocutor é muito importante; se for um interlocutor de uma área que não é da investigação, tem uma perceção e uma sensibilidade diferentes do que um interlocutor do departamento de I&I.

Há um caminho que já está a ser feito, mas há a necessidade de reforçar esta componente, eventualmente no posicionamento estratégico do CoLAB. Obviamente que, sendo empresas concorrentes, têm as suas reservas. Mas há TRL mais baixos, pré-competitivos, onde é possível ser muito mais eficiente trabalhando num modelo desta natureza.

E esse caminho…

Acho que este é um caminho que vai ter de ser feito; é incontornável para a sustentabilidade do CoLAB. Se o laboratório colaborativo fizer coisas que os parceiros já estão a fazer acaba por não ser sustentável e o volume de negócios é muito menor. Num desenvolvimento de investigação à medida para uma grande empresa, os montantes contratualizados são gigantes. Ou se falarmos de projetos do Horizonte Europa, os montantes são muito diferentes do que num projeto da FCT [Fundação para a Ciência e a Tecnologia] ou de um Programa Operacional regional.

Hoje o CoLAB está em fase de instalação mas, se pensarmos em daqui a cinco, dez anos, o objetivo é passar a ser autossustentável do ponto de vista económico-financeiro; ter capacidade de pagar a toda a equipa, de alargar a equipa, ter verbas para reinvestir…

A NOVA, a UÉvora, o INIAV, embora estejam em vários projetos europeus, têm mais dificuldade em liderar um projeto europeu, ou estar numa posição de força num projeto europeu, do que um CoLAB, pela grande massa crítica que pode ter e, sobretudo, pelo seu cariz mais empresarial.

Qual é o principal papel do INIAV no InPP?

O INIAV é a principal estrutura do país nesta área, uma vez que tem os laboratórios nacionais de referência para a proteção de plantas. Há uma rede europeia de laboratórios de referência, que são os laboratórios de primeira linha em cada área; a Comissão Europeia reconhece apenas um em cada estado-membro. Depois, trabalham em rede com os dos outros estados-membros, para garantir que a competência técnica, os equipamentos e sobretudo os resultados que saem de um laboratório destes em Portugal são exatamente iguais aos que saem na Alemanha, na Holanda ou noutro sítio qualquer.

O INIAV tem todos os laboratórios nacionais de referência para as doenças e pragas das plantas agrícolas e florestais. Também tem uma atividade muito relevante na investigação, quer seja na área mais laboratorial, quer seja usando ferramentas digitais para deteção mais precoce das doenças… E depois tem ainda mais duas áreas muito relevantes. Uma é o melhoramento genético, um dos fatores relevantes para Elvas; é a partir de Elvas que são coordenados todos os programas nacionais de melhoramento de plantas e a questão da resistência às doenças é um dos fatores. E depois a questão da susentabilidade: ter variedades de plantas que permitam o uso mais eficiente dos recursos e também exijam menos fitofármacos.

Sendo o INIAV a principal organização nacional a trabalhar nesta área, é muito importante para enquadrar o InPP no ecossistema e dar-lhe o spin certo, e ajudá-lo a ser de facto complementar àquilo que existe – é isso que torna o ecossistema mais forte, mais diverso, com maior capacidade de adaptação e, no fundo, com maior capacidade de resposta para os problemas que o país tem neste domínio. Problemas esses que estão muito relacionados com as alterações climáticas e a globalização. Estão a surgir cada vez mais doenças e pragas das plantas, existentes ou emergentes, em particular as doenças transmitidas por insetos, ou pragas causadas pelos próprios insetos.

Esta é uma área absolutamente central para a sustentabilidade das várias fileiras agrícolas do país. O INIAV pode ajudar neste enquadramento, nesta complementaridade e nesta integração do CoLAB no ecossistema e nas várias fileiras agrícolas com que o INIAV se relaciona.

Acha que o INIAV e o InPP têm conseguido colaborar bem?

Eu diria que é um processo de aprendizagem. Esta questão dos arranjos colaborativos é nova em Portugal. Eu estive pessoalmente envolvido na génese de todos os arranjos colaborativos, quer os laboratórios colaborativos, quer os centros de competência, nesta área. Em 2014, começámos a criar os primeiros centros de competência e agora, mais recentemente, os CoLAB. E quando se criaram os primeiros centros de competência, os investigadores e os interlocutores das empresas nem conseguiam falar a mesma língua.

Há um processo de aprendizagem conjunto, é um caminho que está a ser feito. E a boa vivência entre os vários parceiros do CoLAB, e a atividade e sustentabilidade do CoLAB passam muito pela capacidade precisamente de fazer coisas complementares às que os parceiros já fazem, explorando as complementaridades e sinergias.

O mainstream deste CoLAB é produzir moléculas de base biológica para proteção de plantas e pós-colheita, ou soluções que permitam reduzir drasticamente o uso de moléculas de síntese para estas áreas, que é algo que os parceiros individualmente não têm capacidade para fazer. Ainda há um caminho longo para fazer, que exige alguma aprendizagem, alguma reorganização de todos os envolvidos. Acredito que vamos lá chegar.

Que outros desafios se colocam ao InPP?

Os laboratórios colaborativos são estruturas de interface com as empresas, têm de estar orientados para o que possa ser colocado no mercado, em tempos que possam ser interessantes para as empresas.

Temos de assumir que existem limitações legais na Europa ao uso da genómica e, num contexto de inovação de grande proximidade com o mercado, tentar trabalhar nelas é perder adesão à realidade. Não é esse o posicionamento de um laboratório colaborativo. Eu não digo que uma universidade, que faz investigação fundamental, não continue a trabalhar nestas matérias, porque se calhar daqui a uns anos vão surgir soluções que certamente serão úteis. Mas, no caso concreto do CoLAB, acho que são limitações que podem demorar muito tempo a ser resolvidas e que, do ponto de vista da sustentabilidade, podem ser um passo que não é o mais adequado.

Em senso lato, a ideia de trabalhar no domínio da inovação num laboratório colaborativo é pegar em coisas que já estão mais maduras e transformá-las em soluções concretas, que possam ser colocadas no mercado no curto, médio prazo, mas que sejam desde logo apelativas para as empresas.

Qual será, na sua opinião, o impacto mais importante do InPP?

O InnovPlantProtect está a trabalhar numa área muito relevante para a sustentabilidade e portanto pode ter aí um grande impacto. O grande impacto vai ser quando o CoLAB conseguir pôr no mercado moléculas ou soluções de base biológica para a proteção de plantas e pós-colheita, que resolvam estes problemas graves que temos e que nos interessam muitíssimo neste caminho para termos uma produção de alimentos mais sustentável, mas que possam ser comercializadas à escala global. Somos um país pequeno; não é possível colocar uma nova molécula no mercado para ser vendida só em Portugal.

A área central de atividade deste CoLAB é fundamental para o país e para a Europa, não só atualmente, mas do ponto de vista prospetivo, uma vez que se prevê que cada vez existam mais problemas relacionados com a proteção das plantas e mais dificuldade em usar fitofármacos de síntese. Está também muito enquadrada nos dois grandes eixos da Europa para os próximos dez anos – uma Europa mais verde e uma Europa mais digital – e nos grandes objetivos do Green Deal e do Farm to Fork. O que é mais uma razão de motivação e garantia de que o laboratório tem pernas para andar.

Entrevista publicada em primeira mão pela Vida Rural, edição janeiro 2022.

Investigadoras do InPP assinalam o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência 2022 unindo-se no rio Guadiana e alertando: água é vida e milhares de milhões de pessoas nos países pobres ainda não têm acesso a água potável e saneamento.

“Neste ano, o tema do Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência (IDWGS, na sigla inglesa) é ‘Water Unites Us’. Neste dia, queremos dar voz a quem não a tem. Alertamo-vos para a falta de condições referentes à água nos países pobres. Em 2030, milhares de milhões de pessoas não terão acesso a condições sanitárias. Juntas, sejamos um agente de mudança!”, declaram as investigadoras do InnovPlantProtect (InPP), acrescentando: “Devíamos preocupar-nos com a água independentemente de ser um ano seco ou húmido. A água tem sido sinónimo de vida para este planeta desde a primeira hora. É por isto que a água nos une.”

O IDWGS é celebrado anualmente em todo o mundo a 11 de fevereiro. As investigadoras do InPP captaram esta fotografia à hora de almoço, a 10 de fevereiro de 2022, junto ao rio Guadiana, um dos maiores que atravessa Portugal. O InPP é uma associação privada sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de soluções bio-inspiradas para a proteção de culturas contra pragas e doenças. Tem sede em Elvas, uma cidade pequena no Interior de Portugal, muito próxima do rio Guadiana e da fronteira com Espanha.

O tema do IDWGS 2022 é “Equidade, Diversidade e Inclusão: A Água Une-nos”, em reconhecimento “do papel das mulheres e raparigas na ciência, não só como beneficiárias, mas também como agentes de mudança, incluindo com vista a acelerar o progresso na conquista do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (Água Potável e Saneamento)”. De acordo com a organização, “o 11 de fevereiro é celebrado globalmente de formas diferentes, grandes e pequenas”. Esperamos que a nossa humilde ação contribua para as vozes coletivas sobre a Igualdade em Ciência!

#IDWGS2022
#WaterUnitesUs
#February11
#TheInternationalDayOfWomenAndGirlsInScience