O diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP), António Saraiva, participou na conferência “Que desafios se colocam ao setor agroflorestal nacional para a próxima década?”, que decorreu na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) do Instituto Politécnico de Coimbra, na passada terça-feira, 22 de abril.
No evento, que reuniu mais de 150 participantes e foi organizado por 17 Centros de Competências nacionais, foram debatidos temas como inovação, sustentabilidade, conservação do solo, monitorização do montado e gestão eficiente da agropecuária.
António Saraiva integrou o painel de comentadores, que teve como orador Pedro Santos, Diretor-geral da CONSULAI, e moderação de Maria Custódia Correia, Coordenadora da Rede AKIS Portugal. A sessão de abertura contou com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, que anunciou a publicação da Portaria de 21 de abril para abertura da Bolsa de Iniciativas para a constituição de Grupos Operacionais (GO).
Esta iniciativa disponibiliza um total de 11 milhões de euros para os novos GO, com um máximo de 350 mil euros por projeto e financiamento elegível de 100%.
Os GO são considerados estruturas cruciais para a transferência de conhecimento e o fortalecimento do AKIS (Sistema de Conhecimento e Inovação na Agricultura).
Um agradecimento especial aos 17 Centros de Competências pela oportunidade de participar neste encontro produtivo!
Beyond strategy: The secret ingredient of innovation
On the path to success, organizations define strategies, plan each step, and invest in crucial resources such as the sale of services and products, project applications, the development of solid business plans, and the protection of intellectual property. However, there is an often-neglected element that is fundamental to the flourishing of innovation: serendipity. But what exactly is this mysterious force, and why is it so vital to advancing agriculture and so many other areas?
When chance opens doors: The power of unplanned discovery
Serendipity lies in the art of finding something valuable when looking for something else. It’s the unintentional discoveries that arise from unexpected situations. Throughout history, some of the most transformative innovations have not been the result of a rigorous plan, but rather of a fortuitous encounter with the unknown. Although deliberate research and methodical experimentation are pillars of scientific and technological progress, openness to the unexpected proves to be a powerful catalyst. When researchers cultivate this openness, they often come across revelations that have the potential to revolutionize entire industries, transform technologies, and expand our understanding of the world around us.
A close look at the “error”: The genesis of an innovative biofungicide
Today, we unveil the surprising and inspiring story of Maria Miguel, a talented researcher from the InPP’s New Biopesticides Department, whose insight transformed a fortuitous event into a discovery of inestimable value: a broad-spectrum biofungicide capable of combating Botrytis cinerea, the relentless fungus responsible for the devastating gray mold disease in tomato plants. This pathology represents one of the greatest phytosanitary challenges in tomato cultivation, especially when grown in greenhouses, causing significant losses to producers if not controlled in a timely manner.
From discard to discovery: An investigator’s insight
The journey of this discovery began in a scenario familiar to any researcher: the observation of Petri dishes, used to grow cell or microorganism cultures. In Maria Miguel’s Petri dishes, colonies of the fungus Botrytis cinerea were growing, intentionally introduced there for study. However, something else caught her attention: one of the plates was contaminated by mold, and curiously, a clear zone surrounded this intruder. Instead of discarding the plate and ignoring it as mere contamination, Maria Miguel decided to investigate the reason behind that clear area. Her curiosity revealed that the mold had a surprising ability to inhibit the growth of Botrytis cinerea in its vicinity.
“Sometimes we look at something and think it’s a mistake. The truth is that within a failure, there can be something good,” shares the researcher. The emotion and enthusiasm of a researcher when realizing that what at first seemed like an obstacle, a negative result, can actually be an opportunity, is contagious. For Maria Miguel, this “error” transformed into a serendipitous discovery with enormous potential.
Maria Miguel, a researcher at the InPP’s Department of New Biopesticides, transformed an unexpected event into a groundbreaking discovery: a broad-spectrum biofungicide to combat gray mold in tomato plants.
Beyond chance: The active ingredients of scientific discovery
As the story of this biofungicide demonstrates, the world of science is full of examples of discoveries that arose from the unexpected. One of the most famous cases is the discovery of penicillin by Alexander Fleming in 1928. While observing Petri dishes, Fleming noticed that a mold was producing a substance that eliminated Staphylococcus aureus bacteria around it. He identified the mold as Penicillium notatum and named his revolutionary antibiotic penicillin. Penicillin ended up becoming an extremely important drug for fighting infections.
However, chance is not the only protagonist of these important revelations. “Sometimes we have to follow our intuition and be able to prove that we are right or wrong,” explains Maria Miguel. In addition to intuition, a generous dose of curiosity, an open mind to accept unexpected results, a solid scientific knowledge, and the ability to see and advance to further investigations on surprising results play a crucial role in the alchemy of discovery.
The ecosystem of discovery: Fostering an environment conducive to innovation
There are other ingredients that contribute to the recipe for scientific success:
Creativity: The ability to generate new perspectives, concepts, questions, or solutions, and the willingness to explore existing ideas under a new light.
Flexibility: The courage to venture into unknown territories without fear of failure, thus increasing the odds of serendipitous encounters.
But no discovery flourishes in isolation. At InPP, the strong team spirit and culture of collaboration transcend departmental boundaries. Maria Miguel’s discovery is a testament to this synergy, as she herself acknowledges: “My colleagues opened doors so that I could do my research.”
To foster innovation, organizations need to cultivate an environment that stimulates open discussions and connects people from diverse areas of knowledge and life experiences, without judgment; that encourages curiosity and receptiveness to new experiences; and that promotes a relentless pursuit of improving scientific knowledge, the fertile ground where serendipity can germinate.
Sowing the future: The impact of a discovery and the path of research
Although Maria Miguel is about to embark on a new journey, driven by a prestigious Marie Skłodowska-Curie doctoral fellowship – a program that supports the career of researchers and promotes excellence and innovation in research – her legacy at InPP is already flourishing. Her innovative discovery is opening new and promising doors for future research in the area of crop protection, demonstrating how, at times, it is in the unexpected that the potential to transform our world lies.
Para além da estratégia: O ingrediente secreto da inovação
No caminho para o sucesso, as organizações definem estratégias, planeiam cada passo e investem em recursos cruciais como a venda de serviços e produtos, a candidatura a projetos, a elaboração de planos de negócios sólidos e a proteção da propriedade intelectual. No entanto, há um elemento muitas vezes negligenciado, mas fundamental para o florescimento da inovação: a serendipidade. Mas o que é exatamente esta força misteriosa e por que razão é tão vital para o avanço da agricultura e de tantas outras áreas?
Quando o acaso abre portas: O poder da descoberta não planeada
A serendipidade reside na arte de encontrar algo valioso quando se procura outra coisa. São as descobertas não intencionais que surgem de situações inesperadas. Ao longo da história, algumas das inovações mais transformadoras não foram fruto de um plano rigoroso, mas sim de um encontro fortuito com o desconhecido. Embora a investigação deliberada e a experimentação metódica sejam pilares do progresso científico e tecnológico, a abertura ao inesperado revela-se um catalisador poderoso. Quando os investigadores cultivam esta abertura, muitas vezes deparam-se com/tropeçam em revelações que têm o potencial de revolucionar indústrias inteiras, transformar tecnologias e expandir a nossa compreensão do mundo que nos rodeia.
Um olhar atento ao “erro”: A génese de um biofungicida inovador
Hoje, desvendamos a surpreendente e inspiradora história de Maria Miguel, uma investigadora talentosa do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, cuja perspicácia transformou um acontecimento fortuito numa descoberta de valor inestimável: um biofungicida de largo espectro capaz de combater o Botrytis cinerea, o fungo implacável responsável pela devastadora doença da podridão cinzenta nos tomateiros. Esta patologia representa um dos maiores desafios fitossanitários na cultura do tomate, especialmente quando cultivada em estufa, causando prejuízos significativos aos produtores se não for controlada atempadamente.
Do descarte à descoberta: A perspicácia de uma investigadora
A jornada desta descoberta começou num cenário familiar para qualquer investigador: a observação de placas de Petri, usados para cultivar culturas de células ou microrganismos. Nas placas de Maria Miguel, colónias do fungo Botrytis cinerea cresciam, ali introduzidas intencionalmente para estudo. Contudo, algo mais chamou a sua atenção: uma das placas estava contaminada por um bolor, e curiosamente, uma zona límpida rodeava este intruso. Em vez de descartar a placa e ignorar como uma mera contaminação, Maria Miguel decidiu investigar a razão por detrás daquela área clara. A sua curiosidade revelou que o bolor possuía uma capacidade surpreendente de impedir o crescimento do Botrytis cinerea nas suas proximidades.
“Às vezes olhamos para algo e pensamos que é um erro. A verdade é que num falhanço pode haver algo bom”, partilha a investigadora. A emoção e o entusiasmo de um investigador ao perceber que aquilo que à primeira vista parecia um obstáculo, um resultado negativo, pode, na verdade, ser uma oportunidade, é contagiante. Para Maria Miguel, este “erro” transformou-se numa descoberta serendipitosa com um potencial enorme.
Maria Miguel, investigadora do Departamento de Novos Biopesticidas do InPP, que transformou um acontecimento inesperado numa descoberta que mudou o rumo do seu trabalho: um biofungicida de largo espectro para combater a podridão cinzenta nos tomateiros.
Para além do acaso: Os ingredientes ativos da descoberta científica
Tal como a história deste biofungicida demonstra, o mundo da ciência está repleto de exemplos de descobertas que surgiram do inesperado. Um dos casos mais célebres é a descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928. Ao observar placas de Petri, Fleming notou que um bolor estava a produzir uma substância que eliminava as bactérias Staphylococcus aureus ao seu redor. Identificou o bolor como Penicillium notatum e batizou o seu revolucionário antibiótico de penicilina. A penicilina acabou por se tornar um medicamento extremamente importante para combater infeções.
No entanto, o acaso não é o único protagonista destas revelações importantes. “Às vezes temos de seguir a nossa intuição e sermos capazes de provar que estamos certos ou errados”, elucida Maria Miguel. Para além da intuição, uma dose generosa de curiosidade, a mente aberta para aceitar resultados inesperados, um conhecimento científico sólido e a capacidade de ver e avançar para investigações adicionais sobre resultados surpreendentes desempenham um papel crucial na alquimia da descoberta.
O ecossistema da descoberta: Fomentando um ambiente propício à inovação
Existem outros ingredientes que contribuem para a receita do sucesso científico:
Criatividade: A capacidade de gerar novas perspetivas, conceitos, questões ou soluções, e a vontade de explorar ideias já existentes sob uma nova luz.
Flexibilidade: A coragem para aventurar-se em territórios desconhecidos sem o receio do fracasso, aumentando assim as probabilidades de encontros serendipitosos.
Mas nenhuma descoberta floresce isoladamente. No InPP, o forte espírito de equipa e a cultura de colaboração transcendem os limites departamentais. O caso da descoberta de Maria Miguel é um testemunho desta sinergia, como ela própria reconhece: “Os meus colegas abriram portas para que eu pudesse fazer a minha investigação”.
Para fomentar a inovação, as organizações precisam de cultivar um ambiente que estimule discussões abertas e conecte pessoas de diversas áreas de conhecimento e experiências de vida, sem julgamentos; que encoraje a curiosidade e a recetividade a novas experiências; e que promova uma busca incessante por melhorar o conhecimento científico, o terreno fértil onde a serendipidade pode germinar.
Semear o futuro: O impacto de uma descoberta e o caminho da investigação
Embora Maria Miguel esteja prestes a embarcar numa nova jornada, impulsionada por uma prestigiada bolsa de doutoramento Marie Skłodowska-Curie – um programa que apoia a carreira de investigadores e promove a excelência e a inovação na investigação – o seu legado no InPP já está a florescer. A sua descoberta inovadora está a abrir novas e promissoras portas para futuras investigações na área da proteção de culturas, demonstrando como, por vezes, é no inesperado que reside o potencial para transformar o nosso mundo.
“O InnovPlantProtect (InPP) utiliza os mais modernos conhecimentos biológicos e digitais para, em colaboração com os produtores, as empresas de fitofármacos e de sementes, instituições de investigação e o poder local, resolver os problemas colocados à agricultura mediterrânica pelas alterações climáticas, pela redução da disponibilidade de princípios ativos para a proteção das culturas e pelo aparecimento de novas pragas e doenças, para as quais não existem soluções de prevenção e combate”, sublinha Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, à Revista Voz do Campo.
O InPP é destaque na edição de fevereiro da revista Voz do Campo e na sua edição online, com um artigo de opinião intitulado “InnovPlantProtect: 5 anos de um Laboratório Colaborativo para a proteção das culturas mediterrânicas”, que conta com uma “radiografia” dos 5 anos de existência do laboratório colaborativo (CoLAB) realizada pelo diretor executivo do InPP.
E no que ao futuro diz respeito, Pedro Fevereiro, deixa algumas pistas: “Continuaremos a apostar no desenvolvimento de inovação para a proteção das culturas com recurso a compostos biológicos ou organismos vivos de diferentes fontes e tipos, numa ótica de economia circular e de sustentabilidade, valorizando os produtos através da sua proteção industrial e posterior venda”.
Leia o artigo na íntegra no ficheiro disponível abaixo.
Esta quarta-feira, dia 7 de fevereiro, tivemos o prazer de receber, nas instalações do InnovPlantProtect (InPP), a visita de uma comitiva de membros da Embaixada de Angola Portugal, que veio acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida.
Durante a visita, a embaixadora da República de Angola, Maria de Jesus Ferreira, bem como o 1° secretário Analberto Guilherme e 3ª secretária Maria da Conceição Pimenta, tiveram a oportunidade de conhecer o laboratório colaborativo (CoLAB), os laboratórios e descobrir um pouco mais sobre o trabalho e as diferentes áreas de atuação que estão a ser exploradas pelos cinco departamentos do CoLAB.
Esta foi uma ótima oportunidade para identificar e debater futuras oportunidades para novas parcerias, colaborações e projetos.
Um agradecimento à comitiva da embaixada de Angola pela visita.
O InnovPlantProtect (InPP) comemorou o seu quinto aniversário esta quarta-feira, dia 24 de janeiro, a partir das 14h, no edifício do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) – Polo de Elvas, em Elvas, com a presença de 120 convidados. O evento comemorativo, que juntou os associados do InPP, diferentes representantes do ecossistema da inovação, representantes de outros laboratórios colaborativos (CoLAB) da área agroalimentar, associações de produtores, agricultores e decisores políticos, teve como objetivo fazer balanços dos 5 anos de atividade do CoLAB e explorar perspetivas para o futuro.
A tarde iniciou com a sessão de abertura que contou com a participação de Margarida Oliveira, presidente do Conselho de Administração do InPP, que alertou para a necessidade de soluções de proteções de culturas mais sustentáveis do que as atuais, reduzindo os impactos negativos na segurança dos alimentos e nos agrossistemas, acrescentando ainda que os novos mercados de exportação têm processos de certificação mais apertados, nos quais existe um maior controlo, e, por isso, as novas soluções devem privilegiar as culturas que se podem desenvolver na região, isto é, as culturas mediterrânicas.
O InPP, uma iniciativa da Universidade Nova de Lisboa (UNL) liderada pelo centro de investigação Green-it do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (em Oeiras), em cooperação com outras unidades científicas da UNL, “é um dos 41 CoLAB aprovados que constitutem a rede de CoLAB existente em Portugal, e um dos 7 que está sedeado em regiões de baixa densidade populacional e o único cuja área de atuação é a proteção de culturas agrícolas”, evidenciou a Presidente do Conselho de Administração.
Os 14 associados que compõem atualmente o CoLAB estiveram também em destaque. Aos 12 associados que componham o InPP, como o Município de Elvas, universidades, centros de I&D, empresas agrícolas e associações de produtores, juntaram-se no ano de 2023 o Instituto Politécnico de Portalegre e a Lusosem. “No entanto, pretendemos aumentar este número e incluir todas as instituições de ensino e investigação do Alentejo e também aumentar o número de empresas agrícolas associadas”, revelou Margarida Oliveira.
Os primeiros cinco anos do CoLAB foram o “montar as condições, arrancar com o projeto, começar a mostrar resultados (…) e demonstrar credibilidade na área. Isto é extremamente importante para se poder avançar para a próxima fase porque não é possível ganhar projetos competitivos com uma equipa que não é reconhecida como tendo qualidade”, esclareceu.
Segundo a presidente do Conselho de Administração, para a fase seguinte “é necessário arranjar quem vá promover os produtos que estão a sair do trabalho da equipa do InPP e quem vá obter contratos que permitam assegurar a viabilidade do InPP, quando os fundos públicos reduzirem” devido à chegada da maturidade da instituição.
Atualmente, o InPP desenvolve soluções inovadoras bioinspiradas e digitais para proteger as culturas, desenvolve serviços de acordo com as necessidades dos utilizadores, promove uma agricultura mais sustentável, adaptável às mudanças climáticas e solidária com o meio ambiente e assume as diretivas de transição ambiental, climática e digital da União Europeia.
Margarida Oliveira terminou a sua intervenção chamando a atenção de que “manter um CoLAB como o InPP é algo crítico para o país e em que temos, não só, necessidade mas o dever de apostar”.
A secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, começou o seu discurso recordando a rede de laboratórios colaborativos, inicialmente desenhada por Manuel Reitor, Ex-ministro de ciência, tecnologia e ensino superior de Portugal, que priorizou as regiões do interior como locais para instalar os CoLABs.
“Os laboratórios colaborativos são ainda muito jovens, mas hoje podemos orgulhar-nos de ter uma rede de CoLAB espalhada por todo o país (…) e também em diferentes temáticas (…) que resultam daquilo que é mais importante para o território onde se localizam. No caso do InPP (…) é, sem dúvida, hoje um motor essencial para o desenvolvimento da região do Alentejo (…) que faz a interface entre a Academia e o tecido sócio-económico/ produtivo, as empresas”, destacou a secretária de Estado.
Isabel Ferreira parabenizou o trabalho realizado por toda a equipa que compõe o InPP, “desde logo em temáticas tão relevantes para aquela que é a estratégia do país para 2030 (…), alinhada com o contexto europeu e que tem uma enorme importância para as diretivas de transição ambiental, climática e digital” da União Europeia.
O contributo “evidente” do InPP para mitigar o impacto das alterações climáticas nas culturas foi também sublinhado pela secretária de Estado, “que sabemos que hoje [as culturas] enfrentam tão importantes desafios que exigem uma investigação cada vez mais focada e uma resposta cada vez mais rápida, e só trabalhando em rede, em parceria, é que isso se consegue.”
Quando questionada acerca da facilidade de captar recursos humanos altamente qualificados para os territórios do interior, nomeadamente para Elvas, a resposta da secretária de Estado não deixa margem para dúvidas: “Nunca terão dificuldades porque o projeto é aliciante, o emprego que estão a oferecer é um emprego altamente qualificado motivador e, portanto, as pessoas vêm e ficam. E isto é uma arma poderosíssima para a coesão territorial e para o desenvolvimento do interior”.
Isabel Ferreira terminou a sua intervenção dizendo que tem sido um “verdadeiro privilégio” assistir ao crescimento dos CoLAB, que têm passado por um processo com diferentes etapas, desde a assinatura, recuperação de instalações e a obtenção de equipamentos e tecnologias de última geração, e que tem culminado com a evolução destas estruturas com “competência e qualidade”.
Pelas 15h15, teve lugar a sessão “Que inovação se produz no InPP?”, na qual os cinco diretores de departamento Cristina Azevedo, Sandra Correia, David Learmonth (três fotos acima, da esquerda para a direita), Ricardo Ramiro e iLaria Marengo (duas fotos abaixo, da esquerda para a direita), deram a conhecer as suas equipas e o trabalho que estas têm sido capazes de desenvolver, bem como as novas tecnologias, produtos e serviços que têm sido produzidos nas várias áreas de atuação do CoLAB.
“Queremos criar valor através da gestão de organismos vivos no campo do agricultor. É esta a finalidade do InPP”. Foram estas as palavras escolhidas pelo diretor executivo do InPP, Pedro Fevereiro, para dar o pontapé de saída na sessão de encerramento, que decorreu a partir das 16h.
O diretor executivo considera a marca InnovPlantProtect já uma referência reconhecida em todo o país, em particular no setor da agricultura e enfatizou as quatro patentes já produzidas pelo CoLAB para proteger as culturas contra várias doenças que as afetam a nível regional e nacional e os mais de 2 milhões de euros angariados em 8 projetos de inovação e desenvolvimento atualmente ativos, sendo um deles o primeiro projeto do CoLAB financiado pelo programa internacional Horizonte Europa.
Uma das últimas novidades do CoLAB – a app store do InPP, que está na fase final de desenvolvimento e ficará disponível para os agricultores em breve, esteve também em destaque. A app tem como objetivo permitir aos utilizadores aceder a seis aplicações que a equipa tem estado a desenvolver.
E quanto ao futuro? Pedro Fevereiro acredita que se o “bom ritmo” de produção de inovação e de criação de patentes se mantiver e se a capacidade de atrair contratos com empresas e com produtores que queiram ver resolvidos os seus problemas e que recorram ao InPP aumentar, o CoLAB conseguirá completar o 1/3 de financiamento proveniente de receitas próprias, que é exigido aos CoLAB.
Para o InPP, o diretor executivo almeja aumentar a interação com a rede regional, através de projetos e parcerias, participar na formação dos jovens dos vários níveis de escolaridade, estender a rede internacional, garantir a sustentabilidade orçamental e garantir os postos de trabalho.
Pedro Fevereiro agradeceu à Ministra da Coesão Territorial todo o apoio e o financiamento que o seu Ministério disponibilizou ao CoLAB sempre que surgiram dificuldades, ao Município de Elvas, à Universidade NOVA, ao INIAV, à Agência Nacional de Inovação (ANI), aos associados do InPP e aos recursos humanos que constituem a equipa do InPP.
“O InPP são as pessoas. (…) Tudo o resto é conversa. Se não tivermos estas pessoas connosco, não temos patentes, não temos InPP, não temos nada. É a eles que se deve isto”, concluiu.
A segunda intervenção da sessão de encerramento foi a de Hermenegildo Rodrigues, vereador da Câmara Municipal (CM) de Elvas, que esteve presente em representação de José Rondão Almeida, presidente da CM de Elvas, e que começou por sublinhar o trabalho desenvolvido pelo InPP nestes últimos cinco anos e identificar as “mais valias que aporta ao concelho, à região e ao mundo da ciência, e, simultaneamente, a sua proatividade com a comunidade agrícola e escolar, quer através de contratos e parcerias, protocolos que sensibilizaram consciências, alteraram hábitos e acrescentaram conhecimento”.
O vereador da CM de Elvas continuou a sua intervenção com o tópico da internacionalização do CoLAB, referindo que “é mérito de todos os profissionais que aqui exercem, pela forma como se integraram, dignificaram e interagiram com a sociedade elvense, e pelo trabalho desenvolvido, e por potenciarem a colaboração entre os vários atores”.
O apoio do Município ao InPP saiu reforçado nas palavras de Hermenegildo Rodrigues: “A nós, poder local, cabe-nos manter a porta aberta, a vossa porta. Estaremos, como sempre, disponíveis para caminhar lado a lado, na procura de soluções que viabilizem estratégias e objetivos. (…) De nós para vós, o nosso muito obrigado”, concluiu.
A sessão de encerramento prosseguiu com Gonçalo Rodrigues, Secretário de Estado da Agricultura, em representação da Ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, que destacou o papel das regiões do interior do país para a atividade agrícola.
“Este CoLAB é trazer ao interior, muitas vezes “ostracizado e esquecido” (nas palavras de Hérman José, citado pelo secretário de estado), mas que na verdade é o seio de tudo isto. É aqui que está a agricultura. O meio urbano, infelizmente, continua a criar um gap sobre aquilo que é o mundo rural. Mas nós temos também de trazer esta experiência, trazer a academia, trazer os cientistas, para sentirem a terra, para sentirem o interior, e depois de alguma maneira produzirem aquilo que são as ferramentas necessárias para o desenvolvimento desta atividade económica de base, (…) sem a qual não teríamos alimentos de qualidade e seguros na nossa prateleira”, relembrou o secretário de Estado da Agricultura.
Na sua intervenção, Gonçalo Rodrigues sublinhou a importância do InPP para tornar o setor agrícola mais sustentável, inovador e competitivo: “Esta é a mostra do que é que tem de ser um laboratório colaborativo. (…) Eu arriscava a dizer que poucos ou talvez muito poucos tiveram ou têm o sucesso que aqui encontramos no InPP. Também tem de servir de bandeira ao que bem se faz no nosso país e tentar transferir esta capacidade para outros, materializando-a no nosso setor. É isto que a nossa agricultura precisa”, rematou.
A sessão terminou com a intervenção da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que agradeceu o apoio que o Município e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo) têm dado ao InPP, e que segundo a ministra, espera que continue a ser dado a este projeto.
Para Ana Abrunhosa, “[o InPP] têm-nos ajudado muito a passar a ideia de que a investigação de qualidade pode e deve ser feita em qualquer lugar, desde que sejam asseguradas as condições essenciais”.
“É um projeto de referência, que faz investigação científica ao mais alto nível, capta talentos (…) de diferentes origens geográficas, alguns tiveram a oportunidade de regressar ao nosso país depois de terem mundo, através deste projeto. O que é muito importante nestes projetos é que eles garantem remunerações justas, com excelentes qualidades de trabalho. E se somarmos a tudo isto, este projeto estar localizado nesta bela cidade do interior, (…) a qualidade de vida é excecional”, sublinhou.
A ministra da Coesão Territorial continuou a sua intervenção reiterando o apoio do governo aos CoLABs, pois segundo ela “não há melhor aplicação para as verbas dos fundos europeus do que projetos como este”. O apoio governamental à rede de CoLAB teve início durante o ano de 2020, com o programa Portugal 2020, e estender-se-á até 2030, com o programa vigente, Portugal 2030.
“Nós passamos a vida a querer inventar a roda. Este é um exemplo [de um projeto, o InPP] que podemos dar e que gostaríamos muito de multiplicar pelo resto do nosso país e, sobretudo, é importante que quem tenha responsabilidades, o faça”, concluiu.
A partir das 16h45 os convidados juntaram-se para um beberete e para cantar os parabéns ao InPP com bolo de aniversário.
O balanço do evento comemorativo foi positivo, tendo sido capaz de atrair a comunidade elvense, representantes de diversas empresas e produtores agrícolas, e a comunidade académica.
Após cinco anos, o InPP promove a transferência de conhecimento, reforça a sua posição como um CoLAB capaz de fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços com uma forte componente tecnológica e de inovação, e fortalece o seu compromisso de impulsionar soluções que façam a diferença para enfrentar os vários desafios da proteção das culturas agrícolas.
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