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A cada ano, as doenças das culturas causam perdas devastadoras na produção agrícola, ameaçando a segurança alimentar e o sustento de milhões de agricultores. No coração do Alentejo, um projeto inovador está a usar o poder da genómica para ajudar a combater essas ameaças invisíveis. O Projeto AlViGen, que conta com a participação dos investigadores do InnovPlantProtect, Rute Rego e João Bilro, está a abrir caminho para uma nova era de vigilância e proteção das culturas.

O Problema e a Solução

“A ferrugem amarela no trigo e a gafa do olival são verdadeiros flagelos para os agricultores”, explica Rute Rego, investigadora do AlViGen. “Estas doenças podem dizimar colheitas inteiras, levando a perdas económicas severas e comprometendo a qualidade dos alimentos.”

Mas o AlViGen não se limita a observar o problema. A equipa está a usar tecnologia de ponta para detetar e identificar as estirpes dos fungos causadores destas doenças, muito antes de os sintomas se tornarem visíveis.

“Utilizamos armadilhas para recolher esporos que circulam no ar,” continua Rute. “Estas armadilhas permitem-nos monitorizar a presença dos fungos em tempo real, o que nos dá uma vantagem importante na prevenção de infeções.”

Mas a magia acontece no laboratório, onde a equipa extrai o DNA dos esporos e realiza análises genómicas avançadas, recorrendo a tecnologia poderosa de sequenciação de DNA, baseada no método de metabarcoding, realizada com tecnologia de ponta como o sequenciador portátil Nanopore.

Rute Rego, investigadora do InnovPlantProtect, analisa amostras do fungo causador da gafa, no âmbito do projeto AlViGen

Desvendar o Código Genético dos Fungos

Para explicar melhor o que é o metabarcoding e a sua vantagem para detetar a presença de espécies ou estirpes de fungos causadores de doenças nas culturas, a investigadora dá o exemplo de um saco cheio de diferentes tipos de grãos: arroz, feijão, milho que está a ser analisado pelo leitor. “O metabarcoding é como colocar uma etiqueta única (um ‘código de barras’) em cada tipo de grão. Depois, pode misturar todos os grãos numa única amostra e, ao ler as etiquetas, consegue identificar a quantidade de cada tipo de grão presente.”

No caso do AlViGen, esta técnica permite analisar mútiplas espécies de fungos ao mesmo tempo (em múltiplas amostras), cada uma com o seu ‘código de barras’ genético e “identificar exatamente quais os fungos presentes, mesmo em pequenas quantidades”, explica a investigadora.

E qual é o impacto prático deste método para monitorizar e prever a doença? A investigadora do projeto AlViGen consegue identificar, com alta precisão, o momento em que o agente patogénico começa a surgir no campo, o que possibilita alertar os agricultores em tempo real sobre o risco da doença. Os produtores podem adotar medidas preventivas e aplicar os produtos necessários para evitar a infeção, contribuindo para uma resposta rápida e eficaz na prevenção de doenças.

A Linha do Tempo da Evolução dos Fungos

A investigação do AlViGen não se limita a identificar os microrganismos prejudiciais às culturas; também procura compreender a sua evolução e diversidade. João Bilro, outro investigador do projeto, dedica-se ao estudo da filogenia do fungo Colletotrichum, um microrganismo responsável por causar a gafa ou antracnose, uma doença que afeta o olival em Portugal. Esta doença afeta sobretudo as azeitonas, o que compromete a qualidade do azeite.

“A filogenia é crucial para compreender como as diferentes estirpes de Colletotrichum estão relacionadas e como evoluíram ao longo do tempo,” explica João. “Assim como uma árvore genealógica traça a história de uma família, mostrando como os membros estão relacionados uns aos outros, as árvores filogenéticas revelam as relações evolutivas entre as diferentes estirpes deste fungo. Cada ramo da árvore representa uma linhagem evolutiva, e os nós indicam os ancestrais comuns. Ao comparar as sequências de DNA dessas estirpes, podemos reconstruir sua história evolutiva, identificando quais são mais próximas ou distantes geneticamente, e assim, inferir sobre características, como a virulência ou resistência a fungicidas”, revela.

Este conhecimento permite aos investigadores identificar padrões de disseminação e adaptação do fungo, o que é fundamental para desenvolver estratégias mais eficazes para conter e/ou reduzir os danos que este fungo causa aos olivais portugueses.

“Um dos desafios da nossa investigação é a grande diversidade genética do Colletotrichum,” admite João. “No entanto, ao desvendar os seus segredos evolutivos, estamos a abrir caminho para o desenvolvimento de métodos de deteção e controlo mais precisos e direcionados.”

Foto da esquerda: João Bilro, bioinformático do InnovPlantProtect, a estudar a filogenia do fungo Colletotrichum no âmbito do projeto AlViGen; Foto da direita: Rute Rego e João Bilro debatem ideias acerca do projeto AlViGen

O Futuro da Agricultura Começa Aqui

O Projeto AlViGen pretende ter um impacto significativo no panorama agrícola, especialmente no Alentejo, uma região com forte tradição agrícola. Ao fornecer aos agricultores ferramentas de deteção precoce e informação precisa sobre os microrganismos causadores de doenças nas culturas, o projeto pretende ajudar na tomada de decisões, permitindo aos agricultores proteger as suas culturas e reduzir as perdas de produção.

“O nosso objetivo final é capacitar os agricultores com o conhecimento e as ferramentas de que necessitam para proteger as suas culturas de forma sustentável,” afirma Rute. “Acreditamos que a vigilância genómica é uma ferramenta chave para o futuro da proteção das culturas.”

João Bilro concorda e acrescenta: “A investigação contínua é fundamental para acompanhar a evolução dos microrganismos prejudiciais e desenvolver novas estratégias de controlo sempre eficazes. No futuro, esperamos expandir o âmbito do AlViGen para incluir outros microrganismos e culturas, e tornar a vigilância genómica uma ferramenta acessível a todos os agricultores.”

A Ciência ao Serviço da Agricultura

O Projeto AlViGen, que conta com o apoio do Programa Promove da Fundação “la Caixa”, em parceria com o Banco BPI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é um exemplo inspirador de como a ciência e a tecnologia podem ser aplicadas para resolver problemas reais e transformar a agricultura. Ao desvendar os segredos genéticos dos microrganismos das culturas, Rute Rego e João Bilro estão a abrir caminho para uma agricultura mais segura, sustentável e resiliente.

O combate às doenças das culturas continua, mas com o AlViGen, os agricultores podem finalmente ver o inimigo antes deste se tornar visível.

No passado dia 13 de maio, a equipa do projeto AI4Leafhopper apresentou a nova aplicação iCountPests, uma solução inovadora que recorre à Inteligência Artificial (IA) para detetar e contar cigarrinhas-verdes em armadilhas cromotrópicas — de forma rápida, precisa e em tempo real.

Desenvolvida como uma aplicação móvel intuitiva, a iCountPests foi pensada para facilitar a monitorização de diversas pragas agrícolas. Com uma interface simples e acessível, permite ao utilizador registar a evolução das pragas nas suas culturas através da submissão de fotografias das armadilhas instaladas no campo.

A aplicação utiliza modelos avançados de visão computacional para a deteção automática e contagem de insetos, entregando resultados em cerca de um minuto — um processo muito mais rápido e prático face à contagem manual tradicional.

Na sua primeira versão, a app conta já com um modelo de deteção da cigarrinha-verde (Jacobiasca lybica), atingindo uma precisão média de aproximadamente 90%. Em breve, serão adicionadas funcionalidades para identificar outras pragas relevantes, como a traça-dos-cachos (Cryptoblabes gnidiella) e a traça-da-uva (Lobesia botrana).

Além da contagem automática, a iCountPests permite acompanhar a evolução das populações de pragas ao longo do tempo, facilitando a identificação de tendências e o planeamento de intervenções mais eficazes.

Este projeto resulta do trabalho conjunto de uma equipa multidisciplinar, que alia competências em ecologia, entomologia, inteligência artificial, visão computacional, deteção remota e desenvolvimento de software, com o objetivo de tornar a monitorização de pragas mais simples, precisa e acessível.

Durante a sessão de apresentação, foi possível ouvir as opiniões e sugestões dos futuros utilizadores da aplicação. Estes contributos são fundamentais para continuarmos a melhorar a ferramenta e assegurarmos que responde, de forma prática, às necessidades reais dos agricultores e técnicos do setor. Queremos desenvolver soluções que evoluam com a agricultura!

A inovação está no centro de tudo o que fazemos e o nosso lema é claro:
“Inovar juntos, proteger melhor.”

Se deseja saber mais sobre a iCountPests, contacte-nos através do email:
📩 apps@iplantprotect.pt

Créditos de imagens: InnovPlantProtect

O diretor executivo do InnovPlantProtect (InPP), António Saraiva, participou na conferência “Que desafios se colocam ao setor agroflorestal nacional para a próxima década?”, que decorreu na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) do Instituto Politécnico de Coimbra, na passada terça-feira, 22 de abril.

No evento, que reuniu mais de 150 participantes e foi organizado por 17 Centros de Competências nacionais, foram debatidos temas como inovação, sustentabilidade, conservação do solo, monitorização do montado e gestão eficiente da agropecuária.

António Saraiva integrou o painel de comentadores, que teve como orador Pedro Santos, Diretor-geral da CONSULAI, e moderação de Maria Custódia Correia, Coordenadora da Rede AKIS Portugal. A sessão de abertura contou com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, que anunciou a publicação da Portaria de 21 de abril para abertura da Bolsa de Iniciativas para a constituição de Grupos Operacionais (GO).

Esta iniciativa disponibiliza um total de 11 milhões de euros para os novos GO, com um máximo de 350 mil euros por projeto e financiamento elegível de 100%.

Os GO são considerados estruturas cruciais para a transferência de conhecimento e o fortalecimento do AKIS (Sistema de Conhecimento e Inovação na Agricultura).

Um agradecimento especial aos 17 Centros de Competências pela oportunidade de participar neste encontro produtivo!

Créditos de imagens: Rede Rural Nacional

EVENTOS

Durante dois dias, o Centro de Congressos de Lisboa acolhe investigadores, empresários e público em geral para a realização do encontro anual Ciência 2020. Neste evento, a ANI-Agência Nacional de Inovação irá dinamizar seis sessões virtuais no âmbito da rede PERIN/Horizonte Europa e dos Laboratórios Colaborativos (CoLAB).

No encontro anual Ciência 2020, que se realiza hoje e amanhã no Centro de Congressos de Lisboa, a ANI-Agência Nacional de Inovação vai dinamizar 6 sessões virtuais no âmbito da rede PERIN/Horizonte Europa e dos Laboratórios Colaborativos (CoLAB).

O Horizonte Europa, o próximo programa-quadro da União Europeia para a Investigação e a Inovação, será o mote para 3 sessões promovidas pela ANI, enquanto membro da rede PERIN:

  • Sessão PERIN – Missões

No dia 3 de novembro, pelas 11h30, decorre uma apresentação das missões que farão parte do Horizonte Europa, seguida de uma intervenção da Comissão Europeia acerca do conceito de missão. A sessão conta ainda com uma mesa redonda de especialistas portugueses participantes em mission boards. Aceda ao evento aqui.

  • Sessão PERIN – Pilar II

Ainda no dia 3 de novembro, pelas 14h00, será apresentada a estrutura do “Pilar II do Horizonte Europa – Desafios Globais e Competitividade Industrial Europeia” com foco nas oportunidades e temáticas de cada um dos seus clusters/agrupamentos. Aceda ao evento aqui.

  • Sessão PERIN – Pilar III

No dia 4 de novembro, pelas 11h30, serão apresentadas as diferentes áreas do “Pilar III do Horizonte Europa – Europa Inovadora”: European Innovation Council, Eurostars 3 (com foco na presidência portuguesa do Eureka), Redes de Apoio às PME e European Institute of Innovation and Technology. Aceda ao evento aqui.

Também a 3 e 4 de novembro, decorrem as três sessões dedicadas aos Laboratórios Colaborativos, igualmente inseridas na programação do Encontro Ciência 2020. Cada apresentação será estruturada segundo um modelo de pitch em que cada CoLAB irá expor as atividades desenvolvidas e as tecnologias e serviços disponibilizados. As intervenções encontram-se distribuídas por 6 áreas temáticas, de acordo com a respetiva área de intervenção:  Sistemas Digitais e de Informação, Clima, Espaço e Oceanos; Saúde e Serviços Sociais; Materiais, Economia Circular e Sustentabilidade Urbana; Energia e Sustentabilidade; Biodiversidade e Floresta; e, Agroalimentar. Consulte informação detalhada sobre as sessões do CoLAB e assista ao evento aqui.

A importância e os desafios da ciência, da investigação e da inovação na recuperação de Portugal em tempos de pandemia dão mote ao Encontro Ciência 2020. Este evento é particularmente relevante no momento em que Portugal se prepara para assumir a Presidência do Conselho da União Europeia no primeiro semestre de 2021. Os oradores e participantes irão discutir estratégias para o país e a Europa poderem ser mais resilientes, digitais, verdes, sociais e globais, no atual contexto. Durante dois dias, o programa conta com várias sessões temáticas nas mais diversas áreas científicas, promovendo a interação entre investigadores, o setor empresarial e o público em geral.

O Encontro Ciência é promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia em colaboração com a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, e conta com o apoio institucional do Governo através do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Mais informações sobre o encontro serão divulgadas brevemente.

Consulte o Programa do Encontro Ciência 2020 e o Programa das Sessões Temáticas.

O InnovPlantProtect está a contratar um/a investigador/a para o seu Departamento 2 – Proteção de Culturas Específicas. Consulte os requisitos aqui.

Main responsibilities
This researcher reports directly to the Director of the Department of Protection of Specific Crops
of InnovPlantProtect and has the following responsibility:
• To identify pests and diseases in the field and in the laboratory
• Sample plant, pests and pathogen material from crop fields
• Interact with farmers and field researchers
• Support field, greenhouse and laboratory plant-pathogen interaction assays


Specific requirements
• Master degree in Phytopathology or related fields
• Experience in phytopathology and agronomic techniques is desirable
• Knowledge on molecular phytopathology and plant physiology
• Fluency in English, spoken and written


InnovPlantProtect is a private non-profit association

InnovPlantProtect aims to create innovation for the protection of crops, seeds and post-harvest
products, in particular through:
• Development of new technologies and knowledge, as well as the improvement of
previously developed technologies, to protect crops, seeds and post-harvest products, as
well as their intellectual protection and availability;
• Development of applied scientific research to introduce the developed technologies in
the market, and to develop processes and products;
• Provide technical support to companies and entities, public or private, assisting them in
the introduction of biotechnological strategies, methods and processes, and in the
orientation and implementation of industrial research and development, directed towards
the protection of crops, seeds and post-harvest products;
• Collaboration with public or private institutions, national or foreign in their areas of
activity.


Workplace
The place of work will be the headquarters of InnovPlantProtect, at the INIAV Elvas pole, in the
former National Plant Breeding Station (Elvas, Portugal).


Salary and contract
A full-time contract will be offered, starting December 1st, 2020. The contract will last until
December, 31, 2022, being renewed annually, and with a trial period of 30 days. The contract
will be renewed past 2022 depending on further financial support.
All the activities to be developed will be subject to confidentiality clauses.
The gross value of the remuneration will be 1509,8€ (14 months – 21,152.6€/year) plus 4,77€ of
lunch subsidy per working day.

Financial Support
This contract is co-financed by the European Social Fund and Alentejo 2020, under the
Operation: Highly qualified employment in companies – Hiring Highly Qualified Human
Resources (PME or CoLAB). Project reference: ALT20-59-2018-49


To apply for this position, the following documents should be sent in a single PDF
document:

• Curriculum vitae (CV)
• Motivation letter
• Honor statement that all data provided in the CV is true
(If the selected candidate does not hold a master degree by a Portuguese Higher Education
Institution, its recognition by the Portuguese State must be delivered after signing the contract,
under the terms of the Portuguese Decree-Law No. 66/2018)


Where to send the application
To the care of the Chief Executive Officer of InnovPlantProtect Collaborative Lab, Professor
Pedro Fevereiro (inpp@iplantprotect.pt).


Deadlines
This call is open until November 6th 2020, with a decision expected by November 20th. The
selected candidate is expected to start on December 1st.


General rules of data protection (GDPR)
With the entry into force of Regulation (EU) 2016/679 of the European Parliament and of the
Council of 26 April 2016, commonly known as the General Data Protection Regulation (GDPR)
and in order to ensure a fair and transparent treatment of the holder of the data,
InnovPlantProtect informs that by applying for this position you are authorizing
InnovPlantProtect to (1) collect and process your personal data deemed necessary and relevant
to this recruitment process, (2) to disclose the results of the evaluation in accordance with the
legislation in force.