O InnovPlantProtect (InPP) marcou presença na conferência “Construir valor em conjunto”, organizada pelo nosso associado FNOP – Associação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas.
O diretor executivo do InPP, António Saraiva, moderou o painel “Sustentabilidade que gera valor: O papel do ESG no futuro do setor”, que contou com as intervenções de Catarina Pinto Correia (VdA), Cristina Câmara (APED), Filipa Saldanha (Crédito Agrícola), Joana Oom de Sousa (Sovena) e Rui Veríssimo Baptista (Companhia das Lezírias).
A sessão de abertura esteve a cargo de Domingos dos Santos, presidente da FNOP e membro do Conselho de Administração do CoLAB.
O encontro reuniu organizações de produtores, agricultores, empresas, especialistas e decisores políticos para discutir os desafios atuais e perspetivar o futuro do setor hortofrutícola nacional.
Com a participação de especialistas nacionais e internacionais, a conferência foi um espaço privilegiado de partilha de experiências e reflexão estratégica, com enfoque na organização da produção e no papel das políticas públicas na promoção de um crescimento sustentável.
Parabéns à FNOP pela iniciativa e pela capacidade de reunir um painel de oradores de excelência, tornando esta conferência um marco relevante e atual para o setor.
Na viticultura, cada pequena decisão tem impacto: no solo, na saúde das plantas e na qualidade das uvas que estão na base do vinho que chega à nossa mesa. Já o futuro da viticultura pode depender de uma única biosolução. Ou de cem. No VINNY, um projeto europeu ambicioso, do qual o InPP faz parte, investigadores de dez países procuram bioativos capazes de travar as doenças da vinha — e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de agroquímicos de síntese. O que está em jogo não é apenas ciência: é a sustentabilidade desta fileira.
O objetivo do projeto VINNY é simples, mas transformador: desenvolver e implementar soluções eficazes, sustentáveis e adaptáveis às necessidades dos viticultores de vários países europeus, criando biopesticidas e biofertilizantes amigos do ambiente, aliados a tecnologias avançadas de nanoencapsulamento, para reduzir a dependência de químicos convencionais e promover um ecossistema mais saudável e uma viticultura circular.
E no centro desta missão, está uma peça essencial da engrenagem: o trabalho diário dos investigadores que procuram respostas invisíveis ao olho humano — como é o caso de Tiago Amaro, investigador do InPP.
Créditos das imagens: Projeto VINNY
À Procura dos Guardiões da Videira
O caminho para estas novas biosoluções começa no campo, com a videira. O trabalho inicial do Tiago Amaro, arrancou em setembro de 2024 e foca-se em identificar e isolar microrganismos naturalmente presentes nas próprias videiras, em amostras recebidas dos parceiros em Portugal, Espanha, Áustria e Dinamarca.
De uvas, varas ou fragmentos lenhosos, chegam ao laboratório pequenos mundos microscópicos que podem conter as armas naturais necessárias para combater três importantes ameaças para a vinha, com impacto direto na rentabilidade da exploração agrícola: • A podridão cinzenta (Botrytis cinerea) e o mofo azul (Penicillium expansum): Fungos que causam doenças de pós-colheita, afetando, no caso das uvas para vinho, a qualidade do vinho e inviabilizando por completo a comercialização das uvas de mesa. • Os tumores da videira: Causados pela bactéria Allorhizobium vitis, esta doença afeta a planta em campo, provocando a queda das folhas e a diminuição da produção de uva.
Tiago Amaro, investigador do InnovPlantProtect, a identificar e isolar bactérias, no âmbito do projeto VINNY. Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
Após o isolamento dos microrganismos, o Tiago dedica-se à criação de bibliotecas de bactérias. O que é uma ‘Biblioteca de Bactérias’? No contexto da investigação, uma biblioteca de bactérias é uma coleção organizada e catalogada de bactérias isoladas de diferentes fontes. Permite aos cientistas testar cada estirpe de bactérias contra patógenos específicos, constituindo um vasto catálogo de potenciais ‘super-heróis’ biológicos para a proteção vegetal.
Este rastreio rigoroso, que já deu origem à análise de mais de 190 bactérias desta biblioteca, é a primeira linha de defesa. A equipa seleciona as melhores candidatas com potencial para serem usadas como agentes de controlo biológico contra as doenças em estudo.
O Poder da Colaboração Europeia
E se a solução para proteger as vinhas portuguesas estiver escondida numa uva dinamarquesa? Ou numa bactéria isolada em Espanha? Um dos aspetos mais empolgantes do projeto é a sua dimensão verdadeiramente colaborativa, onde investigadores de dez países estão a trabalhar em paralelo, partilhando respostas, desafios e microrganismos em busca de biosoluções eficazes para toda a Europa.
“Todas as soluções encontradas vão ser partilhadas, todas as soluções vão ser testadas por todos os parceiros e vai ser possível construir uma ‘biblioteca de soluções’ contra as várias doenças da vinha“, enfatiza o investigador Tiago Amaro.
A partilha de bactérias e de extratos de diferentes ecossistemas (Portugal, Espanha, Dinamarca e Áustria) é crucial. Uma bactéria eficaz na Dinamarca pode ser a chave para proteger as vinhas portuguesas, e vice-versa. Este intercâmbio de soluções biológicas, um dos pilares inovadores do projeto, permite explorar a biodiversidade microbiana para além das fronteiras nacionais. O InPP tem o papel fundamental de testar, em uvas, as soluções descobertas tanto pela nossa equipa como pelos restantes parceiros nacionais e europeus.
Esta diversidade de testes é uma aposta no futuro: microrganismos que não se revelem eficazes contra as doenças da vinha podem ser a solução para patologias de outras culturas.
Foto da esquerda: Tiago Amaro, investigador do InPP, a observar uma folha de videira, cultura alvo do projeto VINNY, Foto da direita: Plantas de videira em vaso na estufa do InPP, preparadas para testar as soluções encontradas pelos vários parceiros do VINNY. Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
O Verdadeiro Teste: Do Laboratório ao Campo
Após a seleção em laboratório, o próximo passo – a formulação das bactérias mais promissoras – será realizada em Portugal e Espanha, na Universidade do Minho e na Universidade Politécnica da Catalunha. Mas, é na fase de testes em campo, que reside o maior desafio da ciência da proteção das plantas, porque mesmo resultados brilhantes em laboratório podem falhar no terreno. A formulação é o processo que transforma uma bactéria em produto — estável, aplicável e compatível com as necessidades do agricultor.
O Tiago Amaro sublinha a resiliência necessária:
A Incerteza do Campo: Muitas vezes, soluções promissoras em laboratório ou em estufa não apresentam a mesma eficácia quando aplicadas no campo, devido às variáveis ambientais (clima, solo, etc.).
O Fator Tempo: Doenças como a Allorhizobium vitis podem demorar a desenvolver-se, ou a infeção pode ser pouco relevante em certos anos, o que dificulta a obtenção de conclusões robustas.
O Ciclo Agrícola: É necessário testar a formulação em campo durante três a cinco anos consecutivos, registando todas as variações observadas. Com apenas uma colheita por ano, este processo exige paciência e persistência.
No total, desde a descoberta de uma bactéria promissora até à criação de um produto formulado, comprovadamente eficaz e pronto para o mercado, podem passar cerca de 10 anos — um verdadeiro teste à resiliência de qualquer cientista.
Soluções personalizadas: a nova exigência da agricultura moderna
O desafio final é garantir que os ensaios sejam relevantes para a realidade do produtor. A tendência atual no setor agrícola é a procura por soluções personalizadas, adaptadas às condições específicas das explorações: “Para cada campo e para cada agricultor, tem de haver uma solução”, projeta o investigador.
Esta abordagem personalizada exige mais ciência, mais rigor e mais conhecimento local — exatamente o que o VINNY procura construir.
Uma Europa unida pela ciência e pela vinha
O InPP integra este consórcio, composto por 19 parceiros de dez países, e liderado pela Universidade do Minho e financiado pelo programa Horizonte Europa.
Juntos, procuram responder a uma pergunta que poderá moldar o futuro da viticultura europeia: Será possível encontrar biosoluções eficazes para todos os países parceiros?
A resposta ainda está a ser escrita — nos laboratórios, nas vinhas experimentais, nos campos de diferentes climas e geografias. E é feita de pequenas descobertas, muitas frustrações e um enorme compromisso com a ciência.
Porque proteger a vinha do futuro não é apenas uma ambição técnica. É um compromisso cultural, económico e ambiental. E o VINNY está a ajudar a desenhar esse futuro — um microrganismo de cada vez.
Workshop final destacou três anos de investigação dedicados à deteção precoce de patógenos em culturas como o trigo e o olival.
O projeto AlViGen chegou à sua reta final, concluindo três anos de investigação focados na vigilância genómica de doenças agrícolas. Os resultados agora apresentados prometem reforçar a capacidade de resposta do setor agrícola do Alentejo face a ameaças fitossanitárias emergentes.
No dia 23 de outubro, decorreu o workshop final do projeto, reunindo investigadores, produtores e técnicos para partilhar resultados e refletir sobre o futuro da vigilância genómica na agricultura portuguesa.
Um polo pioneiro de vigilância genómica
Durante o AlViGen, foi criado o primeiro polo de vigilância genómica do Alentejo, uma infraestrutura com capacidade para detetar precocemente doenças em culturas estratégicas como o trigo e o olival. Este avanço marca um passo decisivo rumo a uma agricultura mais precisa, sustentável e baseada em ciência.
Resultados e contributos científicos
Com recurso a ferramentas moleculares inovadoras, a equipa do projeto conseguiu:
Identificar fungos patogénicos antes de surgirem sintomas visíveis nas plantas;
Caracterizar estirpes de ferrugem amarela, relacionando-as geneticamente com outras conhecidas a nível global;
Detetar genes de resistência no trigo às estirpes atualmente presentes em Portugal;
Desenvolver métodos de diagnóstico capazes de distinguir as diferentes espécies do fungo causador da gafa no olival.
Durante o workshop, foi ainda sublinhado o potencial da análise da comunidade de fungos transportada pelo ar como ferramenta de alerta precoce para múltiplos patógenos, permitindo uma gestão mais eficaz e preventiva das doenças das culturas.
Da investigação à aplicação prática
O evento terminou com um debate sobre como transformar os resultados do AlViGen num serviço de deteção e aviso acessível ao setor agrícola. A iniciativa reflete o compromisso conjunto entre ciência, inovação e produção, com vista a proteger a agricultura nacional dos desafios do futuro.
Parcerias e agradecimentos
O InnovPlantProtect agradece a todos os parceiros e financiadores do projeto: Universidade de Évora, John Innes Centre, INIAV, De Prado, CERSUL, Fundação Eugénio de Almeida, Herdade Torre das Figueiras, Almojanda, Herdade do Malheiro, Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Fundação “la Caixa”, Banco BPI e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Créditos das imagens: InnovPlantProtect – Inês Ferreira
No dia 16 de novembro tivemos o prazer de estar presentes na Reunião Anual da Unidade de Biorecursos para a Sustentabilidade GREEN-IT, que juntou no Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB NOVA), em Oeiras, os membros do Scientific Advisory Board e os investigadores das diversas instituições que compõem esta Unidade, como é o caso do InnovPlantProtect (InPP).
A diretora do departamento de Novos Biopesticidas, Cristina Azevedo, foi uma das oradoras convidadas da primeira talk e apresentou o InPP, o trabalho desenvolvido pelos cinco departamentos do Laboratório Colaborativo (CoLAB), bem como deu a conhecer os projetos nos quais estamos envolvidos.
O encontro pretendeu fazer o ponto de situação da Unidade de Investigação relativamente às áreas de intervenção de saúde do solo, proteção e produção de plantas, assim como os planos para a nova estrutura da Unidade.
Um agradecimento especial à GREEN-IT pelo convite. Foi um ótimo momento de networking!
O InnovPlantProtect (InPP) estará presente no NOVA Science & Innovation Day, promovido pela Universidade NOVA de Lisboa, e que decorrerá na próxima terça-feira, dia 21 de novembro, nas instalações da Reitoria, no Campus de Campolide.
O NOVA Science & Innovation Day é um evento que pretende dar palco à ciência, investigação e inovação de excelência na Universidade e é uma oportunidade única para a comunidade académica, bem como para o público em geral, conhecerem de perto o trabalho científico desenvolvido na Universidade NOVA de Lisboa e como este se traduz em inovação e criação de valor para a sociedade.
Nós estaremos na Feira de Inovação, a decorrer durante todo o dia no átrio da Reitoria, para lhe revelar tudo o que o nosso laboratório colaborativo (CoLAB) elvense já está a fazer em prol da proteção de culturas e prevenção de pragas e doenças, com uma equipa altamente qualificada e competências muito alargadas e diversificadas.
Na Feira de Inovação estarão também representados outros CoLABs, tecnologias proprietárias, serviços especializados, Spin-offs e outras empresas do ecossistema da Universidade.
Não perca a oportunidade de falar connosco! Estamos por aqui até às 18h!
O InnovPlantProtect (InPP) participou em mais um seminário dedicado ao tema “Tecnologia e Informação na Agricultura – Smart Farm Virtual”, promovido pela Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas (ANIPLA), que decorreu desta vez no Algarve, na Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAP Algarve), na tarde do dia 7 de novembro. No seminário foi possível debater alguns dos maiores desafios sentidos atualmente pelo setor agrícola, assim como explorar algumas das mais avançadas ferramentas que permitem aos profissionais adotar práticas mais sustentáveis e amigas do planeta.
Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, participou no painel “Ferramentas para sistemas de produção mais sustentáveis” no qual demonstrou algumas das soluções atualmente já existentes, como novas formulações, novos biopesticidas e novas técnicas genómicas, e que estão a ser criadas em resposta às necessidades de produção do setor e às condicionantes impostas pelas exigências do Pacto Ecológico Europeu.
O CEO do InPP foi ainda orador na mesa-redonda “Tecnologia e Informação na Agricultura”, que incidiu sobre as atuais exigências do Pacto Ecológico Europeu e desafios que representa para o dia a dia dos profissionais, assim como para a revisão do Regulamento do Uso Sustentável, e na qual participaram também Gabriela Cruz, Presidente da Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo (APOSOLO), Sandra Germano, técnica da DRAP Algarve, e João Bento Inácio, da empresa JBI Group, em representação dos agricultores da região. A moderação da mesa redonda ficou a cargo de João Cardoso, Diretor Executivo da ANIPLA.
A mesa-redonda encerrou com uma conclusão unânime: é preciso apostar na investigação e desenvolvimento de novas ferramentas para acompanhar o comboio da União Europeia, que por sua vez tem de viabilizar a aprovação de novas soluções, como novos produtos fitofarmacêuticos e biopesticidas, de forma a não deixar os agricultores sem alternativas face aos problemas que deixam de ter solução. Antes de proibir a União Europeia tem que garantir alternativas e regulamentar a aprovação destas novas soluções.
Temas como a importância da Biotecnologia para a adaptação das plantas aos desafios inerentes às alterações climáticas, a necessidade de tornar acessível a Agricultura Digital e de Precisão, a forma como a Agricultura de Conservação protege o solo e promove a biodiversidade estiveram também em debate neste evento, organizado no âmbito do projeto Smart Farm Hub, no qual o InPP é parceiro.
Este é mais um seminário, organizado no âmbito do Roadshow Smart Farm Virtual e promovido pela ANIPLA, e que foi dedicado a sensibilizar profissionais do setor agrícola e público em geral para aquelas que são as melhores práticas para o setor e que mais contribuem para a sustentabilidade do planeta, podendo realmente fazer a diferença no dia-a-dia das suas produções. O roadshow continuará a percorrer as várias cidades do País para dar a conhecer a plataforma Smart Farm Virtual, a extensão digital da Quinta Inteligente da ANIPLA, localizada na Companhia das Lezírias, e que poderá visitar para saber mais sobre práticas agrícolas sustentáveis.
Um agradecimento especial à ANIPLA pela iniciativa! Foi um excelente momento de diálogo e partilha com curiosos, aspirantes e profissionais do setor sobre os principais desafios do setor, assim como ferramentas disponíveis para uma prática agrícola (ainda mais) sustentável.
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