Each year, crop diseases cause devastating losses in agricultural production, threatening food security and the livelihoods of millions of farmers. In the heart of Alentejo, an innovative project is harnessing the power of genomics to help combat these invisible threats. The AlViGen Project, with the participation of InnovPlantProtect researchers Rute Rego and João Bilro, is paving the way for a new era of crop surveillance and protection.
The Problem and the Solution
“Yellow rust in wheat and olive quick decline syndrome are real scourges for farmers,” explains Rute Rego, a researcher at AlViGen. “These diseases can decimate entire harvests, leading to severe economic losses and compromising food quality.”
But AlViGen is not limited to observing the problem. The team is using cutting-edge technology to detect and identify the strains of fungi that cause these diseases, long before the symptoms become visible.
“We use traps to collect spores circulating in the air,” Rute continues. “These traps allow us to monitor the presence of fungi in real-time, which gives us an important advantage in preventing infections.”
But the magic happens in the laboratory, where the team extracts the DNA from the spores and performs advanced genomic analyses, using powerful DNA sequencing technology based on the metabarcoding method, carried out with cutting-edge technology like the portable Nanopore sequencer.
Rute Rego, a researcher at InnovPlantProtect, analyzes samples of the fungus causing olive quick decline syndrome as part of the AlViGen project.
Unraveling the Genetic Code of Fungi
To better explain what metabarcoding is and its advantage in detecting the presence of species or strains of fungi that cause diseases in crops, the researcher gives the example of a bag full of different types of grains – rice, beans, corn – being analyzed by the reader. “Metabarcoding is like placing a unique label (a ‘barcode’) on each type of grain. Then, you can mix all the grains in a single sample, and by reading the labels, you can identify the quantity of each type of grain present.'”
In the case of AlViGen, this technique allows for the analysis of multiple fungal species simultaneously (in multiple samples), each with its own genetic ‘barcode,’ and to ‘identify exactly which fungi are present, even in small quantities,'” the researcher explains.
And what is the practical impact of this method for monitoring and predicting disease? The AlViGen project researcher can identify, with high precision, the moment when the pathogenic agent begins to appear in the field, which makes it possible to alert farmers in real-time about the risk of disease. Producers can adopt preventative measures and apply the necessary products to avoid infection, contributing to a rapid and effective response in disease prevention.
The Timeline of Fungal Evolution
AlViGen’s research is not limited to identifying the microorganisms harmful to crops; it also seeks to understand their evolution and diversity. João Bilro, another researcher on the project, is dedicated to studying the phylogeny of the Colletotrichum fungus, a microorganism responsible for causing olive anthracnose or blight, a disease that affects olive groves in Portugal. This disease mainly affects the olives, which compromises the quality of the olive oil.
“Phylogeny is crucial for understanding how the different strains of Colletotrichum are related and how they have evolved over time,” João explains. “Just as a family tree traces the history of a family, showing how members are related to each other, phylogenetic trees reveal the evolutionary relationships between the different strains of this fungus. Each branch of the tree represents an evolutionary lineage, and the nodes indicate common ancestors. By comparing the DNA sequences of these strains, we can reconstruct their evolutionary history, identifying which are genetically closer or more distant, and thus infer characteristics such as virulence or resistance to fungicides,” he reveals.
This knowledge allows researchers to identify patterns of dissemination and adaptation of the fungus, which is fundamental for developing more effective strategies to contain and/or reduce the damage this fungus causes to Portuguese olive groves.
“Um dos desafios da nossa investigação é a grande diversidade genética do Colletotrichum,” admite João. “No entanto, ao desvendar os seus segredos evolutivos, estamos a abrir caminho para o desenvolvimento de métodos de deteção e controlo mais precisos e direcionados.”
Left photo: João Bilro, a bioinformatician at InnovPlantProtect, studying the phylogeny of the Colletotrichum fungus within the scope of the AlViGen project; Right photo: Rute Rego and João Bilro discuss ideas about the AlViGen project.
The Future of Agriculture Starts Here
The AlViGen Project aims to have a significant impact on the agricultural landscape, especially in Alentejo, a region with a strong agricultural tradition. By providing farmers with early detection tools and precise information about the microorganisms that cause crop diseases, the project intends to aid in decision-making, allowing farmers to protect their crops and reduce production losses.
“Our ultimate goal is to empower farmers with the knowledge and tools they need to protect their crops sustainably,” states Rute. “We believe that genomic surveillance is a key tool for the future of crop protection.”
João Bilro agrees and adds, “Continuous research is fundamental to keep up with the evolution of harmful microorganisms and to develop new, consistently effective control strategies. In the future, we hope to expand the scope of AlViGen to include other microorganisms and crops, and to make genomic surveillance an accessible tool for all farmers.”
Science at the Service of Agriculture
The AlViGen Project, supported by the Promove Program of the “la Caixa” Foundation, in partnership with Banco BPI and the Foundation for Science and Technology (FCT), is an inspiring example of how science and technology can be applied to solve real-world problems and transform agriculture. By unraveling the genetic secrets of crop microorganisms, Rute Rego and João Bilro are paving the way for a safer, more sustainable, and resilient agriculture.
The fight against crop diseases continues, but with AlViGen, farmers can finally see the enemy before it becomes visible.
A cada ano, as doenças das culturas causam perdas devastadoras na produção agrícola, ameaçando a segurança alimentar e o sustento de milhões de agricultores. No coração do Alentejo, um projeto inovador está a usar o poder da genómica para ajudar a combater essas ameaças invisíveis. O Projeto AlViGen, que conta com a participação dos investigadores do InnovPlantProtect, Rute Rego e João Bilro, está a abrir caminho para uma nova era de vigilância e proteção das culturas.
O Problema e a Solução
“A ferrugem amarela no trigo e a gafa do olival são verdadeiros flagelos para os agricultores”, explica Rute Rego, investigadora do AlViGen. “Estas doenças podem dizimar colheitas inteiras, levando a perdas económicas severas e comprometendo a qualidade dos alimentos.”
Mas o AlViGen não se limita a observar o problema. A equipa está a usar tecnologia de ponta para detetar e identificar as estirpes dos fungos causadores destas doenças, muito antes de os sintomas se tornarem visíveis.
“Utilizamos armadilhas para recolher esporos que circulam no ar,” continua Rute. “Estas armadilhas permitem-nos monitorizar a presença dos fungos em tempo real, o que nos dá uma vantagem importante na prevenção de infeções.”
Mas a magia acontece no laboratório, onde a equipa extrai o DNA dos esporos e realiza análises genómicas avançadas, recorrendo a tecnologia poderosa de sequenciação de DNA, baseada no método de metabarcoding, realizada com tecnologia de ponta como o sequenciador portátil Nanopore.
Rute Rego, investigadora do InnovPlantProtect, analisa amostras do fungo causador da gafa, no âmbito do projeto AlViGen
Desvendar o Código Genético dos Fungos
Para explicar melhor o que é o metabarcoding e a sua vantagem para detetar a presença de espécies ou estirpes de fungos causadores de doenças nas culturas, a investigadora dá o exemplo de um saco cheio de diferentes tipos de grãos: arroz, feijão, milho que está a ser analisado pelo leitor. “O metabarcoding é como colocar uma etiqueta única (um ‘código de barras’) em cada tipo de grão. Depois, pode misturar todos os grãos numa única amostra e, ao ler as etiquetas, consegue identificar a quantidade de cada tipo de grão presente.”
No caso do AlViGen, esta técnica permite analisar mútiplas espécies de fungos ao mesmo tempo (em múltiplas amostras), cada uma com o seu ‘código de barras’ genético e “identificar exatamente quais os fungos presentes, mesmo em pequenas quantidades”, explica a investigadora.
E qual é o impacto prático deste método para monitorizar e prever a doença? A investigadora do projeto AlViGen consegue identificar, com alta precisão, o momento em que o agente patogénico começa a surgir no campo, o que possibilita alertar os agricultores em tempo real sobre o risco da doença. Os produtores podem adotar medidas preventivas e aplicar os produtos necessários para evitar a infeção, contribuindo para uma resposta rápida e eficaz na prevenção de doenças.
A Linha do Tempo da Evolução dos Fungos
A investigação do AlViGen não se limita a identificar os microrganismos prejudiciais às culturas; também procura compreender a sua evolução e diversidade. João Bilro, outro investigador do projeto, dedica-se ao estudo da filogenia do fungo Colletotrichum, um microrganismo responsável por causar a gafa ou antracnose, uma doença que afeta o olival em Portugal. Esta doença afeta sobretudo as azeitonas, o que compromete a qualidade do azeite.
“A filogenia é crucial para compreender como as diferentes estirpes de Colletotrichum estão relacionadas e como evoluíram ao longo do tempo,” explica João. “Assim como uma árvore genealógica traça a história de uma família, mostrando como os membros estão relacionados uns aos outros, as árvores filogenéticas revelam as relações evolutivas entre as diferentes estirpes deste fungo. Cada ramo da árvore representa uma linhagem evolutiva, e os nós indicam os ancestrais comuns. Ao comparar as sequências de DNA dessas estirpes, podemos reconstruir sua história evolutiva, identificando quais são mais próximas ou distantes geneticamente, e assim, inferir sobre características, como a virulência ou resistência a fungicidas”, revela.
Este conhecimento permite aos investigadores identificar padrões de disseminação e adaptação do fungo, o que é fundamental para desenvolver estratégias mais eficazes para conter e/ou reduzir os danos que este fungo causa aos olivais portugueses.
“Um dos desafios da nossa investigação é a grande diversidade genética do Colletotrichum,” admite João. “No entanto, ao desvendar os seus segredos evolutivos, estamos a abrir caminho para o desenvolvimento de métodos de deteção e controlo mais precisos e direcionados.”
Foto da esquerda: João Bilro, bioinformático do InnovPlantProtect, a estudar a filogenia do fungo Colletotrichum no âmbito do projeto AlViGen; Foto da direita: Rute Rego e João Bilro debatem ideias acerca do projeto AlViGen
O Futuro da Agricultura Começa Aqui
O Projeto AlViGen pretende ter um impacto significativo no panorama agrícola, especialmente no Alentejo, uma região com forte tradição agrícola. Ao fornecer aos agricultores ferramentas de deteção precoce e informação precisa sobre os microrganismos causadores de doenças nas culturas, o projeto pretende ajudar na tomada de decisões, permitindo aos agricultores proteger as suas culturas e reduzir as perdas de produção.
“O nosso objetivo final é capacitar os agricultores com o conhecimento e as ferramentas de que necessitam para proteger as suas culturas de forma sustentável,” afirma Rute. “Acreditamos que a vigilância genómica é uma ferramenta chave para o futuro da proteção das culturas.”
João Bilro concorda e acrescenta: “A investigação contínua é fundamental para acompanhar a evolução dos microrganismos prejudiciais e desenvolver novas estratégias de controlo sempre eficazes. No futuro, esperamos expandir o âmbito do AlViGen para incluir outros microrganismos e culturas, e tornar a vigilância genómica uma ferramenta acessível a todos os agricultores.”
A Ciência ao Serviço da Agricultura
O Projeto AlViGen, que conta com o apoio do Programa Promove da Fundação “la Caixa”, em parceria com o Banco BPI e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é um exemplo inspirador de como a ciência e a tecnologia podem ser aplicadas para resolver problemas reais e transformar a agricultura. Ao desvendar os segredos genéticos dos microrganismos das culturas, Rute Rego e João Bilro estão a abrir caminho para uma agricultura mais segura, sustentável e resiliente.
O combate às doenças das culturas continua, mas com o AlViGen, os agricultores podem finalmente ver o inimigo antes deste se tornar visível.
No passado dia 13 de maio, a equipa do projeto AI4Leafhopper apresentou a nova aplicação iCountPests, uma solução inovadora que recorre à Inteligência Artificial (IA) para detetar e contar cigarrinhas-verdes em armadilhas cromotrópicas — de forma rápida, precisa e em tempo real.
Desenvolvida como uma aplicação móvel intuitiva, a iCountPests foi pensada para facilitar a monitorização de diversas pragas agrícolas. Com uma interface simples e acessível, permite ao utilizador registar a evolução das pragas nas suas culturas através da submissão de fotografias das armadilhas instaladas no campo.
A aplicação utiliza modelos avançados de visão computacional para a deteção automática e contagem de insetos, entregando resultados em cerca de um minuto — um processo muito mais rápido e prático face à contagem manual tradicional.
Na sua primeira versão, a app conta já com um modelo de deteção da cigarrinha-verde (Jacobiasca lybica), atingindo uma precisão média de aproximadamente 90%. Em breve, serão adicionadas funcionalidades para identificar outras pragas relevantes, como a traça-dos-cachos (Cryptoblabes gnidiella) e a traça-da-uva (Lobesia botrana).
Além da contagem automática, a iCountPests permite acompanhar a evolução das populações de pragas ao longo do tempo, facilitando a identificação de tendências e o planeamento de intervenções mais eficazes.
Este projeto resulta do trabalho conjunto de uma equipa multidisciplinar, que alia competências em ecologia, entomologia, inteligência artificial, visão computacional, deteção remota e desenvolvimento de software, com o objetivo de tornar a monitorização de pragas mais simples, precisa e acessível.
Durante a sessão de apresentação, foi possível ouvir as opiniões e sugestões dos futuros utilizadores da aplicação. Estes contributos são fundamentais para continuarmos a melhorar a ferramenta e assegurarmos que responde, de forma prática, às necessidades reais dos agricultores e técnicos do setor. Queremos desenvolver soluções que evoluam com a agricultura!
A inovação está no centro de tudo o que fazemos e o nosso lema é claro: “Inovar juntos, proteger melhor.”
Se deseja saber mais sobre a iCountPests, contacte-nos através do email: 📩 apps@iplantprotect.pt
“O InnovPlantProtect (InPP) utiliza os mais modernos conhecimentos biológicos e digitais para, em colaboração com os produtores, as empresas de fitofármacos e de sementes, instituições de investigação e o poder local, resolver os problemas colocados à agricultura mediterrânica pelas alterações climáticas, pela redução da disponibilidade de princípios ativos para a proteção das culturas e pelo aparecimento de novas pragas e doenças, para as quais não existem soluções de prevenção e combate”, sublinha Pedro Fevereiro, diretor executivo do InPP, à Revista Voz do Campo.
O InPP é destaque na edição de fevereiro da revista Voz do Campo e na sua edição online, com um artigo de opinião intitulado “InnovPlantProtect: 5 anos de um Laboratório Colaborativo para a proteção das culturas mediterrânicas”, que conta com uma “radiografia” dos 5 anos de existência do laboratório colaborativo (CoLAB) realizada pelo diretor executivo do InPP.
E no que ao futuro diz respeito, Pedro Fevereiro, deixa algumas pistas: “Continuaremos a apostar no desenvolvimento de inovação para a proteção das culturas com recurso a compostos biológicos ou organismos vivos de diferentes fontes e tipos, numa ótica de economia circular e de sustentabilidade, valorizando os produtos através da sua proteção industrial e posterior venda”.
Leia o artigo na íntegra no ficheiro disponível abaixo.
Esta quarta-feira, dia 7 de fevereiro, tivemos o prazer de receber, nas instalações do InnovPlantProtect (InPP), a visita de uma comitiva de membros da Embaixada de Angola Portugal, que veio acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida.
Durante a visita, a embaixadora da República de Angola, Maria de Jesus Ferreira, bem como o 1° secretário Analberto Guilherme e 3ª secretária Maria da Conceição Pimenta, tiveram a oportunidade de conhecer o laboratório colaborativo (CoLAB), os laboratórios e descobrir um pouco mais sobre o trabalho e as diferentes áreas de atuação que estão a ser exploradas pelos cinco departamentos do CoLAB.
Esta foi uma ótima oportunidade para identificar e debater futuras oportunidades para novas parcerias, colaborações e projetos.
Um agradecimento à comitiva da embaixada de Angola pela visita.
O InnovPlantProtect (InPP) comemorou o seu quinto aniversário esta quarta-feira, dia 24 de janeiro, a partir das 14h, no edifício do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) – Polo de Elvas, em Elvas, com a presença de 120 convidados. O evento comemorativo, que juntou os associados do InPP, diferentes representantes do ecossistema da inovação, representantes de outros laboratórios colaborativos (CoLAB) da área agroalimentar, associações de produtores, agricultores e decisores políticos, teve como objetivo fazer balanços dos 5 anos de atividade do CoLAB e explorar perspetivas para o futuro.
A tarde iniciou com a sessão de abertura que contou com a participação de Margarida Oliveira, presidente do Conselho de Administração do InPP, que alertou para a necessidade de soluções de proteções de culturas mais sustentáveis do que as atuais, reduzindo os impactos negativos na segurança dos alimentos e nos agrossistemas, acrescentando ainda que os novos mercados de exportação têm processos de certificação mais apertados, nos quais existe um maior controlo, e, por isso, as novas soluções devem privilegiar as culturas que se podem desenvolver na região, isto é, as culturas mediterrânicas.
O InPP, uma iniciativa da Universidade Nova de Lisboa (UNL) liderada pelo centro de investigação Green-it do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (em Oeiras), em cooperação com outras unidades científicas da UNL, “é um dos 41 CoLAB aprovados que constitutem a rede de CoLAB existente em Portugal, e um dos 7 que está sedeado em regiões de baixa densidade populacional e o único cuja área de atuação é a proteção de culturas agrícolas”, evidenciou a Presidente do Conselho de Administração.
Os 14 associados que compõem atualmente o CoLAB estiveram também em destaque. Aos 12 associados que componham o InPP, como o Município de Elvas, universidades, centros de I&D, empresas agrícolas e associações de produtores, juntaram-se no ano de 2023 o Instituto Politécnico de Portalegre e a Lusosem. “No entanto, pretendemos aumentar este número e incluir todas as instituições de ensino e investigação do Alentejo e também aumentar o número de empresas agrícolas associadas”, revelou Margarida Oliveira.
Os primeiros cinco anos do CoLAB foram o “montar as condições, arrancar com o projeto, começar a mostrar resultados (…) e demonstrar credibilidade na área. Isto é extremamente importante para se poder avançar para a próxima fase porque não é possível ganhar projetos competitivos com uma equipa que não é reconhecida como tendo qualidade”, esclareceu.
Segundo a presidente do Conselho de Administração, para a fase seguinte “é necessário arranjar quem vá promover os produtos que estão a sair do trabalho da equipa do InPP e quem vá obter contratos que permitam assegurar a viabilidade do InPP, quando os fundos públicos reduzirem” devido à chegada da maturidade da instituição.
Atualmente, o InPP desenvolve soluções inovadoras bioinspiradas e digitais para proteger as culturas, desenvolve serviços de acordo com as necessidades dos utilizadores, promove uma agricultura mais sustentável, adaptável às mudanças climáticas e solidária com o meio ambiente e assume as diretivas de transição ambiental, climática e digital da União Europeia.
Margarida Oliveira terminou a sua intervenção chamando a atenção de que “manter um CoLAB como o InPP é algo crítico para o país e em que temos, não só, necessidade mas o dever de apostar”.
A secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, começou o seu discurso recordando a rede de laboratórios colaborativos, inicialmente desenhada por Manuel Reitor, Ex-ministro de ciência, tecnologia e ensino superior de Portugal, que priorizou as regiões do interior como locais para instalar os CoLABs.
“Os laboratórios colaborativos são ainda muito jovens, mas hoje podemos orgulhar-nos de ter uma rede de CoLAB espalhada por todo o país (…) e também em diferentes temáticas (…) que resultam daquilo que é mais importante para o território onde se localizam. No caso do InPP (…) é, sem dúvida, hoje um motor essencial para o desenvolvimento da região do Alentejo (…) que faz a interface entre a Academia e o tecido sócio-económico/ produtivo, as empresas”, destacou a secretária de Estado.
Isabel Ferreira parabenizou o trabalho realizado por toda a equipa que compõe o InPP, “desde logo em temáticas tão relevantes para aquela que é a estratégia do país para 2030 (…), alinhada com o contexto europeu e que tem uma enorme importância para as diretivas de transição ambiental, climática e digital” da União Europeia.
O contributo “evidente” do InPP para mitigar o impacto das alterações climáticas nas culturas foi também sublinhado pela secretária de Estado, “que sabemos que hoje [as culturas] enfrentam tão importantes desafios que exigem uma investigação cada vez mais focada e uma resposta cada vez mais rápida, e só trabalhando em rede, em parceria, é que isso se consegue.”
Quando questionada acerca da facilidade de captar recursos humanos altamente qualificados para os territórios do interior, nomeadamente para Elvas, a resposta da secretária de Estado não deixa margem para dúvidas: “Nunca terão dificuldades porque o projeto é aliciante, o emprego que estão a oferecer é um emprego altamente qualificado motivador e, portanto, as pessoas vêm e ficam. E isto é uma arma poderosíssima para a coesão territorial e para o desenvolvimento do interior”.
Isabel Ferreira terminou a sua intervenção dizendo que tem sido um “verdadeiro privilégio” assistir ao crescimento dos CoLAB, que têm passado por um processo com diferentes etapas, desde a assinatura, recuperação de instalações e a obtenção de equipamentos e tecnologias de última geração, e que tem culminado com a evolução destas estruturas com “competência e qualidade”.
Pelas 15h15, teve lugar a sessão “Que inovação se produz no InPP?”, na qual os cinco diretores de departamento Cristina Azevedo, Sandra Correia, David Learmonth (três fotos acima, da esquerda para a direita), Ricardo Ramiro e iLaria Marengo (duas fotos abaixo, da esquerda para a direita), deram a conhecer as suas equipas e o trabalho que estas têm sido capazes de desenvolver, bem como as novas tecnologias, produtos e serviços que têm sido produzidos nas várias áreas de atuação do CoLAB.
“Queremos criar valor através da gestão de organismos vivos no campo do agricultor. É esta a finalidade do InPP”. Foram estas as palavras escolhidas pelo diretor executivo do InPP, Pedro Fevereiro, para dar o pontapé de saída na sessão de encerramento, que decorreu a partir das 16h.
O diretor executivo considera a marca InnovPlantProtect já uma referência reconhecida em todo o país, em particular no setor da agricultura e enfatizou as quatro patentes já produzidas pelo CoLAB para proteger as culturas contra várias doenças que as afetam a nível regional e nacional e os mais de 2 milhões de euros angariados em 8 projetos de inovação e desenvolvimento atualmente ativos, sendo um deles o primeiro projeto do CoLAB financiado pelo programa internacional Horizonte Europa.
Uma das últimas novidades do CoLAB – a app store do InPP, que está na fase final de desenvolvimento e ficará disponível para os agricultores em breve, esteve também em destaque. A app tem como objetivo permitir aos utilizadores aceder a seis aplicações que a equipa tem estado a desenvolver.
E quanto ao futuro? Pedro Fevereiro acredita que se o “bom ritmo” de produção de inovação e de criação de patentes se mantiver e se a capacidade de atrair contratos com empresas e com produtores que queiram ver resolvidos os seus problemas e que recorram ao InPP aumentar, o CoLAB conseguirá completar o 1/3 de financiamento proveniente de receitas próprias, que é exigido aos CoLAB.
Para o InPP, o diretor executivo almeja aumentar a interação com a rede regional, através de projetos e parcerias, participar na formação dos jovens dos vários níveis de escolaridade, estender a rede internacional, garantir a sustentabilidade orçamental e garantir os postos de trabalho.
Pedro Fevereiro agradeceu à Ministra da Coesão Territorial todo o apoio e o financiamento que o seu Ministério disponibilizou ao CoLAB sempre que surgiram dificuldades, ao Município de Elvas, à Universidade NOVA, ao INIAV, à Agência Nacional de Inovação (ANI), aos associados do InPP e aos recursos humanos que constituem a equipa do InPP.
“O InPP são as pessoas. (…) Tudo o resto é conversa. Se não tivermos estas pessoas connosco, não temos patentes, não temos InPP, não temos nada. É a eles que se deve isto”, concluiu.
A segunda intervenção da sessão de encerramento foi a de Hermenegildo Rodrigues, vereador da Câmara Municipal (CM) de Elvas, que esteve presente em representação de José Rondão Almeida, presidente da CM de Elvas, e que começou por sublinhar o trabalho desenvolvido pelo InPP nestes últimos cinco anos e identificar as “mais valias que aporta ao concelho, à região e ao mundo da ciência, e, simultaneamente, a sua proatividade com a comunidade agrícola e escolar, quer através de contratos e parcerias, protocolos que sensibilizaram consciências, alteraram hábitos e acrescentaram conhecimento”.
O vereador da CM de Elvas continuou a sua intervenção com o tópico da internacionalização do CoLAB, referindo que “é mérito de todos os profissionais que aqui exercem, pela forma como se integraram, dignificaram e interagiram com a sociedade elvense, e pelo trabalho desenvolvido, e por potenciarem a colaboração entre os vários atores”.
O apoio do Município ao InPP saiu reforçado nas palavras de Hermenegildo Rodrigues: “A nós, poder local, cabe-nos manter a porta aberta, a vossa porta. Estaremos, como sempre, disponíveis para caminhar lado a lado, na procura de soluções que viabilizem estratégias e objetivos. (…) De nós para vós, o nosso muito obrigado”, concluiu.
A sessão de encerramento prosseguiu com Gonçalo Rodrigues, Secretário de Estado da Agricultura, em representação da Ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, que destacou o papel das regiões do interior do país para a atividade agrícola.
“Este CoLAB é trazer ao interior, muitas vezes “ostracizado e esquecido” (nas palavras de Hérman José, citado pelo secretário de estado), mas que na verdade é o seio de tudo isto. É aqui que está a agricultura. O meio urbano, infelizmente, continua a criar um gap sobre aquilo que é o mundo rural. Mas nós temos também de trazer esta experiência, trazer a academia, trazer os cientistas, para sentirem a terra, para sentirem o interior, e depois de alguma maneira produzirem aquilo que são as ferramentas necessárias para o desenvolvimento desta atividade económica de base, (…) sem a qual não teríamos alimentos de qualidade e seguros na nossa prateleira”, relembrou o secretário de Estado da Agricultura.
Na sua intervenção, Gonçalo Rodrigues sublinhou a importância do InPP para tornar o setor agrícola mais sustentável, inovador e competitivo: “Esta é a mostra do que é que tem de ser um laboratório colaborativo. (…) Eu arriscava a dizer que poucos ou talvez muito poucos tiveram ou têm o sucesso que aqui encontramos no InPP. Também tem de servir de bandeira ao que bem se faz no nosso país e tentar transferir esta capacidade para outros, materializando-a no nosso setor. É isto que a nossa agricultura precisa”, rematou.
A sessão terminou com a intervenção da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, que agradeceu o apoio que o Município e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo) têm dado ao InPP, e que segundo a ministra, espera que continue a ser dado a este projeto.
Para Ana Abrunhosa, “[o InPP] têm-nos ajudado muito a passar a ideia de que a investigação de qualidade pode e deve ser feita em qualquer lugar, desde que sejam asseguradas as condições essenciais”.
“É um projeto de referência, que faz investigação científica ao mais alto nível, capta talentos (…) de diferentes origens geográficas, alguns tiveram a oportunidade de regressar ao nosso país depois de terem mundo, através deste projeto. O que é muito importante nestes projetos é que eles garantem remunerações justas, com excelentes qualidades de trabalho. E se somarmos a tudo isto, este projeto estar localizado nesta bela cidade do interior, (…) a qualidade de vida é excecional”, sublinhou.
A ministra da Coesão Territorial continuou a sua intervenção reiterando o apoio do governo aos CoLABs, pois segundo ela “não há melhor aplicação para as verbas dos fundos europeus do que projetos como este”. O apoio governamental à rede de CoLAB teve início durante o ano de 2020, com o programa Portugal 2020, e estender-se-á até 2030, com o programa vigente, Portugal 2030.
“Nós passamos a vida a querer inventar a roda. Este é um exemplo [de um projeto, o InPP] que podemos dar e que gostaríamos muito de multiplicar pelo resto do nosso país e, sobretudo, é importante que quem tenha responsabilidades, o faça”, concluiu.
A partir das 16h45 os convidados juntaram-se para um beberete e para cantar os parabéns ao InPP com bolo de aniversário.
O balanço do evento comemorativo foi positivo, tendo sido capaz de atrair a comunidade elvense, representantes de diversas empresas e produtores agrícolas, e a comunidade académica.
Após cinco anos, o InPP promove a transferência de conhecimento, reforça a sua posição como um CoLAB capaz de fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços com uma forte componente tecnológica e de inovação, e fortalece o seu compromisso de impulsionar soluções que façam a diferença para enfrentar os vários desafios da proteção das culturas agrícolas.
Os cookies necessários permitem funcionalidades essenciais do site, como logins seguros e ajustes das preferências de consentimento. Não armazenam dados pessoais.
Nenhum
►
Os cookies funcionais suportam funcionalidades como partilha de conteúdo nas redes sociais, recolha de feedback e ativação de ferramentas de terceiros.
Nenhum
►
Os cookies analíticos monitorizam as interações dos visitantes, fornecendo informações sobre métricas como número de visitantes, taxa de rejeição e fontes de tráfego.
Nenhum
►
Os cookies de publicidade entregam anúncios personalizados com base nas suas visitas anteriores e analisam a eficácia das campanhas publicitárias.
Nenhum
►
Os cookies não classificados são cookies que estamos a processar para classificar, em conjunto com os fornecedores de cookies individuais.